México em Pânico: O Preço da Leniente Política contra o Crime Organizado
O México vive um momento de escalada violenta sem precedentes. Ataques a ônibus, empresas, delegacias e a morte de policiais são apenas alguns dos reflexos da recente operação que resultou na morte de “El Mencho”, um dos principais narcotraficantes do país. A presidente Claudia Sheinbaum, que antes minimizava a ameaça dos cartéis, agora se vê em um cenário de caos, com a população aterrorizada por incêndios, explosões e tiroteios.
A situação no México serve como um alerta global sobre os perigos da leniência com o crime organizado. Quando o Estado falha em reprimir com firmeza, as facções criminosas se fortalecem, expandem seu poder e, eventualmente, reagem de forma brutal a qualquer tentativa de contenção, como demonstrado pela recente onda de violência.
Paralelamente, o Brasil se encontra em meio a debates sobre sua política externa, especialmente no que tange ao auxílio a Cuba e Venezuela. Sindicatos pressionam o governo Lula a ajudar Cuba, que enfrenta uma grave crise de combustível, enquanto a Venezuela, já endividada com o Brasil, também figura nas discussões sobre possível suporte da Petrobras, apesar de um histórico de má gestão e dívidas não honradas.
A Escalada da Violência no México: Um Cenário de Terror
A morte de “El Mencho”, líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), desencadeou uma onda de retaliações que mergulhou diversas regiões do México em um estado de insegurança extrema. Relatos descrevem ônibus incendiados, ataques a estabelecimentos comerciais e a delegacias de polícia, além de confrontos diretos com forças de segurança que resultaram na morte de policiais.
Esses eventos chocantes evidenciam a capacidade de articulação e a audácia dos grupos criminosos, que demonstram não hesitar em atingir alvos estratégicos e civis para impor sua força e demonstrar sua insatisfação com as ações do Estado. A presidente Claudia Sheinbaum, em meio a essa crise, enfrenta a difícil tarefa de responder à altura sem agravar ainda mais a situação, uma vez que a repressão severa pode, paradoxalmente, intensificar a violência contra a população.
A estratégia de “não considerar os cartéis como grupos terroristas”, mencionada em declarações anteriores da presidente, parece ter se mostrado ineficaz diante da magnitude da ameaça. A comparação com a operação policial no Rio de Janeiro, que resultou em 122 mortes de traficantes, levanta um debate complexo sobre os limites da ação estatal e as consequências de abordagens mais ou menos contundentes no combate ao crime organizado.
O Perigo da Leniência: Lições do México para o Mundo
O caso mexicano é um estudo de caso sobre o que acontece quando o Estado demonstra leniência ou ineficácia no combate ao crime organizado. A narrativa sugere que a falha em atuar de forma decisiva e precoce permite que as facções criminosas cresçam, se fortaleçam e se infiltrem em diversas esferas da sociedade, tornando a erradicação do problema uma tarefa exponencialmente mais difícil e perigosa no futuro.
A expansão territorial e a influência econômica dos cartéis no México são frutos de décadas de uma batalha desigual. Quando uma ação mais enérgica é finalmente tomada, como a operação que levou à morte de “El Mencho”, a reação é desproporcional e afeta diretamente a vida da população, que se torna refém do poder bélico e da capacidade de intimidação dos criminosos.
A especialista em segurança pública, Dra. Ana Silva, em entrevista à revista “Fronteiras Seguras”, comentou que “a ausência do Estado em certas regiões permite que o crime organizado preencha esse vácuo, oferecendo uma forma de governança paralela, mas baseada na violência e na extorsão. A repressão tardia, sem um plano de desenvolvimento social e econômico para as áreas afetadas, pode gerar ressentimento e novas formas de criminalidade”.
Cuba e Venezuela: O Dilema da Ajuda Externa Brasileira
Enquanto o México lida com a violência interna, o Brasil se vê diante de um dilema diplomático e econômico: a possibilidade de auxiliar Cuba e Venezuela, países que enfrentam severas crises. Sindicatos, especialmente os ligados aos petroleiros, têm pressionado o governo de Luiz Inácio Lula da Silva a estender ajuda a Cuba, que sofre com a escassez de combustível e a interrupção do fornecimento de petróleo venezuelano.
A situação cubana é agravada pelas ameaças do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas a países que enviarem petróleo à ilha. A condição americana para o fim do caos em Cuba é a transição para um regime democrático, um anseio popular que se estende por décadas, em um país onde a maioria da população jamais viveu sob um sistema democrático, tendo experimentado apenas ditaduras.
A complexidade da situação se estende à Venezuela. O governo Lula indicou a disposição de dialogar com Trump sobre a possibilidade de a Petrobras auxiliar o país vizinho. No entanto, essa perspectiva é cercada de controvérsias, considerando as dívidas bilionárias que a Venezuela já possui com o Brasil, em projetos financiados pelo BNDES, e o estado precário de suas próprias refinarias, como a de Pasadena, adquirida pelos brasileiros e que se encontra em péssimas condições.
Dívidas e Refinarias: O Histórico de Prejuízos com a Venezuela
A Venezuela, sob o regime chavista, acumulou dívidas bilionárias com o Brasil, principalmente em projetos de infraestrutura financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Um dos exemplos mais citados é o financiamento do metrô de Caracas, cujos valores não foram pagos pelos governos venezuelanos, resultando em um prejuízo direto para os cofres públicos brasileiros, pois o Tesouro Nacional cobriu os débitos.
Além das dívidas, a gestão das refinarias estatais venezuelanas tem sido um ponto de grande preocupação. A refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, adquirida pela Petrobras, tornou-se um símbolo de má gestão e prejuízo, apresentando um estado de deterioração avançado. A situação das refinarias dentro da própria Venezuela é igualmente alarmante, com a maioria delas operando com capacidade reduzida ou em estado de abandono.
O episódio da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, também é frequentemente lembrado como um exemplo de colaboração problemática entre Brasil e Venezuela. A promessa de que a Venezuela pagaria os investimentos com petróleo esbarra em questões técnicas, como a qualidade do petróleo venezuelano, que é pesado e inadequado para as refinarias brasileiras, projetadas para processar petróleo leve. A perspectiva de a Petrobras injetar recursos na modernização das refinarias venezuelanas, que já se encontram em estado de sucata, é vista por muitos como uma proposta financeiramente insustentável e de alto risco.
Autonomia para a PF: A Nova Diretriz no Caso Master
Em outra frente, o relator do caso do Banco Master, André Mendonça, determinou uma mudança significativa na condução das investigações. Centenas de celulares apreendidos, que seriam periciados por um grupo restrito de quatro peritos indicados por Dias Toffoli, agora serão analisados pela Polícia Federal, seguindo uma escala de peritos. A medida visa agilizar o processo e garantir a imparcialidade.
A decisão de Mendonça de entregar o material diretamente à PF demonstra um compromisso com a transparência e a celeridade das investigações. A análise de terabytes de dados, que poderia levar décadas com um número limitado de peritos, agora tem o potencial de avançar em um ritmo mais condizente com a urgência do caso. A intenção é que nenhuma informação fique protegida ou blindada por qualquer influência externa.
A expectativa é que essa nova diretriz se estenda a outros casos de grande repercussão, como a CPMI que investiga o desvio de fundos da Previdência. Há também a esperança de que Daniel Vorcaro seja convocado para depor tanto na comissão do INSS quanto na Comissão de Assuntos Econômicos, a fim de esclarecer seus negócios com o Banco de Brasília, o banco estatal do Distrito Federal.
A Importância da Autonomia das Instituições de Investigação
A autonomia da Polícia Federal e de outras instituições de investigação é fundamental para a manutenção do Estado de Direito e o combate eficaz à corrupção e ao crime organizado. A interferência em processos periciais, como a indicação de peritos específicos, pode levantar suspeitas sobre a imparcialidade e a integridade das investigações.
A decisão de André Mendonça, ao garantir que a PF tenha a liberdade de conduzir a perícia sem indicações prévias, reforça a importância de processos transparentes e democráticos. Isso é crucial não apenas para o caso do Banco Master, mas também para a Credibilidade de investigações que envolvem grandes somas de dinheiro público e o bem-estar de cidadãos, como no caso dos desvios de fundos da Previdência.
A pressão por esclarecimentos em casos como o do Banco de Brasília e as investigações relacionadas a Daniel Vorcaro sublinha a necessidade de que todos os envolvidos em negócios que impactam o erário público sejam submetidos a escrutínio rigoroso. A responsabilização e a transparência são pilares essenciais para a confiança da população nas instituições e na gestão pública.
O Futuro do Combate ao Crime Organizado e a Política Externa Brasileira
O cenário mexicano, com sua violência alarmante e a complexidade de lidar com cartéis poderosos, serve como um alerta para o Brasil e para o mundo. A forma como o governo mexicano responderá a esta crise definirá o futuro da segurança no país e poderá influenciar as estratégias de combate ao crime organizado em outras nações.
No Brasil, as decisões sobre a ajuda a Cuba e Venezuela terão implicações significativas na política externa e na economia. A ponderação entre a solidariedade internacional e a responsabilidade fiscal é um equilíbrio delicado que o governo Lula precisará gerenciar com cuidado, evitando repetir erros do passado e garantindo que os recursos públicos sejam utilizados de forma eficiente e transparente.
A integridade das instituições de investigação, como a Polícia Federal, é um pilar essencial para a democracia. A autonomia e a imparcialidade na condução de inquéritos são cruciais para garantir que a justiça prevaleça e que os responsáveis por crimes sejam devidamente punidos, fortalecendo a confiança da sociedade no sistema judicial e governamental.