O México deu um passo significativo na sua luta contra o crime organizado, entregando aos Estados Unidos um novo grupo de 37 membros de organizações criminosas. Esta ação, que marca uma importante fase na cooperação bilateral, ocorre pouco mais de uma semana após um diálogo crucial sobre segurança entre a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, e o presidente norte-americano, Donald Trump.

A medida reflete o compromisso do governo mexicano em combater o narcotráfico e fortalecer os laços com Washington, especialmente diante da crescente pressão para conter o fluxo de drogas, como o letal fentanil, para o território dos EUA. A extradição, realizada sob a Lei de Segurança Nacional, reforça a estratégia conjunta de ambos os países.

Conforme informações divulgadas, a operação sublinha a seriedade com que o México trata as solicitações de extradição, buscando desmantelar as estruturas de poder dos cartéis e seus líderes influentes.

Extradições Recentes: Alvos de Alto Perfil e Compromissos

A entrega dos 37 membros de organizações criminosas foi coordenada com rigor e respeito à soberania nacional, conforme destacou o secretário de Segurança Pública, Omar García Harfuch, em sua conta no X. Uma condição fundamental estabelecida foi o compromisso da Justiça americana de não solicitar a pena de morte para os indivíduos extraditados, garantindo assim os direitos humanos no processo.

Entre os nomes de destaque enviados aos Estados Unidos, estão Jorge Damián Román Figueroa, conhecido como “El Soldado”, líder do grupo “Los Malas-Mañanas”, alinhado à facção Los Mayos do notório cartel de Sinaloa. Outro extraditado de peso é Pedro Inzunza Noriega, apelidado de “El Señor de la Silla”, pai de Pedro Inzunza Coronel, que foi o número dois do outrora poderoso cartel dos Beltrán Leyva.

Estes indivíduos, procurados pelos Estados Unidos por crimes graves, incluindo “narcoterrorismo”, foram transportados para diversas cidades americanas, como Washington, Houston, Nova York, Pensilvânia, San Antonio e San Diego. A logística da operação envolveu sete aeronaves militares, evidenciando a escala e a importância da ação conjunta entre México e EUA.

Histórico de Entregas e a Pressão Renovada dos EUA

Esta mais recente extradição não é um evento isolado, mas parte de uma série de ações coordenadas desde o retorno de Donald Trump ao poder. Em 28 de fevereiro de 2025, o México já havia entregue aos EUA um grupo de 29 narcotraficantes. Entre eles, estava o veterano chefão Rafael Caro Quintero, procurado pelo homicídio do agente da DEA Enrique “Kiki” Camarena, e os irmãos Miguel Ángel e Omar Treviño Morales, líderes da organização criminosa Los Zetas.

Em agosto do mesmo ano, uma segunda leva de 26 indivíduos foi enviada, incluindo integrantes de “alto perfil” dos temidos cartéis Jalisco Nova Geração e de Sinaloa. Naquela ocasião, Servando Gómez Martínez, conhecido como “La Tuta”, líder das organizações criminosas La Familia Michoacana e Los Caballeros Templarios, também foi extraditado. Com esta nova entrega, o número total de membros de organizações criminosas enviados aos Estados Unidos soma 92 indivíduos em três grandes operações, demonstrando uma contínua e forte cooperação.

O Cenário Político e a Luta Contra o Fentanil

A intensificação das extradições ocorre em um momento de renovada pressão do governo de Donald Trump sobre o México. A principal demanda de Washington é que o país latino-americano redobre os esforços para frear o tráfico de drogas para o território americano, com um foco particular no fentanil. Este opioide sintético tem sido uma das principais causas da crise de saúde pública nos Estados Unidos, com um número alarmante de mortes por overdose.

O diálogo entre a presidente Claudia Sheinbaum e Donald Trump, anterior a esta extradição, sublinha a importância estratégica da colaboração em segurança entre os dois países. A entrega de líderes criminosos de alto escalão é vista como um sinal claro do compromisso mexicano em atender às preocupações dos EUA e em fortalecer a segurança regional, buscando desmantelar as redes que alimentam o tráfico internacional de drogas e o narcoterrorismo.

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