A palavra “Microslop” tem ganhado destaque nas redes sociais, tornando-se um símbolo da insatisfação de muitos usuários com a avalanche de recursos de Inteligência Artificial (IA) que a Microsoft tem implementado em seus softwares e serviços.
Este neologismo, que une “Microsoft” e “slop” (termo em inglês para desleixo ou lixo), reflete uma crítica direta à qualidade percebida e à necessidade real de tanta IA nos produtos da gigante da tecnologia.
A polêmica se intensificou após declarações do CEO Satya Nadella e culminou com a criação de uma extensão para Chrome que troca o nome “Microsoft” por “Microslop” em páginas web, conforme apurado.
A Origem da Polêmica: Satya Nadella e o “Slop”
A gênese do termo “Microslop” está ligada a uma publicação de Satya Nadella, CEO da Microsoft, no final de 2025. Em seu blog pessoal, Nadella fez um apelo para que as pessoas deixassem de associar o conteúdo gerado por IA a algo de baixa qualidade, buscando superar a ideia de “imprecisão” ou “slop”.
A escolha da palavra “slop” por Nadella não foi aleatória. O termo foi eleito a palavra do ano de 2025 pelo dicionário Merriam-Webster, justamente para indicar conteúdos digitais de baixa qualidade, frequentemente produzidos por ferramentas de IA generativa.
Aparentemente, Satya Nadella não gostou dessa associação negativa. Sua tentativa de ressignificar o termo, no entanto, teve um efeito contrário na opinião pública, que rapidamente transformou a crítica em um protesto viral com a criação de “Microslop”.
“Microslop” Ganha Força: O Protesto Viral Contra a Microsoft em IA
O ápice desse movimento de insatisfação foi o surgimento de uma extensão para Chrome, batizada de “Microsoft to Microslop”. Esta ferramenta substitui automaticamente a palavra “Microsoft” por “Microslop” em qualquer página da web, com uma descrição que, segundo a fonte, inclui até um “dane-se Satya Nadella”.
Essa “revolta” tem múltiplas razões. Uma delas é a intensa integração do Copilot, assistente de IA da Microsoft, em diversos produtos, especialmente no Windows 11. Muitos usuários argumentam que o sistema operacional necessita de otimizações em outras áreas mais básicas, e a priorização da IA parece desviar o foco de problemas mais urgentes.
A fixação da Microsoft em IA, ao invés de ser vista como um avanço, é percebida por uma parcela dos usuários como uma imposição, sem que haja uma demanda clara ou um benefício imediato que justifique tal prioridade.
A Visão da Microsoft vs. a Preocupação dos Usuários
No mesmo texto, Satya Nadella defendeu que a IA deve ser vista como uma ferramenta para auxiliar as pessoas a alcançarem seus objetivos, e não como algo que substitui o trabalho humano. Contudo, essa visão otimista contrasta com a preocupação generalizada sobre o risco da inteligência artificial “roubar” empregos.
É importante destacar que o movimento Microslop não é, em sua essência, um protesto contra a IA em si. Na verdade, ele expressa uma insatisfação com a estratégia da Microsoft de implementar IA “a qualquer custo” em seus produtos, sem oferecer contrapartidas significativas ou atender às verdadeiras necessidades dos usuários.
A percepção é que a empresa está mais preocupada em empurrar a IA do que em garantir que essa tecnologia realmente agregue valor de forma equilibrada e sem comprometer a funcionalidade essencial de seus produtos.
A Receptividade do Mercado aos “AI PCs”
Um exemplo da desconexão entre a estratégia da Microsoft e o interesse do consumidor pode ser visto na baixa adesão aos chamados “AI PCs”. Recentemente, a Dell reconheceu que os consumidores não demonstram grande interesse nesses computadores, que são fortemente promovidos pela Microsoft.
Embora essa percepção possa mudar no futuro, por enquanto, grande parte das pessoas ainda se contenta em usar ferramentas de IA generativa como ChatGPT ou Gemini apenas quando realmente precisam, acessando-as de forma pontual e não como uma funcionalidade intrínseca e onipresente em seus sistemas operacionais e softwares.
O Futuro da Fixação da Microsoft em IA
A controvérsia em torno do termo Microslop e a resposta dos usuários à fixação da Microsoft em IA indicam um ponto de inflexão. As empresas de tecnologia podem precisar reavaliar suas estratégias de implementação de IA, buscando um equilíbrio entre inovação e as expectativas reais de seus consumidores.
A lição que emerge é clara: a integração da IA deve ser percebida como um benefício genuíno, e não como uma imposição que pode gerar descontentamento e protestos virais como o “Microslop”.