População da Dinamarca e Groenlândia se une em protesto contra ambições territoriais de Trump na região ártica

Milhares de pessoas foram às ruas na Dinamarca e na Groenlândia, neste sábado, 17 de agosto, para expressar sua indignação contra as ambições territoriais do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. As manifestações, convocadas por ONGs nas redes sociais, reuniram cidadãos em diversas cidades, clamando por respeito à soberania e autodeterminação da Groenlândia.

A mobilização acontece após Trump ter ameaçado, na sexta-feira, 16 de agosto, impor tarifas a países que não apoiassem seu plano de assumir o controle do território autônomo no Ártico. A proposta gerou uma onda de repúdio, transformando as ruas em palcos de protesto contra a interferência externa.

Os atos de protesto sublinham a importância da Groenlândia para sua população e para a Dinamarca, que administra a ilha. A defesa da soberania e do direito internacional foi a principal bandeira levantada pelos manifestantes, conforme informações da fonte.

A onda de protestos e a rejeição popular

Sob um céu cinzento e temperaturas próximas de 0°C, a praça da prefeitura de Copenhague foi tomada por manifestantes. Eles exibiam bandeiras da Dinamarca e da Groenlândia, entoando o nome da ilha em groenlandês, “Kalaallit Nunaat”, um forte símbolo de identidade e pertencimento.

Cartazes com mensagens em inglês, como “Make America Go Away”, que se traduz como “faça a América ir embora”, faziam uma clara referência ao slogan de campanha de Trump, “Make America Great Again”. A mensagem foi um recado direto ao ex-presidente americano.

A mobilização foi organizada por importantes entidades, incluindo a Organização Nacional dos Groenlandeses na Dinamarca (Uagut), o movimento cidadão “Não toquem na Groenlândia” e o Inuit, que congrega associações locais. Os principais atos ocorreram em Copenhague e em Nuuk, a capital da Groenlândia, com protestos adicionais em Aarhus, Aalborg e Odense.

Avijâja Rosing-Olsen, uma das organizadoras dos atos, enfatizou a importância da causa. Ela declarou: “Exigimos o respeito ao direito de nosso país à autodeterminação e ao nosso povo. Exigimos o respeito ao direito internacional e aos princípios jurídicos internacionais. Esta não é apenas a nossa luta, é uma luta que diz respeito ao mundo inteiro”.

Rejeição esmagadora e o posicionamento da Dinamarca

Uma pesquisa divulgada em janeiro de 2025 pelo instituto groenlandês HS Analyse revelou um dado contundente: 85% da população da Groenlândia rejeita a anexação pelos Estados Unidos. Apenas 6% dos entrevistados se manifestaram favoráveis à ideia, demonstrando uma oposição quase unânime aos interesses territoriais de Trump.

Em um movimento paralelo e estratégico, a Dinamarca convidou os Estados Unidos a participar de exercícios militares na Groenlândia. De acordo com Søren Andersen, chefe do Comando Ártico da Dinamarca, as atividades incluem a presença da Rússia, sinalizando a complexidade geopolítica da região.

Além dos EUA, França, Reino Unido, Alemanha, Holanda, Suécia, Noruega e Finlândia anunciaram o envio de militares para uma missão de reconhecimento no exercício dinamarquês “Arctic Endurance”. Este exercício é realizado com aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), reforçando a cooperação regional em meio às tensões.

O Jogo Geopolítico no Ártico e as Alegações de Trump

Trump sustenta que a compra da Groenlândia atende a interesses de segurança nacional dos Estados Unidos. Ele justifica sua proposta alegando a presença de navios russos e chineses na região, o que, em sua visão, representaria uma ameaça estratégica que a aquisição da ilha poderia mitigar.

A Groenlândia, com sua vasta extensão e recursos naturais, possui uma posição geoestratégica crucial no Ártico. A disputa por influência na região tem se intensificado, envolvendo grandes potências e tornando o território um ponto focal de discussões internacionais sobre soberania e segurança.

Os protestos e a forte rejeição popular aos planos de Trump evidenciam que a questão da Groenlândia vai além de interesses estratégicos. Ela toca profundamente na identidade cultural e no direito à autodeterminação de um povo, que se recusa a ser moeda de troca em jogos geopolíticos globais.

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