O cenário da imunização contra a dengue no Brasil enfrenta um revés significativo. Uma parceria crucial, que prometia acelerar a produção nacional da vacina da dengue desenvolvida pela Takeda, foi oficialmente reprovada pelas autoridades de saúde. A decisão impacta diretamente os planos de fabricação local do imunizante.

A Fundação Oswaldo Cruz, a Fiocruz, buscava um acordo com a farmacêutica Takeda para produzir a vacina de duas doses no país. O projeto visava encurtar a importação e fortalecer a capacidade produtiva brasileira, um objetivo estratégico para a saúde pública.

Contudo, a iniciativa não obteve a aprovação necessária do Ministério da Saúde. A pasta apontou falhas fundamentais na proposta apresentada, conforme informações divulgadas pelo GLOBO.

Requisitos Não Atendidos: O Motivo da Reprovação

Em nota, o Ministério da Saúde explicou que a proposta de Parceria de Desenvolvimento Produtivo, PDP, entre Takeda e Bio-Manguinhos, da Fiocruz, “não atendeu a requisitos mínimos para participação no Programa”. A falha crucial foi não assegurar o acesso integral ao conhecimento de produção do Insumo Farmacêutico Ativo, o IFA.

O IFA é a matéria-prima essencial para a fabricação da vacina da dengue. Sem o domínio completo dessa etapa, a produção nacional do produto é inviabilizada. Este é o “principal pilar do programa do Governo Federal”, que busca a autonomia tecnológica do país.

A Explicação da Fiocruz sobre a Limitação

Procurada, a Fiocruz detalhou os desafios. A produção da vacina Qdenga, da Takeda, demandaria plataformas tecnológicas já em uso para outras vacinas. “Considerando as instalações atuais, portanto, a eventual produção do IFA para esse imunizante ficaria limitada”.

A instituição reconhece não haver espaço suficiente para produzir a vacina da Takeda em sua totalidade, incluindo o IFA, em suas áreas fabris. A Fiocruz não previu a necessidade de fabricar o IFA no país ao fazer o pedido.

A produção completa do medicamento em solo nacional, porém, é um dos pilares inegociáveis para o programa de parcerias do Governo Federal, conforme reiterado pelo Ministério da Saúde.

O Fim da Parceria e a Posição da Takeda

Diante da reprovação, a Fiocruz já comunicou que não fará outro pedido ao Ministério da Saúde. Isso inviabiliza a fabricação da vacina da Takeda pela Fiocruz no território nacional, ao menos com os termos da proposta original.

A Takeda, por sua vez, informou que “esteve preparada e disposta para viabilizar a parceria”. A farmacêutica ressaltou que segue aberta ao diálogo com o Governo Federal para “contribuir com soluções que ampliem o acesso e fortaleçam a capacidade nacional de imunização”.

Doses Garantidas e Perspectivas para a Vacinação

Apesar da não aprovação da fabricação da vacina da Takeda pela Fiocruz, a vacina Qdenga já é oferecida no Brasil. Atualmente, o imunizante é destinado a adolescentes na faixa etária de 10 a 14 anos, um grupo prioritário na campanha de vacinação contra a dengue.

O presidente da Takeda, em entrevista ao GLOBO em dezembro, projetou a entrega de “18 milhões de doses ao Brasil entre 2026 e 2027”. Este volume já havia sido anunciado pelo ministro Alexandre Padilha em coletiva de imprensa em novembro do ano anterior.

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