A morte do bebê da aclamada escritora nigeriana e ícone do feminismo, Chimamanda Ngozi Adichie, tem gerado comoção e levantado sérias questões sobre a qualidade do atendimento hospitalar na Nigéria. A família da autora acusa o hospital de “negligência médica grave”, um incidente que ressoa por todo o país e gera grande impacto.
Este triste acontecimento, envolvendo uma das personalidades mais influentes da literatura contemporânea, não é um caso isolado, mas um doloroso reflexo das deficiências e desafios enfrentados pelo sistema de saúde da Nigéria. A repercussão do caso de Adichie serve como um chamado urgente para a exigência de maior responsabilidade e transparência.
O episódio, que envolve uma suposta superdosagem de medicamento em um procedimento de rotina, coloca em xeque a segurança e a eficácia dos serviços médicos, conforme detalhado por familiares e fontes próximas, reacendendo um debate crucial sobre a saúde pública.
Detalhes Chocantes da Tragédia e Acusações de Negligência
Segundo um parente, Chimamanda Adichie e seu marido, o médico Ivara Esege, tentaram ter filhos durante oito anos, tornando a perda ainda mais devastadora para o casal. A cunhada de Adichie, a médica e professora Anthea Esege Nwandu, trouxe à tona os detalhes perturbadores do ocorrido, apontando falhas críticas no atendimento.
Nwandu relatou que a criança recebeu uma superdose de propofol para ser sedada durante exames de ressonância magnética. Ela acusou o anestesista de ter sido “criminalmente negligente” e de não ter seguido o protocolo médico adequado, uma falha que teve consequências fatais para o bebê.
A situação escalou quando o bebê sofreu uma parada cardíaca, momento em que o anestesista o levava no ombro, desconectado do ventilador. A cunhada da escritora disse à emissora de televisão local TVC que o próprio diretor médico do hospital admitiu que “parece ter sido uma overdose de propofol”, o que reforça as suspeitas.
A família de Adichie, que estava na Nigéria para as festas de fim de ano, embora a escritora resida nos Estados Unidos, agiu legalmente. Uma notificação judicial foi emitida ao hospital, conforme confirmado por Omawumi Ogbe, porta-voz da família, indicando que o caso terá desdobramentos na justiça e busca por reparação.
Um Sistema de Saúde Sob Crise e Críticas Recorrentes
A tragédia familiar de Chimamanda Adichie ilumina uma realidade sombria do sistema de saúde da Nigéria, que tem sido alvo de críticas constantes e crescentes. A falta de infraestrutura adequada e a negligência médica são problemas recorrentes que afetam a população diariamente, gerando indignação e desconfiança generalizada.
Recentemente, o sistema de saúde do país ganhou as manchetes quando o ex-campeão mundial de boxe dos pesos-pesados Anthony Joshua, britânico de ascendência nigeriana, foi visto saindo de um carro com dores, auxiliado por pedestres e sem uma ambulância disponível para atendê-lo. Este episódio evidenciou a precariedade dos serviços de emergência.
Outro caso chocante ocorreu no estado de Kano, no norte do país, onde uma mulher morreu quatro meses depois que médicos esqueceram uma tesoura em seu estômago após uma cirurgia. Apesar de queixas reiteradas de dores abdominais em diversas visitas ao hospital, os médicos apenas administraram analgésicos. A tesoura só foi vista dois dias antes de seu falecimento, revelando uma falha grave de acompanhamento.
O Êxodo de Profissionais e a Fragilidade da Saúde na Nigéria
Os casos de negligência e mau atendimento são agravados por um fenômeno preocupante: o êxodo de médicos e enfermeiros qualificados. Esses profissionais deixam a Nigéria em busca de melhores salários e condições de trabalho em outros países, enfraquecendo ainda mais o já precário sistema de saúde da Nigéria.
Dados alarmantes foram divulgados pelo ministro da Saúde, Muhammad Ali Pate, que informou que entre 15.000 e 16.000 médicos nigerianos emigraram entre 2020 e 2024. Essa perda massiva de capital humano qualificado tem um impacto direto na capacidade do país de oferecer atendimento médico de qualidade à sua vasta população.
Em 2024, o Ministério da Saúde revelou que a Nigéria possui apenas 55.000 médicos para uma população estimada em 220 milhões de pessoas. Essa proporção desfavorável, combinada com a fuga de talentos, torna o desafio de garantir um atendimento médico eficiente e seguro uma tarefa hercúlea para o país africano, exigindo ações urgentes e eficazes.