Representantes dos Estados Unidos, Rússia e Ucrânia concluíram a primeira rodada de conversas trilaterais em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, sem alcançar um acordo definitivo para o fim da guerra. A reunião, que se estendeu por dois dias, teve como objetivo principal discutir os possíveis critérios para encerrar o conflito que se aproxima de seu quarto ano em fevereiro.
Apesar da ausência de uma decisão final, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, descreveu as negociações como construtivas e expressou otimismo quanto à possibilidade de novas reuniões já na próxima semana. A delegação ucraniana, ao lado das equipes russa e americana, buscou caminhos para desescalar a tensão e estabelecer parâmetros de segurança.
Segundo informações divulgadas, a ausência de um acordo imediato não diminui a importância deste primeiro contato direto entre as partes, que pode ser um passo crucial para futuras soluções diplomáticas.
Conversas Construtivas e a Busca por Critérios para o Fim da Guerra
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, utilizou a rede social X para detalhar os resultados das reuniões. Ele enfatizou que o tema central foi a identificação de possíveis critérios para pôr fim à guerra. Zelensky valorizou o reconhecimento da necessidade de os Estados Unidos supervisionarem e controlarem o processo de paz, garantindo uma segurança real para a Ucrânia.
A parte americana, de acordo com o líder ucraniano, levantou questões sobre formatos para estabelecer os parâmetros do fim da guerra e as condições de segurança necessárias. Os representantes militares identificaram uma lista de pontos para um possível próximo encontro, sinalizando a disposição para avançar nas discussões.
Zelensky afirmou que, havendo disposição, novas reuniões podem ocorrer já na próxima semana. Essa expectativa foi corroborada por uma fonte russa, que, em declaração à agência TASS, mencionou a possibilidade de uma segunda rodada nos próximos dias, mantendo viva a esperança de progresso diplomático.
O Impasse sobre a Região de Donbass
Um dos pontos mais sensíveis e complexos nas negociações é a situação da região de Donbass. Fontes ligadas às conversas, conforme reportado pela agência TASS, indicaram que a retirada das tropas ucranianas de Donbass representa o principal obstáculo para um acordo.
Para a Rússia, a retirada do Exército ucraniano de Donbass é uma condição fundamental, e diferentes parâmetros de segurança estão sendo considerados para viabilizar essa demanda. Em contrapartida, Kiev exige garantias de segurança que obriguem os EUA e seus aliados europeus a defendê-la em caso de uma nova agressão russa, alinhado ao artigo 5º da OTAN.
A Rússia, por sua vez, opõe-se categoricamente ao envio de tropas ocidentais para o território ucraniano, intensificando a complexidade do diálogo sobre a segurança regional e a soberania territorial.
Bastidores das Negociações e as Delegações Envolvidas
A realização das negociações trilaterais em Abu Dhabi foi precedida por importantes articulações políticas. O presidente russo, Vladimir Putin, aprovou o encontro após uma reunião com os emissários da Casa Branca, Steve Witkoff e Jared Kushner, na madrugada de sexta-feira.
Paralelamente, o líder ucraniano, Volodymyr Zelensky, também deu seu aval após um encontro com o presidente dos EUA, Donald Trump, durante o Fórum Econômico Mundial de Davos. Esses encontros de alto nível demonstram a relevância e a complexidade dos diálogos em curso.
A delegação russa foi liderada pelo almirante Ígor Kostiukov,