O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, expressou neste domingo (11) a esperança de que Israel e Irã possam, no futuro, retomar uma relação de “aliados leais”. Essa projeção otimista surge em um momento de intensa agitação no Irã, onde protestos massivos desafiam o regime dos aiatolás há semanas.
A declaração de Netanyahu ocorre em meio a uma escalada de tensões regionais, com o governo iraniano emitindo alertas severos sobre possíveis retaliações militares contra os Estados Unidos e Israel. A situação é agravada pela repressão violenta aos manifestantes e o corte de acesso à internet no país persa.
O cenário complexo, que mistura esperança de mudança, ameaças militares e a luta por liberdade, desenrola-se com o olhar atento da comunidade internacional, conforme informações divulgadas neste domingo.
Netanyahu e a Visão de uma Nova Aliança
Em um pronunciamento durante a reunião de seu gabinete, Benjamin Netanyahu afirmou que Israel e Irã voltarão a ser “aliados leais” caso o regime dos aiatolás seja derrubado pelos protestos. Ele manifestou a esperança de que a nação persa se liberte “do jugo da tirania”.
O premiê israelense destacou a crença em um futuro de prosperidade e paz para ambos os países. Ele ressaltou ainda que o povo de Israel, e o mundo inteiro, estão “assombrados pelo tremendo heroísmo dos cidadãos iranianos” que lutam por sua liberdade.
Netanyahu fez questão de reiterar o apoio de Israel à luta por liberdade dos iranianos, condenando energicamente os “massacres em massa de civis inocentes” que têm ocorrido durante os protestos.
Ameaças Iranianas e a Tensão Regional
Em resposta às ameaças de intervenção do presidente americano Donald Trump, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, alertou sobre as consequências de um possível ataque. Ele declarou que “tanto os territórios ocupados (Israel) quanto todos os centros militares, bases e navios” dos EUA e de Israel na região seriam “alvos legítimos”.
Essa mensagem de advertência foi emitida após Trump ter ameaçado intervir na República Islâmica caso o governo não consiga conter a repressão contra os manifestantes. A retórica acirrada reflete a grave deterioração das relações entre Irã, Estados Unidos e Israel.
O governo iraniano, em uma carta enviada à ONU neste sábado (10), acusou os Estados Unidos, em coordenação com Israel, de “incentivar a instabilidade e a violência”. A carta citou o apoio de Trump ao que chamou de “criminoso” primeiro-ministro israelense como prova dessa coordenação.
Cenário de Repressão e Alerta Internacional
A repressão aos protestos no Irã tem gerado um alto número de vítimas. A ONG Iran Human Rights (IHRNGO) elevou neste domingo (11) para ao menos 192 o número de mortos. Enquanto isso, o país permanece sem acesso à internet, dificultando a comunicação e a organização das manifestações populares.
Os protestos, que tiveram início em 28 de dezembro, continuaram intensos durante a última noite. A persistência das manifestações, apesar da repressão, demonstra a profundidade do descontentamento popular com o regime dos aiatolás.
O Exército de Israel, por sua vez, indicou que está monitorando as manifestações massivas no Irã, classificando-as como um “assunto interno iraniano”. No entanto, declarou estar preparado para se defender e para “responder com força”, caso seja necessário, sublinhando a volátil situação na região.
Histórico de Conflitos e o Futuro Incerto
A tensão entre Israel e Irã não é recente. Os dois países se enfrentaram em junho de 2025 na chamada “Guerra dos Doze Dias”, que eclodiu após o Exército israelense bombardear o país persa, desencadeando ataques cruzados com mísseis balísticos e drones, conforme relatado.
A possibilidade de um novo conflito direto cresceu significativamente desde que o presidente americano Donald Trump afirmou estar “preparado para ajudar o povo iraniano” contra a repressão das autoridades do regime. A instabilidade interna no Irã, somada às intervenções externas, aponta para um futuro incerto na geopolítica do Oriente Médio.