Nvidia Adota Pagamento Adiantado e Sem Cancelamento para Vendas de Chips na China
A Nvidia, uma das empresas mais valiosas do mundo e líder em chips de inteligência artificial, implementou uma nova e rigorosa política de vendas para seus produtos na China. A decisão, que exige o pagamento integral e antecipado pelos chips H200, reflete um cenário de crescentes incertezas geopolíticas e desafios regulatórios no país asiático.
Essa mudança nas condições comerciais, considerada incomum no setor, visa proteger a companhia de possíveis entraves governamentais que possam impedir a entrega dos componentes tecnológicos. Clientes chineses agora precisam desembolsar o valor total antes mesmo de terem a garantia de recebimento.
A informação foi divulgada pela agência de notícias Reuters, que conversou com fontes anônimas a par do assunto. A Nvidia, por sua vez, preferiu não comentar a reportagem.
Por que o pagamento antecipado se tornou mandatório?
A exigência de pagamento integral antecipado pela Nvidia para seus chips H200 na China é uma resposta direta aos riscos de o governo chinês não autorizar as entregas. Essa medida incomum busca blindar a empresa contra perdas financeiras em um mercado volátil e de alta demanda.
Anteriormente, a Nvidia costumava exigir apenas depósitos parciais. A mudança radical para o pagamento adiantado reflete a gravidade das preocupações da companhia com a aprovação governamental chinesa para a importação de seus produtos de alta tecnologia.
Os chips H200 são cruciais para o desenvolvimento da inteligência artificial, e a demanda por eles na China é altíssima. A proteção contra a não autorização de importação é, portanto, uma prioridade estratégica para a empresa diante do cenário global de tecnologia.
Condições rigorosas e o impacto nos clientes chineses
Além da exigência de pagamento integral antecipado, a Nvidia também não permite alterações nos pedidos nem oferece reembolso em caso de cancelamento, segundo a Reuters. Essas são condições consideradas bastante severas no mercado de semicondutores e IA.
Em situações especiais, alguns clientes podem recorrer a seguros comerciais ou garantias de ativos como alternativa ao pagamento em dinheiro. No entanto, a regra geral é o desembolso total antes da entrega, impactando diretamente o fluxo de caixa dos compradores chineses.
Apesar das restrições, clientes chineses teriam encomendado mais de 2 milhões de chips H200 para 2026, cada um avaliado em aproximadamente US$ 27 mil, o equivalente a cerca de R$ 145 mil em conversão direta. A Nvidia estaria acelerando a produção para atender a essa demanda massiva.
O contexto geopolítico e a demanda por chips de IA
A Nvidia tem se encontrado no centro das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e China. Em 2025, a empresa conseguiu autorização para vender os chips H200 para a China, mas com a condição de pagar uma taxa de 25% aos Estados Unidos, adicionando complexidade às operações.
Apesar disso, Pequim demonstra interesse em restringir as importações para impulsionar fabricantes locais, como a Huawei e seu chip Ascend 910C. Esta política também seria uma resposta às taxas impostas pelos EUA sobre produtos chineses, em um movimento de reciprocidade.
Preocupações com segurança nacional em ambos os países também influenciam o cenário. A Bloomberg, em reportagem de 8 de janeiro, indicou que o sinal verde das autoridades chinesas para a importação de chips H200 deve vir até março, com aprovações graduais para fins comerciais específicos.
Cenário incerto: o futuro das vendas de chips na China
Apesar das expectativas de aprovação, o cenário permanece incerto para as vendas de chips na China. Pequim pode proibir o uso dos componentes da Nvidia em empresas estatais, instituições militares e projetos de infraestrutura, limitando significativamente o mercado de atuação.
Produtos de outras empresas estrangeiras, como Apple e Micron, já enfrentam banimentos similares nesses setores na China. Essa restrição poderia forçar a Nvidia a reavaliar suas estratégias de vendas e de posicionamento no mercado asiático.
Recentemente, em 7 de janeiro, o site The Information reportou que o governo chinês pediu que empresas de tecnologia do país suspendessem as compras do H200. O objetivo seria equilibrar a demanda com a produção de componentes locais, como o chip Ascend 910C da Huawei, sinalizando uma possível desaceleração nas importações.