O Homem que Queria Ser Rei no Brasil: a fábula de poder de Kipling se manifesta em Lula e Alexandre de Moraes, alertando para os perigos da autoridade sem limites à democracia.

A clássica obra de Rudyard Kipling, ‘O Homem que Queria Ser Rei’, narra a saga de aventureiros que descobrem como o poder, quando alimentado por mitos e medo, pode transformar indivíduos comuns em figuras quase divinas. Contudo, essa embriaguez do comando sempre cobra seu preço, revelando a fragilidade da autoridade que se descola da realidade.

Transportada para o cenário político brasileiro atual, essa fábula ganha contornos inquietantemente familiares. O enredo não se desenrola em regiões remotas, mas sim no coração de Brasília, onde o trono é construído por decisões judiciais e discursos de salvação.

Nessa versão tropical, personagens conhecidos do poder nacional, como o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes, parecem reencenar a dinâmica complexa entre liderança, autoridade e a submissão da população, conforme uma análise comparativa proposta em material recente.

A Fábula Original e Sua Versão Brasileira

No conto de Kipling, a história transcende a coragem ou o heroísmo, focando na transformação de um líder que deixa de servir à comunidade para exigir sua submissão. A narrativa é um alerta sobre os perigos da autoridade que se sustenta em ilusões e na percepção de infalibilidade.

No Brasil de hoje, o cenário dessa ‘versão brasileira’ de O Homem que Queria Ser Rei não é uma terra distante, mas Brasília, o centro do poder. O trono não é de ouro, mas sim das ‘canetadas’ administrativas, das decisões judiciais e de discursos que prometem uma suposta salvação moral.

Lula: O Carisma do Salvador e a Promessa de Redenção

O presidente Lula, figura carismática que retorna ao poder, é apresentado como o intérprete exclusivo da vontade popular. Seu discurso carrega a promessa de redenção, sugerindo que, sem ele, o país estaria condenado, e que qualquer meio se justifica em nome de um ‘bem maior’.

Essa narrativa, como no filme inspirado na obra de Kipling, não se baseia apenas na força, mas no encanto. Ela promove a ideia de que o líder não pode ser questionado, apenas seguido, consolidando o mito do salvador em um contexto de intensa polarização e busca por estabilidade.

Alexandre de Moraes: O Guardião do Reino e a Expansão da Autoridade

Por outro lado, o ministro Alexandre de Moraes assume o papel de guardião do reino. Seu poder não deriva do voto popular, mas da autoridade que se expande a cada questionamento legítimo que lhe é feito. A resposta, segundo a análise, é sempre a mesma: dobrar a aposta no arbítrio.

O crescimento de sua influência não se dá por limites claros, mas pela exceção permanente. Essa dinâmica contribui para um ambiente onde a população é convencida de que o medo é necessário e que a obediência é uma virtude, elementos cruciais para a consolidação de um poder que se afasta da fiscalização.

O Preço da Ilusão: Quando o Poder se Desconecta da Realidade

O ponto central da obra de Kipling, e da analogia com o Brasil, reside na perigosa confusão entre autoridade legítima e poder absoluto. No filme, o ‘rei’ cai quando sua humanidade é revelada, expondo a fragilidade de sua ascensão baseada em mitos.

No Brasil, o risco é ainda mais profundo. Quando instituições passam a agir como se fossem infalíveis, quando líderes se veem acima da crítica e juízes acima da Constituição, a queda não é apenas individual, mas institucional. A democracia, nesse cenário, não sucumbe de uma vez, mas é esvaziada aos poucos.

Enquanto parte da sociedade aplaude a centralização do poder, outra silencia por receio, e uma terceira é efetivamente calada. O mito do salvador, seja político ou togado, sempre cobra um preço alto: a renúncia à liberdade em troca de uma falsa promessa de estabilidade.

A história de O Homem que Queria Ser Rei termina como toda boa tragédia, com a lembrança de que nenhum poder sobrevive quando se divorcia da realidade. Resta saber se, na versão brasileira dessa fábula, aprenderemos com a ficção, ou se insistiremos em repeti-la como farsa, até que o custo seja pago por todos os cidadãos.

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