Bucky e o Projeto Secreto de Game Boy Color: Uma Curiosidade Pop Nipônica
Para muitos que viveram a infância no início dos anos 2000 e dependiam da TV aberta para se divertir, o programa Band Kids foi um portal para o universo dos animes. Em meio a um cenário de poucas opções, produções como Bucky, originalmente intitulado Jibaku-kun no Japão, se tornaram clássicos.
Estreando no Brasil em agosto de 2000, o anime Bucky, baseado no mangá de Ami Shibata, contou a história de Baku e seu espírito parceiro explosivo em um mundo peculiar. No entanto, o que poucos sabem é que, por trás do sucesso televisivo, existiu um ambicioso projeto de videogame para o Game Boy Color que nunca viu a luz do dia.
A descoberta desse jogo perdido só ocorreu em 2020, durante o evento conhecido como Gigaleak, um vasto vazamento de dados de projetos da Nintendo. Entre os arquivos revelados, estava a demonstração de um jogo de Jibaku-kun, mostrando o potencial que a franquia poderia ter alcançado no mundo dos games. Conforme informações divulgadas sobre o vazamento e a história da produção do anime.
A Origem de Bucky: Do Mangá à Tela
A jornada de Bucky começou em janeiro de 1998, com a reformulação da revista Famitsu Bros., uma publicação da editora Kadokawa focada em games e voltada para o público jovem. Foi nessa revista que a autora Ami Shibata, já conhecida por Nangoku Shounen Papuwa-kun, lançou em maio de 1998 seu novo mangá, Jibaku-kun.
A história se passava em um mundo com doze regiões distintas, cada uma protegida por uma “Grande Criança” e seu companheiro espiritual. O mangá, com capítulos mensais, serviu de base para o anime, que estreou no Japão em outubro de 1999. Contudo, a produção semanal do anime logo divergiu da narrativa original do mangá a partir do episódio 15.
Apesar de ter sido produzido em meio a uma onda de animes de monstros colecionáveis como Pokémon, Digimon e Medabots, Jibaku-kun não obteve o destaque esperado no Japão, encerrando sua exibição televisiva com 26 episódios em março de 2000. O mangá continuou até dezembro do mesmo ano, e a revista Famitsu Bros. encerrou suas atividades em 2002.
O Projeto Secreto: Jibaku-kun para Game Boy Color
O grande segredo que permaneceu oculto por anos foi o desenvolvimento de um jogo para o Game Boy Color. A existência deste projeto só veio à tona em 2020, com o Gigaleak, um vazamento massivo de dados de projetos da Nintendo.
Entre os arquivos vazados, estava uma demo de um jogo intitulado Jibaku-kun: Zero no Ki no Kajitsu World (O Fruto da Árvore do Mundo Zero). Produzido pela Media Factory, uma subsidiária da Kadokawa e distribuidora dos cards de Pokémon na época, o jogo prometia ser uma fusão de RPG com elementos de beat ‘em up.
A demo revelou que o protagonista do jogo seria inspirado no personagem Baku, mas permitiria que o jogador escolhesse seu próprio nome. Embora houvesse alterações na história em relação ao anime, a essência do mangá parecia ser mais fielmente representada, indicando um esforço para capturar a essência da obra original em uma nova mídia.
A Influência de Ami Shibata e o Cenário dos Games da Época
A envolvimento de Ami Shibata com o mundo dos games era uma constante em sua carreira. Antes de Jibaku-kun, ela já havia criado Nangoku Shounen Papuwa-kun, que resultou em um anime e um jogo para Super Famicom. Sua trajetória começou com tirinhas de Dragon Quest para a Enix, demonstrando uma afinidade com o universo dos videogames desde cedo.
A revista Famitsu Bros., onde Jibaku-kun foi publicado, buscava justamente essa conexão entre mangás e games, atraindo autores com essa expertise. A decisão de adaptar o mangá para um anime e, posteriormente, planejar um jogo para Game Boy Color, reflete a tentativa de expandir a franquia para diferentes plataformas e alcançar um público mais amplo.
Na época do lançamento do anime, o mercado de jogos para Game Boy Color estava em seu auge, com títulos que exploravam a versatilidade do portátil. Um jogo de Jibaku-kun, com sua combinação de RPG e ação, poderia ter se destacado, especialmente considerando a popularidade do anime no Brasil, mesmo que não tenha sido um sucesso estrondoso no Japão.
O Gigaleak: Uma Janela para Projetos Perdidos
O Gigaleak, ocorrido em 2020, foi um evento crucial para desvendar projetos esquecidos da Nintendo e suas parceiras. O vazamento expôs uma vasta quantidade de dados, incluindo protótipos, artes conceituais e informações sobre jogos nunca lançados.
Enquanto a mídia se concentrava em descobertas relacionadas a franquias icônicas como Mario, Zelda e Pokémon, o jogo de Jibaku-kun permaneceu soterrado em meio a tantos outros arquivos. A revelação deste projeto cancelado trouxe à tona a possibilidade de que muitos outros jogos e ideias promissoras tenham se perdido ao longo da história do desenvolvimento de videogames.
A existência de uma demo jogável para Jibaku-kun: Zero no Ki no Kajitsu World sugere que o projeto estava em um estágio de desenvolvimento considerável, e não apenas em fase conceitual. Isso aumenta a especulação sobre os motivos que levaram ao seu cancelamento e o que poderia ter sido alcançado se o jogo tivesse sido concluído e lançado.
Análise da Demo e o Potencial de Jibaku-kun: Zero no Ki no Kajitsu World
A demo de Jibaku-kun: Zero no Ki no Kajitsu World permite vislumbrar um jogo que combinaria a exploração e progressão típicas de um RPG com combates dinâmicos no estilo beat ‘em up. Essa mistura de gêneros era inovadora para a época e poderia ter oferecido uma experiência única aos jogadores do Game Boy Color.
A possibilidade de customizar o nome do protagonista e a aparente fidelidade ao espírito do mangá indicam que os desenvolvedores buscavam criar uma experiência imersiva. O cenário do jogo, com suas doze regiões distintas, oferecia um vasto potencial para a criação de fases variadas e desafiadoras, explorando a rica mitologia de Jibaku-kun.
A pesar de a demo apresentar limitações inerentes a um protótipo, ela é suficiente para demonstrar o potencial do projeto. A ausência de dados concretos sobre o desenvolvimento completo, no entanto, deixa um véu de mistério sobre os planos originais e as razões para seu eventual cancelamento.
O Legado de Bucky e a Saudade dos Fãs
Mesmo com o cancelamento do jogo e a curta duração do anime na TV aberta brasileira, Bucky deixou uma marca na memória afetiva de muitos. A série é lembrada com carinho por sua originalidade e pelas aventuras de Baku e seu espírito.
A descoberta do projeto de Game Boy Color reacende a discussão sobre como franquias populares poderiam ter se expandido para outras mídias. Para os fãs de longa data, é uma oportunidade de revisitar a obra e imaginar como seria vivenciar o mundo de Bucky através de um videogame.
Este caso serve como um lembrete de que, por trás de cada obra de entretenimento, existem inúmeros projetos, ideias e esforços que, por diversas razões, nunca chegam a ser concluídos. A Curiosidade Pop Nipônica Aleatória, que traz à tona essas histórias, cumpre o papel de resgatar e compartilhar essas memórias perdidas do universo pop.
Onde Encontrar Mais Curiosidades Pop Nipônicas
A série Curiosidade Pop Nipônica Aleatória se dedica a explorar diversos aspectos da cultura pop japonesa, incluindo animes, mangás, games, música e tokusatsu. Os conteúdos são apresentados em formatos curtos e dinâmicos, disponíveis nos Shorts do canal do YouTube do JBox, além das plataformas Instagram e TikTok.
A cada dez curiosidades apresentadas, um formato compilado é lançado no YouTube, oferecendo um conteúdo mais aprofundado e reunido. Essa iniciativa busca manter os fãs atualizados e engajados com as novidades e os fatos menos conhecidos do universo nipônico.
O caso do jogo perdido de Bucky é apenas um exemplo do vasto conteúdo que a série explora, mostrando que sempre há novas histórias e segredos a serem descobertos no fascinante mundo da cultura pop japonesa. Até a próxima aleatoriedade!