O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, fez uma denúncia contundente nesta quinta-feira (29) sobre uma série de ataques direcionados a profissionais e instalações de saúde no Irã. Os incidentes ocorreram em meio à repressão das recentes manifestações em curso no país persa, gerando preocupação global sobre a neutralidade da assistência médica.
Essas ações, que incluem violência em hospitais e a detenção de médicos, teriam impedido o acesso de pessoas feridas a cuidados médicos cruciais, exacerbando uma crise humanitária já delicada. A OMS conseguiu confirmar ataques em hospitais como o Khomeini, em Ilam, e o Sina, em Teerã, evidenciando uma escalada da violência contra o setor vital.
A organização também reportou danos a postos de emergência pré-hospitalar, paramédicos feridos e ambulâncias danificadas, com Tedros Adhanom clamando pela libertação de profissionais de saúde detidos e pela proteção incondicional das unidades médicas, conforme informações divulgadas pelo diretor-geral em postagem na rede social X.
Contexto da Denúncia da OMS e a Situação de Conflito no Irã
A denúncia de Tedros Adhanom, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, chega em um momento de intensa tensão e repressão no Irã. As manifestações, que se espalharam por diversas cidades do país, têm sido alvo de uma resposta enérgica por parte das autoridades, com relatos de violência e uso de força contra os manifestantes. Nesse cenário complexo, a proteção da saúde e o acesso a cuidados médicos tornam-se ainda mais críticos e, ao mesmo tempo, vulneráveis.
A OMS, como principal agência de saúde da Organização das Nações Unidas (ONU), tem o mandato de promover a saúde, garantir a segurança global e servir os vulneráveis. A manifestação de seu diretor-geral na plataforma X (anteriormente Twitter) destaca a gravidade da situação, utilizando um canal direto para alertar a comunidade internacional sobre as violações que estão ocorrendo no terreno. A postagem não é apenas um alerta, mas um apelo direto por ação e respeito aos princípios humanitários.
A intervenção da OMS sublinha a importância da neutralidade médica, um princípio fundamental do direito internacional humanitário que garante que instalações de saúde, profissionais e pacientes sejam protegidos em todas as circunstâncias, mesmo em tempos de conflito ou agitação civil. Quando esses princípios são violados, a capacidade de qualquer sistema de saúde de operar eficazmente é comprometida, e a vida de milhares de civis pode ser colocada em risco direto.
Casos Confirmados de Violência Contra Hospitais e a Interrupção de Serviços Essenciais
A denúncia da OMS não se baseia apenas em relatos genéricos, mas em casos específicos que foram confirmados pela organização. Um dos incidentes de maior destaque ocorreu no Hospital Khomeini, localizado na cidade de Ilam, no oeste do Irã, no início de janeiro. Segundo Tedros Adhanom, foram registrados atos de violência dentro e ao redor da unidade de saúde.
Essa violência se intensificou após a transferência de pessoas feridas para o hospital, sugerindo que as instalações médicas estavam sendo visadas ou impactadas diretamente pela repressão. A consequência imediata foi a interrupção e o comprometimento dos serviços médicos e do fornecimento de insumos essenciais. Em um ambiente de crise, a paralisação de um hospital pode ter efeitos devastadores, privando os feridos de tratamento vital e sobrecarregando ainda mais um sistema já fragilizado.
Outro caso preocupante confirmado pela OMS foi no Hospital Sina, situado na capital, Teerã. Neste local, houve o registro de uso de gás lacrimogêneo, uma tática de controle de multidões que, quando empregada em ambientes fechados como hospitais, pode causar sérios problemas respiratórios e exacerbar condições de saúde preexistentes em pacientes e profissionais. A utilização de tais agentes dentro ou nas imediações de uma unidade de saúde é uma violação clara da proteção devida a esses espaços.
A confirmação desses incidentes pela OMS, a partir de relatos verificados, confere peso e credibilidade à denúncia, transformando-a de mera acusação em um registro factual de violações. Essa validação é crucial para mobilizar a atenção internacional e pressionar por mudanças, garantindo que a assistência médica possa ser prestada sem medo de retaliação ou interferência.
Agressões e Detenções de Profissionais de Saúde: Um Ataque à Ética Médica
Além dos ataques diretos às instalações, a OMS manifestou profunda preocupação com as denúncias de agressões a trabalhadores da saúde e, ainda mais grave, com a detenção de pelo menos cinco médicos pelo regime islâmico enquanto atendiam pacientes feridos no Irã. Essa situação representa uma afronta direta aos princípios humanitários e à ética médica, que exige que os profissionais de saúde possam exercer suas funções sem medo de perseguição.
A agressão e detenção de médicos e outros profissionais da saúde são táticas que visam intimidar e impedir o tratamento de pessoas que participaram de manifestações, ou mesmo de civis que foram pegos no fogo cruzado. Ao remover esses profissionais de suas funções, não apenas se nega tratamento a indivíduos, mas também se envia uma mensagem intimidadora a todos os outros que poderiam oferecer ajuda, criando um ambiente de medo e desconfiança.
Tedros Adhanom foi enfático em seu apelo: “Peço a libertação de qualquer profissional de saúde detido. O pessoal de saúde nunca deveria sofrer intimidações”. Essa declaração ressalta o papel inviolável dos trabalhadores da saúde, que são obrigados por seu juramento a tratar todos os pacientes, independentemente de suas origens, afiliações ou das circunstâncias de seus ferimentos. A intimidação e detenção de médicos violam esse juramento e os direitos humanos fundamentais.
A privação de liberdade de profissionais que estão simplesmente cumprindo seu dever humanitário tem um efeito cascata. Diminui o número de pessoas qualificadas para prestar assistência, aumenta a carga sobre os que restam e, em última instância, enfraquece a capacidade do sistema de saúde de responder a emergências. É um ataque não só aos indivíduos, mas à estrutura moral e operacional da saúde pública.
Impacto Generalizado na Infraestrutura de Emergência e Resposta Rápida
A crise no Irã, conforme detalhado pela OMS, vai muito além de hospitais específicos e da detenção de médicos. A organização informou ter identificado danos significativos em diversas outras instalações médicas, com um foco particular na infraestrutura de emergência pré-hospitalar. Essa é a primeira linha de resposta em qualquer crise, responsável por estabilizar pacientes no local e transportá-los para unidades de tratamento.
Segundo a OMS, ao menos dez postos de emergência pré-hospitalar foram diretamente afetados pelas ações repressivas. Esses postos são vitais para o atendimento rápido e eficaz, especialmente em situações de grandes aglomerações e confrontos. O comprometimento dessas unidades significa que o tempo de resposta a emergências aumenta, e a capacidade de salvar vidas em momentos críticos é severamente reduzida.
Os números apresentados pela organização são alarmantes: mais de 50 paramédicos foram feridos e cerca de 200 ambulâncias foram danificadas nas últimas semanas. Paramédicos são profissionais essenciais que atuam sob grande pressão, muitas vezes em cenários perigosos. Ferimentos a esses trabalhadores não apenas os afastam de suas funções, mas também desmoralizam a equipe e colocam em risco a vida de outros que necessitam de transporte urgente.
Ambulâncias danificadas representam uma perda crítica de recursos. Em uma crise, cada veículo é fundamental para o transporte de feridos e doentes. A inoperância de 200 ambulâncias significa que centenas de pacientes podem não conseguir chegar a um hospital a tempo, ou que o transporte de insumos vitais é comprometido. Isso demonstra um ataque sistemático e generalizado à capacidade do Irã de fornecer assistência médica de emergência, com consequências diretas para a população civil.
O Apelo Urgente da OMS Pela Proteção da Saúde e a Neutralidade Médica
Diante da gravidade da situação, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, fez um apelo veemente à proteção das unidades médicas e dos profissionais de saúde. Sua mensagem reforça o princípio inalienável da neutralidade médica, que dita que hospitais, clínicas, ambulâncias e equipes de saúde devem ser considerados zonas de paz, protegidas de ataques e interferências, mesmo em contextos de conflito armado ou agitação civil.
“É fundamental que os centros de saúde sejam protegidos e possam prestar serviços essenciais sem obstáculos, especialmente em tempos de crise”, declarou Tedros. Essa afirmação não é apenas um desejo, mas um requisito do direito internacional humanitário. A assistência médica é um direito humano fundamental e não deve ser condicionada por circunstâncias políticas ou de segurança. A capacidade de hospitais operarem livremente é a base para a salvaguarda da vida humana em qualquer cenário de emergência.
O chefe da agência da ONU reiterou que a assistência médica “não deve ser alvo de violência”. Isso significa que qualquer ataque deliberado contra instalações de saúde, profissionais ou pacientes é uma violação grave das leis e convenções internacionais. A violência contra o setor de saúde não apenas impede o tratamento imediato de feridos, mas também mina a confiança da população no sistema, dificultando futuras ações de saúde pública.
A OMS, ao fazer este apelo, busca não apenas a cessação imediata dos ataques, mas também o estabelecimento de garantias para que tais incidentes não se repitam. A proteção da saúde é uma responsabilidade compartilhada e exige o compromisso de todas as partes envolvidas em um conflito para respeitar e preservar a integridade dos serviços médicos e de seus trabalhadores.
Pressão Sobre o Sistema de Saúde Iraniano em Meio à Crise Social
Os ataques e a repressão denunciados pela OMS exercem uma pressão imensa e insustentável sobre o já sobrecarregado sistema de saúde do Irã. Em tempos de manifestações e agitação social, a demanda por serviços médicos de emergência aumenta exponencialmente, com um número maior de feridos necessitando de atendimento urgente. No entanto, a capacidade de resposta é severamente comprometida quando as próprias infraestruturas são alvo de violência.
A interrupção de serviços, a destruição de equipamentos, a inoperância de ambulâncias e a detenção de profissionais de saúde criam um gargalo crítico. Hospitais que deveriam ser refúgios para os feridos tornam-se locais de risco, forçando equipes a operar em condições de medo e insegurança. Essa situação não apenas dificulta o tratamento de ferimentos relacionados aos protestos, mas também afeta a capacidade do sistema de lidar com outras emergências médicas e doenças rotineiras.
A escassez de insumos, a sobrecarga de trabalho para o pessoal restante e a desmoralização das equipes de saúde são consequências diretas dessa pressão. Um sistema de saúde sob ataque perde sua eficácia e sua capacidade de manter a saúde pública em geral. Pacientes com doenças crônicas, mulheres grávidas, crianças e idosos, que dependem de serviços contínuos, também sofrem as consequências indiretas da desorganização e do colapso parcial do sistema.
A crise social e política no Irã, portanto, não é apenas uma questão de direitos civis, mas também de saúde pública. A OMS, ao destacar essa pressão, enfatiza que a proteção da saúde é um componente inseparável da estabilidade e do bem-estar de qualquer nação, e que sua falha em tempos de crise pode ter ramificações de longo alcance para toda a sociedade.
Consequências Humanitárias e o Futuro da Assistência no Irã
As denúncias da Organização Mundial da Saúde sobre os ataques a hospitais e profissionais de saúde no Irã apontam para graves consequências humanitárias. A interrupção de serviços médicos essenciais em um momento de alta demanda significa que um número significativo de pessoas feridas, ou mesmo aquelas com outras necessidades médicas urgentes, pode não receber o tratamento adequado, resultando em deficiências permanentes ou, em casos mais trágicos, na perda de vidas que poderiam ser salvas.
A intimidação e a detenção de médicos e paramédicos não apenas privam a população de cuidados imediatos, mas também minam a confiança no sistema de saúde e nos princípios que o regem. Quando os profissionais de saúde são vistos como alvos, o medo pode afastar tanto os pacientes que precisam de ajuda quanto os próprios trabalhadores da linha de frente, criando um ciclo vicioso de desassistência e sofrimento.
O futuro da assistência médica no Irã, se essa tendência persistir, é preocupante. A deterioração da infraestrutura de saúde, aliada à desmoralização e à fuga de cérebros de profissionais qualificados, pode levar anos para ser revertida. A capacidade do país de responder a futuras crises de saúde, sejam elas epidemias, desastres naturais ou novas agitações sociais, seria gravemente comprometida, afetando gerações.
A OMS, ao tornar pública essa denúncia e ao clamar pela libertação dos detidos e pela proteção das unidades, busca mobilizar a comunidade internacional para exercer pressão sobre as autoridades iranianas. O objetivo é reafirmar que a saúde é um direito universal e que a assistência médica deve ser sempre um santuário, livre de violência e interferência política, garantindo que a humanidade prevaleça mesmo nos momentos mais difíceis de uma nação.