A comunidade internacional foi alertada sobre os riscos à segurança global após a recente operação dos Estados Unidos para a captura de Nicolás Maduro, ex-ditador venezuelano. A Organização das Nações Unidas (ONU), por meio de seu Alto Comissariado para os Direitos Humanos (ACNUDH), expressou profunda preocupação com a ação.
A porta-voz Ravina Shamdasani declarou que a intervenção militar unilateral, que resultou na detenção de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, na Venezuela, torna o mundo “menos seguro”. Essa posição ressalta uma complexa discussão sobre soberania, direito internacional e a busca por justiça.
Apesar do histórico de violações de direitos humanos atribuído ao regime chavista, a ONU argumenta que a forma como a captura de Maduro foi conduzida representa um precedente perigoso. Os detalhes foram divulgados em um comunicado do ACNUDH.
Críticas da ONU à Intervenção dos EUA e seus Impactos na Segurança Global
Ravina Shamdasani, porta-voz do ACNUDH, afirmou em Genebra que a ação dos Estados Unidos tornou “todos os Estados menos seguros em todo o mundo”. Ela enfatizou que o “longo e deplorável histórico” de violações dos direitos humanos do regime de Maduro não serve de justificativa para a operação militar que culminou na captura de Maduro.
A porta-voz foi categórica ao declarar que “a responsabilização por violações dos direitos humanos não pode ser alcançada por meio de intervenção militar unilateral em violação do direito internacional”. Esta intervenção é vista como um ataque à soberania venezuelana e à Carta da ONU.
Shamdasani acrescentou que, “longe de ser uma vitória para os direitos humanos, esta intervenção militar, que contraria a soberania venezuelana e a Carta da ONU, prejudica a arquitetura da segurança internacional”. A posição do Alto Comissariado é clara: a operação militar do governo Donald Trump viola princípios fundamentais do direito internacional.
Isso inclui o princípio de que “os Estados não devem ameaçar ou usar a força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado”, conforme destacou a porta-voz da ONU, sublinhando a gravidade da ação na perspectiva da organização.
Violações de Direitos Humanos na Venezuela e a Busca por Justiça
Apesar das críticas à forma como a captura de Maduro foi realizada, Shamdasani não ignorou os crimes cometidos pela ditadura chavista. Ela afirmou que os direitos do povo venezuelano “têm sido violados há muito tempo” e que a população “merece responsabilização [dos perpetradores] por meio de um processo justo e centrado nas vítimas”.
A porta-voz também mencionou a disposição do ACNUDH para dialogar com a gestão Trump a respeito do restabelecimento do escritório da agência na Venezuela. A organização foi expulsa do país em fevereiro de 2024, evidenciando a tensão nas relações com o regime.
Essa abertura para conversas mostra um esforço em buscar soluções que respeitem o direito internacional, mesmo diante de um cenário complexo e de graves violações de direitos humanos dentro da Venezuela.
Detalhes da Captura e as Acusações de Narcoterrorismo contra Maduro e Flores
Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados na Venezuela em uma operação militar dos Estados Unidos no sábado, dia 3. Na segunda-feira, dia 5, eles se declararam inocentes das acusações a que respondem na Justiça federal americana, em uma audiência em um tribunal de Nova York.
Maduro é acusado de conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, além de conspiração para posse de metralhadoras e dispositivos explosivos. Essas acusações pesam gravemente contra o ex-líder venezuelano.
Já Cilia Flores, esposa de Maduro, enfrenta acusações de conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos e conspiração para posse de metralhadoras e dispositivos explosivos. Ambos estão agora submetidos ao sistema judicial americano, em um caso de grande repercussão internacional.