A oposição brasileira intensificou sua atuação no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira, 13 de fevereiro, ao protocolar um pedido de medidas cautelares contra Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O grupo solicita a imposição de tornozeleira eletrônica e a entrega do passaporte de Lulinha às autoridades.
A ação visa prevenir uma possível fuga do país, que, segundo os parlamentares, poderia prejudicar as investigações em curso. O pedido se baseia em informações da Polícia Federal (PF) relacionadas à Operação Sem Desconto, que apura um complexo esquema de fraudes em aposentadorias e pensões.
Essa movimentação da oposição aciona o STF em um momento delicado, colocando Lulinha sob os holofotes judiciais. As informações foram divulgadas por fontes jornalísticas.
O Pedido da Oposição e os Riscos Apontados
O documento foi assinado por figuras proeminentes da oposição, incluindo o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), o senador Rogério Marinho (PL-RN), o senador Eduardo Girão (Novo-CE), e os deputados Alfredo Gaspar (União-AL), Adriana Ventura (Novo-SP) e Luiz Lima (Novo-RJ). Eles argumentam que Lulinha não pode deixar o país enquanto as investigações prosseguem.
Marcel van Hattem, um dos signatários, expressou a preocupação nas redes sociais, afirmando que “Lulinha não pode sair do país e prejudicar as investigações sobre a mesada de R$ 300 mil que a PF descobriu em mensagens de WhatsApp no celular do Careca do INSS!”. Esta declaração destaca a gravidade das acusações.
O pedido foi direcionado ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF. Os parlamentares enfatizam a existência de um “risco de fuga”, citando notícias que indicam a intenção de Fábio Luís de transferir seu domicílio para a Espanha, o que reforçaria a necessidade das medidas cautelares.
As Investigações da Operação Sem Desconto
A base para a solicitação da oposição reside nas investigações da Polícia Federal no âmbito da Operação Sem Desconto. Esta operação se concentra na apuração de um esquema de descontos indevidos que afetava aposentadorias e pensões, um tema de grande repercussão social e econômica.
Os parlamentares apontam que foram descobertos indícios da participação de Fábio Luís no esquema. Ele é citado como suposto “sócio oculto” de Antônio Carlos Camilo Antunes, amplamente conhecido como o “Careca do INSS”, figura central na investigação.
No início deste mês, a Polícia Federal já havia comunicado ao STF sua intenção de investigar menções ao nome de Lulinha em materiais colhidos durante a apuração. Isso demonstra que a conexão de Fábio Luís com o caso já estava no radar das autoridades investigativas.
Justificativa para Medidas Cautelares
O trecho do pedido dos parlamentares é claro ao justificar a urgência das medidas. Ele afirma: “Desta forma, considerando os indícios de autoria e materialidade da prática dos crimes investigados bem como a intenção pública do agente de deixar o país, o que poderia acarretar no prejuízo das investigações e a impossibilidade de eventual aplicação da lei penal, a imposição de medidas cautelares diversas da prisão é medida que se impõe”.
Além do pedido dos parlamentares, o advogado Jeffrey Chiquini, que representa Filipe Martins no STF, também solicitou a prisão preventiva de Lulinha ao ministro André Mendonça. Isso indica uma pressão crescente para que sejam tomadas ações mais severas contra o filho do presidente.
Em contraste, na semana passada, o advogado Marco Aurélio Carvalho, que já defendeu Fábio Luís, pediu ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, que investigue os vazamentos de informações sobre as investigações contra Lulinha. A dualidade de pedidos reflete a complexidade e a polarização do caso.