Slash, o Ícone do Rock, e sua Surpreendente Conexão com o Mundo das Serpentes no Instituto Butantan

Em uma tarde de 1992, em meio à rotina de pesquisas no Instituto Butantan, em São Paulo, o pesquisador Ivo Lebrun se deparou com uma figura icônica: Slash, o guitarrista do Guns N’ Roses, trajando seu característico chapéu alto e roupas escuras, observava atentamente o serpentário.

Naquela época, a banda vivia o auge de sua fama mundial com a turnê “Use Your Illusion” e, durante sua passagem pelo Brasil, Slash aproveitou a estadia em São Paulo para fazer uma visita não anunciada ao renomado centro de pesquisa de répteis.

A cena, que hoje pode parecer surreal, revela um lado pouco conhecido do músico: sua profunda paixão por cobras. A visita, que ocorreu há 34 anos, é um marco na história do instituto e na trajetória do artista, demonstrando seu genuíno interesse pela herpetologia. As informações foram divulgadas pelo próprio instituto e por relatos de quem estava presente no local.

A Visita Discreta e o Fascínio de um Astro do Rock por Répteis

A visita de Slash ao Instituto Butantan em 1992 foi marcada pela discrição e pela espontaneidade. Sem alarde, o músico, acompanhado por dois homens que possivelmente eram seguranças, circulou pelas instalações, demonstrando um interesse particular pelo serpentário e, posteriormente, pelo Museu Biológico.

Ivo Lebrun, o pesquisador que presenciou a cena, descreveu o momento como tranquilo. “Achei que conhecia aquela pessoa de algum lugar. E era justamente o guitarrista do Guns N’ Roses,” relatou Lebrun, destacando a figura imponente do músico em meio ao ambiente científico.

O interesse de Slash não era superficial. Já conhecido por ser um aficionado por serpentes, ele buscou o Butantan, uma referência mundial em serpentologia, para conhecer de perto o trabalho realizado. Registros da época indicam que o guitarrista não apenas observou os animais, mas também participou ativamente de uma demonstração de extração de veneno, procedimento crucial para a produção de soros antiofídicos.

Interesse Técnico e a Possibilidade de “Comprar Cobras”

Durante sua passagem pelo instituto, Slash demonstrou um interesse técnico notável pelo manejo e estudo dos répteis. Ele chegou a questionar sobre a possibilidade de adquirir algumas espécies, mostrando especial predileção por jiboias e pela cobra-papagaio.

O pesquisador Ivo Lebrun teve a tarefa de explicar a diferença entre as cobras mantidas em museus, destinadas à educação e difusão do conhecimento, e aquelas do biotério, utilizadas em pesquisas científicas e na produção de soros. Essa interação revelou não apenas o fascínio do músico, mas também sua busca por entender as nuances da conservação e do trabalho científico.

A trajetória de Slash com répteis vai além dessa visita. Ele é conhecido por ter sido um colecionador de serpentes, chegando a manter dezenas de animais em sua residência, com foco em jiboias (Boa constrictor) e pítons. Matérias especializadas, como as publicadas na revista Reptiles, detalham seu envolvimento com a criação e manejo dessas espécies, consolidando sua imagem como um herpetólogo amador.

A Tristeza de Slash Pelo Incêndio no Butantan em 2010

Anos após sua visita inspiradora, em 2010, Slash manifestou publicamente sua profunda tristeza e preocupação com o devastador incêndio que atingiu parte do acervo do Instituto Butantan. Através de suas redes sociais, o músico lamentou a perda de milhares de animais e materiais biológicos.

“Notícias muito trágicas sobre o Instituto Butantan em São Paulo, Brasil,” escreveu Slash em seu Twitter na época, expressando sua consternação pela perda de “85 mil cobras mortas”. Essa manifestação reforçou a sinceridade de seu apreço pelo instituto e pelo trabalho que ali era realizado.

Para aqueles que testemunharam sua visita em 1992, a preocupação do guitarrista com o destino das coleções foi vista como um reflexo genuíno de sua paixão. “Ele era muito aficionado por serpentes. Gostou muito da jibóia e da cobra-papagaio,” reiterou Ivo Lebrun, sublinhando o comportamento calmo e a discrição do músico.

A Memória de um Ícone do Rock Entre Serpentes

A memória de Ivo Lebrun sobre a visita de Slash é uma mistura do inusitado de ver um astro do rock mundial em um ambiente científico dedicado a répteis, com um profundo respeito pelo interesse e conhecimento demonstrados pelo artista.

“Foi um dia tranquilo e ele conseguiu passear pelo instituto sem problema nenhum. Aproveitou e conheceu um pouco as nossas cobras e o nosso trabalho,” relembrou o pesquisador. A imagem de um ícone da música mundial transitando entre tanques de cobras tornou-se uma recordação marcante para os funcionários do Butantan.

Lebrun também compartilhou uma observação pessoal sobre o músico, que, apesar da fama, demonstrou uma postura admirável: “Mas que o Slash é uma figura, isso é. Aliás, acho que é ele quem segura o Guns, porque ele é bom na guitarra.” Essa percepção humaniza o artista, mostrando um indivíduo com paixões e interesses que transcendem o palco.

Um Desejo de Nova Visita e a Continuidade do Legado

Embora não haja, até o momento, um pedido oficial para que Slash visite o Butantan em sua atual passagem pelo Brasil para uma série de shows, a equipe do instituto expressa um grande desejo de recebê-lo novamente.

Rodrigo Soares, assistente técnico do Butantan, compartilhou o entusiasmo e a admiração que a possibilidade de uma nova visita geraria. “Saber que um dia um ídolo do rock internacional reconhecido mundialmente esteve nas dependências do meu atual local de trabalho, uma instituição tão renomada como o Instituto Butantan, é de um enorme prazer,” afirmou Soares.

Ele acrescentou que uma nova visita seria “espetacular, um grande presente, não só para os colaboradores do Instituto Butantan, mas também para o público em geral que frequenta o nosso Parque da Ciência.” Essa declaração reflete o sentimento de orgulho e a esperança de que o músico possa reviver essa experiência enriquecedora, conectando seu legado musical com a importante missão científica do Butantan.

Slash e o Legado da Conservação de Répteis

A paixão de Slash por cobras não se limita à sua coleção particular ou a visitas a instituições como o Butantan. O músico tem um histórico de apoio à conservação de répteis, utilizando sua plataforma para conscientizar o público sobre a importância desses animais.

Seu envolvimento com a herpetologia é um testemunho de como os interesses pessoais podem se alinhar com causas maiores, como a preservação da biodiversidade. A história de sua visita ao Butantan, portanto, é mais do que um simples encontro entre um músico famoso e um centro de pesquisa; é um lembrete da conexão que diferentes áreas do conhecimento e da cultura podem estabelecer.

O interesse de Slash em espécies como a jiboia e a cobra-papagaio, e sua participação ativa em demonstrações científicas, mostram um compromisso que vai além do hobby. Ele se tornou, de certa forma, um embaixador informal da herpetologia, inspirando outros a olhar para esses animais com mais respeito e curiosidade.

O Futuro e a Esperança de um Novo Encontro no Butantan

Enquanto o Guns N’ Roses percorre o Brasil com sua turnê atual, a esperança de uma nova visita de Slash ao Instituto Butantan permanece viva entre os seus admiradores e colaboradores.

A possibilidade de reviver aquele momento de 1992, quando um ícone do rock demonstrou seu amor por cobras em um dos mais importantes centros de pesquisa do mundo, seria um evento marcante. A experiência de Slash no Butantan, tanto em sua visita quanto em sua preocupação posterior com o incêndio, solidifica sua conexão com a instituição.

O Instituto Butantan, por sua vez, continua seu trabalho incansável na pesquisa, produção de soros e educação ambiental, sempre aberto a receber visitantes que, como Slash, demonstram um genuíno interesse pelo fascinante mundo dos répteis e pela ciência que os estuda.

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