Papa Leão XIV Condena ‘Zelo Mundial pela Guerra’ e Pede Respeito aos Direitos Humanos na Venezuela em Discurso Incisivo no Vaticano
O Papa Leão XIV, o primeiro pontífice dos Estados Unidos, fez um discurso anual de política externa excepcionalmente direto nesta sexta-feira (9), condenando veementemente o uso da força militar para alcançar objetivos diplomáticos e alertando sobre um crescente “zelo mundial pela guerra”. A declaração, proferida para cerca de 184 embaixadores credenciados no Vaticano, marcou um tom mais incisivo do que o observado em seus primeiros meses de papado.
O pontífice expressou profunda preocupação com a fragilidade das organizações internacionais diante de conflitos globais, enfatizando que uma diplomacia baseada no diálogo e consenso está sendo substituída por uma abordagem fundamentada na força. Sua fala abordou diversas questões críticas, desde a situação na Venezuela até a liberdade de expressão no Ocidente.
Este foi o primeiro discurso do tipo, frequentemente chamado de “estado do mundo”, proferido por Leão XIV desde sua eleição após a morte do Papa Francisco, conforme informações da fonte.
A Crítica à Diplomacia da Força e o “Fervor Bélico”
Em sua forte manifestação, o Papa Leão XIV afirmou que “a guerra voltou à moda e um fervor bélico está se espalhando”, uma dura crítica à atual conjuntura geopolítica. Ele sublinhou que a busca por soluções militares em detrimento do diálogo representa um retrocesso significativo nas relações internacionais, minando a estabilidade e a paz.
Para o pontífice, a substituição da diplomacia consensual pela força é um caminho perigoso que compromete a capacidade das nações de resolverem suas divergências de forma pacífica. Essa visão ressalta a importância de fortalecer as instituições multilaterais e os mecanismos de negociação.
Apelo por Direitos Humanos na Venezuela
O discurso do Papa Leão XIV também incluiu um apelo direto em relação à Venezuela, especialmente após a captura do ditador Nicolás Maduro por forças americanas no último fim de semana. O pontífice pediu que os governos mundiais “respeitem a vontade” do povo venezuelano, destacando a necessidade de salvaguardar seus direitos humanos e civis.
A menção explícita à Venezuela sublinha a preocupação do Vaticano com a situação política e social do país, bem como com o impacto de intervenções externas. Os embaixadores dos Estados Unidos e da Venezuela na Santa Sé estavam presentes, testemunhando o posicionamento do Papa sobre a crise venezuelana.
Um Papado com Tom Mais Incisivo
Conhecido anteriormente como cardeal Robert Prevost, o Papa Leão XIV, que serviu como missionário no Peru por décadas, demonstrou um tom mais moderado nos primeiros oito meses de seu papado. Contudo, seu discurso de 43 minutos nesta sexta-feira revelou uma postura mais incisiva, distanciando-se do estilo mais espontâneo de seu antecessor, Papa Francisco.
Embora já tenha criticado políticas do presidente Donald Trump relacionadas à imigração, o pontífice não o mencionou nominalmente em seu discurso. A mudança de tom sugere uma intenção de abordar questões globais com maior firmeza e clareza, reforçando a voz do Vaticano no cenário internacional.
Preocupações com Liberdade de Expressão e Discriminação
Além das críticas aos conflitos, o Papa Leão XIV condenou firmemente práticas como aborto, eutanásia e barriga de aluguel. Ele também alertou que a liberdade de expressão está “diminuindo rapidamente” nos países ocidentais, um ponto de particular preocupação para a Santa Sé.
O pontífice descreveu o desenvolvimento de uma “nova linguagem ao estilo orwelliano que, na tentativa de ser cada vez mais inclusiva, acaba excluindo aqueles que não se conformam às ideologias que a alimentam”. Leão XIV também apontou o que chamou de “uma forma sutil de discriminação religiosa” sofrida pelos cristãos na Europa e nas Américas, reiterando a defesa da liberdade de crença e expressão.