O cenário político e comercial global vive um momento de alta tensão, com o Parlamento Europeu defendendo a suspensão de um crucial acordo comercial com os Estados Unidos. A decisão vem em resposta às recentes ameaças do ex-presidente americano Donald Trump, que prometeu impor tarifas sobre países europeus.
As ameaças de Trump estão diretamente ligadas à sua intenção de adquirir a Groenlândia, gerando preocupação e uma forte reação entre os líderes europeus. Esta postura dos Estados Unidos é vista como uma coerção econômica, desafiando a soberania e os interesses do bloco.
A mobilização das maiores bancadas parlamentares europeias sinaliza uma frente unida contra o que consideram uma agressão. A votação oficial do Parlamento Europeu sobre o acordo UE-EUA está agendada para esta quarta-feira, 21 de fevereiro, em Estrasburgo, na França, conforme informações divulgadas.
Europa Unida Contra Coerção: O Posicionamento do Parlamento Europeu
Durante uma sessão recente no Parlamento Europeu, Iratxe García, líder do grupo político S&D (Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas), a segunda maior bancada, reforçou a defesa pela suspensão das negociações do acordo comercial UE-EUA. As negociações estavam previstas para a próxima semana.
García também fez um apelo para a ativação do Instrumento Anticoerção, uma medida que permitiria à União Europeia retaliar economicamente. Ela enfatizou a necessidade de uma resposta concreta para proteger a integridade territorial da Groenlândia, um território dinamarquês.
A líder do S&D destacou o apoio do PPE (Partido Popular Europeu), o maior grupo do Parlamento, ressaltando a unidade. “No que diz respeito ao comércio, a Europa tem poder econômico e comercial e deve usá-lo”, declarou García.
Ela acrescentou que a União Europeia deve demonstrar uma maioria que defende os interesses econômicos e comerciais internos. “Saúdo os grupos, como o PPE, que não eram a favor da suspensão destas negociações e que, agora, compreenderam que esta é a coisa certa a fazer”, afirmou Iratxe García, mostrando o consenso crescente.
A Reviravolta do PPE: De Favorável a Crítico das Negociações
O apoio do PPE à suspensão das negociações representa uma reviravolta significativa. Anteriormente, o partido era favorável ao acordo comercial UE-EUA. Contudo, as recentes ameaças de Donald Trump alteraram o cenário.
No sábado, 17 de fevereiro, Manfred Weber, líder do PPE, já havia se pronunciado sobre as declarações de Trump. Ele usou a plataforma X para expressar a nova posição do grupo, evidenciando a mudança de postura do Parlamento Europeu.
“O PPE é favorável ao acordo comercial UE-EUA, mas, dadas as ameaças de Donald Trump em relação à Groenlândia, a aprovação não é possível nesta fase. As tarifas de 0% sobre os produtos americanos devem ser suspensas”, escreveu Weber, traduzindo sua mensagem original para o português.
Groenlândia no Centro da Disputa: As Ameaças de Trump e as Tarifas Anunciadas
A crise se intensificou após Donald Trump anunciar, também no sábado, uma tarifa de 10% contra países que enviaram tropas à Groenlândia para exercícios militares na Operação Arctic Endurance. A medida veio depois de o republicano ameaçar anexar a ilha, um território da Dinamarca.
Os países membros da OTAN que serão afetados pelas tarifas incluem Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia. De acordo com uma publicação de Trump na rede social Truth Social, as taxações começarão em 1º de fevereiro, com o valor subindo para 25% a partir de junho.
Trump deixou claro que as tarifas serão cobradas até que um acordo seja firmado para a compra total da Groenlândia. Essa postura unilateral provocou uma onda de indignação e a forte reação do Parlamento Europeu, que vê a medida como uma forma de coerção econômica.
Em resposta a essa escalada, a União Europeia pode retaliar os EUA com um pacote de tarifas no valor de 93 bilhões de euros, aproximadamente 107,68 bilhões de dólares. Além disso, o bloco europeu pode restringir a entrada de empresas norte-americanas em seu mercado, caso não haja um acordo sobre as tarifas.
Mercosul como Alternativa Estratégica: Uma Resposta ao Unilateralismo Americano
Diante da postura de Donald Trump, a líder do S&D, Iratxe García, afirmou que a Europa deve buscar mais áreas de colaboração, apoio e entendimento com outras regiões globais. O objetivo é fortalecer o multilateralismo e a democracia.
García citou o acordo com o Mercosul, assinado em Assunção, no Paraguai, no sábado (17), como um exemplo crucial. Ela reforçou a importância dessa parceria entre os dois blocos, vendo-a como uma resposta estratégica ao unilateralismo americano.
“É por isso que o Mercosul é, agora, mais importante do que nunca. O Mercosul é a melhor resposta à Doutrina Monroe de Donald Trump, que defende uma América para os americanos”, argumentou Iratxe García, destacando a importância de alianças que defendam a cooperação global.