A ascensão da judicialização: partidos levam derrotas do Congresso ao STF
A relação entre o Poder Legislativo e o Poder Judiciário no Brasil tem sido marcada por uma crescente tensão, impulsionada pela prática de partidos políticos de recorrerem ao Supremo Tribunal Federal (STF) para reverter derrotas obtidas no Congresso Nacional. Essa abordagem, que se torna cada vez mais comum, tem o efeito de transferir mais poder e influência para os ministros da Corte, resultando em um cenário onde o Judiciário avança sobre as competências tradicionais de outros Poderes, principalmente o Legislativo.
Esse movimento de judicialização de temas políticos, que deveriam ser resolvidos no âmbito do debate parlamentar, tem sido observado em diversas ocasiões recentes. Partidos de diferentes espectros ideológicos utilizam ferramentas jurídicas, como mandados de segurança e ações de inconstitucionalidade, para questionar projetos de lei e decisões legislativas que não lhes foram favoráveis.
A consequência direta é o agravamento de uma crise institucional já existente, com o STF sendo constantemente provocado a atuar como uma instância revisora das deliberações do Congresso. Este panorama desafia a clássica separação dos Poderes e levanta preocupações sobre a concentração de decisões importantes nas mãos de uma pequena parcela de magistrados não eleitos, conforme informações divulgadas pela fonte.
O caso do PL da Dosimetria e a antecipação da judicialização
Um dos exemplos mais recentes dessa estratégia envolve o Projeto de Lei da Dosimetria, que visa à redução das penas para réus do 8 de janeiro. Mesmo antes da votação da proposta, no final do ano passado, parlamentares do Partido dos Trabalhadores (PT) já sinalizavam abertamente a intenção de recorrer ao Supremo Tribunal Federal caso o projeto fosse aprovado no Congresso Nacional. Essa antecipação da judicialização demonstra a confiança dos partidos na capacidade do STF de intervir em processos legislativos.
De fato, quatro partidos de esquerda – PT, PSB, PcdoB e PSOL – ingressaram com um mandado de segurança no STF. O objetivo era solicitar a suspensão da tramitação do PL da Dosimetria, que havia sido aprovado pelo Senado Federal em 17 de dezembro. Embora o projeto tenha sido vetado pelo presidente Lula em 8 de janeiro, a possibilidade de derrubada do veto no início do ano legislativo mantém a questão em aberto e a ameaça de nova intervenção judicial pairando sobre o Congresso.
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) expressou publicamente essa intenção antes mesmo da votação, afirmando que,