Cacau Global: A Montanha-Russa de Preços Que Afetou os Ovos de Chocolate de Páscoa
O mercado global de cacau, após atravessar um dos períodos mais turbulentos de sua história recente, começa a mostrar sinais de estabilização que podem refletir positivamente nos preços dos ovos de Páscoa em 2026. A combinação entre oscilação de preços sem precedentes, uma queda global da demanda e uma oferta que lentamente se recompõe mantém produtores, indústrias e investidores em um compasso de espera, monitorando cada movimento do mercado.
A crise de preços, que elevou o valor da tonelada de cacau a patamares históricos, forçou a indústria de chocolate a adotar estratégias de sobrevivência, incluindo a redução do tamanho dos produtos e, em alguns casos, a alteração de suas fórmulas. Essas medidas visavam mitigar o impacto nos custos de produção e, consequentemente, nos preços ao consumidor, que sentiu diretamente o peso da inflação nos doces.
Agora, com o cenário apontando para uma melhora gradual nos custos da matéria-prima, há uma perspectiva de que a Páscoa de 2026 possa ser um pouco mais acessível. Contudo, especialistas alertam que, embora os preços tendam a ser mais doces do que nos picos da crise, um retorno aos valores pré-2023 ainda é improvável. As informações são de Fernanda Pressinott, editora do CNN Agro, que detalhou o panorama no Live CNN.
A Crise Sem Precedentes no Mercado de Cacau e Suas Raízes Profundas
O ano de 2023 ficará marcado na história do mercado de commodities como um período de extrema volatilidade para o cacau. Em um movimento que pegou de surpresa grande parte do setor, o preço da tonelada de cacau na bolsa triplicou, saltando de uma média de 4 mil dólares para impressionantes 13 mil dólares. Essa escalada vertiginosa representou um desafio colossal para toda a cadeia produtiva do chocolate, desde os agricultores até os fabricantes de produtos finais.
A principal causa dessa alta expressiva foi atribuída a severas quebras na produção, concentradas nos principais países produtores do continente africano. Nomes como Gana, Costa do Marfim e Camarões, que juntos são responsáveis por cerca de 70% de toda a produção mundial de cacau, enfrentaram condições climáticas adversas, problemas fitossanitários e outros fatores que comprometeram significativamente suas colheitas. Essa escassez repentina de matéria-prima gerou uma pressão de oferta sem precedentes, impulsionando os preços a níveis nunca antes vistos.
A dependência global de tão poucas regiões produtoras expôs a vulnerabilidade do mercado. Qualquer intercorrência nesses países tem o potencial de desestabilizar todo o suprimento mundial, como foi dolorosamente comprovado. A crise não foi apenas um ajuste de mercado, mas uma ruptura que exigiu respostas rápidas e, muitas vezes, dolorosas, por parte da indústria, impactando a disponibilidade e o custo do chocolate em todo o planeta.
O Brasil no Cenário Global do Cacau: Uma Produção de Nicho e Alta Qualidade
Em um passado não tão distante, o Brasil ocupou uma posição de grande destaque como um dos maiores produtores e exportadores de cacau do mundo. A rica história cacaueira do país, especialmente na Bahia, moldou economias regionais e contribuiu significativamente para o abastecimento global. No entanto, ao longo das últimas décadas, a dinâmica mudou, e a produção brasileira, embora ainda relevante, adaptou-se a um novo perfil.
Atualmente, conforme explicou Fernanda Pressinott, o Brasil não é mais um