A Captura da Falsa Pastora: Prisão em Manaus Desvenda Esquema de Extorsão no Pará

Uma mulher, que se apresentava como pastora evangélica, foi presa preventivamente nesta segunda-feira (2) em Manaus, no Amazonas, sob a acusação de extorquir mais de R$ 57 mil de duas idosas no estado do Pará. A suspeita é investigada por explorar a fé, a vulnerabilidade emocional e a condição financeira das vítimas, exigindo sucessivos repasses em dinheiro sob falsos pretextos.

A operação que resultou na prisão foi conduzida pela Polícia Civil do Pará, por meio da Delegacia de Proteção à Pessoa Idosa (DPPID), contando com o apoio essencial do Grupo de Trabalho de Vulneráveis (GTV/NIP) e da Polícia Civil do Amazonas (PCAM). A mulher estava foragida no estado vizinho, indicando uma tentativa de evadir-se da justiça após a descoberta dos crimes.

As informações divulgadas pela Polícia Civil do Pará detalham um esquema sofisticado de manipulação, onde a acusada se valia de sua posição de liderança religiosa para estabelecer uma relação de confiança com as vítimas, que posteriormente seria brutalmente explorada para ganho financeiro ilícito.

O Perfil das Vítimas: Fé, Vulnerabilidade e Baixa Escolaridade no Centro do Golpe

As investigações revelaram que os crimes foram praticados contra duas idosas paraenses, de 79 e 87 anos, ambas evangélicas e com baixa escolaridade. Este perfil das vítimas é crucial para entender a profundidade da exploração, pois a combinação de fé, idade avançada e menor acesso à informação as tornava particularmente suscetíveis à manipulação.

A vulnerabilidade emocional e a confiança depositada na figura religiosa foram os pilares que a suspeita utilizou para construir seu esquema. Em comunidades onde a fé desempenha um papel central na vida cotidiana, líderes religiosos frequentemente gozam de grande respeito e autoridade moral, características que foram perversamente subvertidas neste caso para fins criminosos.

A baixa escolaridade das idosas também pode ter contribuído para a dificuldade em discernir a fraude, tornando-as mais dependentes das orientações e “revelações” da suposta pastora. Essa dependência, aliada ao medo de retribuições espirituais, criou um ambiente propício para a extorsão continuada.

A Teia da Manipulação: Como a Liderança Religiosa Foi Usada para Extorquir

O modus operandi da mulher consistia em aproveitar-se de sua posição de liderança religiosa para estabelecer uma relação de confiança com as vítimas. A partir daí, ela passou a exigir sucessivas transferências bancárias, alegando uma necessidade financeira urgente e forjada.

A principal desculpa utilizada pela acusada era a de que precisava ajudar financeiramente um suposto noivo estrangeiro, que estaria preso pela Polícia Federal. Esta narrativa, embora fantasiosa, era apresentada com tal convicção que as idosas, movidas pela compaixão e pela crença na palavra de sua líder espiritual, se sentiam compelidas a ceder.

A exploração da fé neste contexto transcende o mero golpe financeiro, configurando um abuso de confiança de proporções graves. A figura do líder religioso, que deveria ser um pilar de apoio e orientação, foi transformada em um instrumento de coerção e enriquecimento ilícito, traindo a essência da espiritualidade e da comunidade.

Ameaças Espirituais e Constrangimento: “Fogo do Inferno” Como Ferramenta de Coerção

Um dos aspectos mais cruéis do esquema era a utilização de manipulação emocional e ameaças espirituais para constranger as idosas. Segundo a delegada Caroline Batista, titular da DPPID, a investigada exercia um controle psicológico sobre as vítimas, explorando deliberadamente sua fé e idade avançada.

“Ela afirmava que as idosas ‘queimariam no fogo do inferno’ e que ‘não entrariam no reino dos céus’ caso não realizassem as contribuições financeiras exigidas. Dessa forma, mantinha controle emocional sobre elas, explorando deliberadamente sua fé, idade avançada e condição de vulnerabilidade”, explicou a delegada.

Essas ameaças, proferidas por alguém em quem as vítimas confiavam plenamente como guia espiritual, causavam um profundo terror e angústia. O medo de uma condenação eterna era um fardo insuportável para as idosas, que se viam sem alternativa a não ser obedecer às exigências financeiras, acreditando que estavam garantindo sua salvação.

O Dano Financeiro e as Consequências Devastadoras para as Idosas

As vítimas realizaram diversas transferências via PIX para contas de titularidade da suspeita, resultando em um prejuízo financeiro considerável. A idosa de 79 anos repassou cerca de R$ 32 mil, enquanto a de 87 anos transferiu aproximadamente R$ 25 mil. Juntos, os valores somam R$ 57 mil, ultrapassando o montante inicial de

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