Desconfiança em Urnas Eletrônicas: Metade do Brasil Questiona a Segurança do Voto
Uma pesquisa recente divulgada neste domingo (15) aponta que 43% dos brasileiros expressam desconfiança em relação às urnas eletrônicas, o sistema utilizado para registrar votos no país. Apenas um pouco mais da metade da população, 53%, afirma confiar na segurança e na integridade do processo de votação eletrônica. O levantamento, conduzido pela Genial/Quaest, revela um cenário de divisão na percepção pública sobre a confiabilidade das urnas, levantando debates importantes sobre a transparência e a segurança do sistema eleitoral brasileiro.
Os dados indicam que 1% dos entrevistados não manifestou concordância nem discordância, enquanto outros 3% optaram por não responder à pergunta sobre a confiabilidade das urnas. Essa fragmentação na opinião pública sinaliza a necessidade de um diálogo mais aprofundado e de ações que possam reforçar a confiança da população no processo democrático. A pesquisa foi realizada entre os dias 5 e 9 de fevereiro de 2026, entrevistando 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 120 municípios, com margem de erro de 2 pontos percentuais e índice de confiabilidade de 95%.
As divergências na confiança nas urnas eletrônicas se manifestam de forma notável quando analisadas por recortes regionais, religiosos e ideológicos. Esses dados, divulgados em um momento crucial para o debate democrático, oferecem um panorama detalhado das percepções dos brasileiros sobre um dos pilares da sua soberania: o direito ao voto seguro e confiável, conforme informações divulgadas pela Genial/Quaest.
Análise Regional: Nordeste Lidera Confiança, Sul Empata e Centro-Oeste/Norte Apresentam Divergências
A confiança nas urnas eletrônicas apresenta variações significativas entre as diferentes regiões do Brasil. O Nordeste se destaca como a região com a maior taxa de aprovação, onde 59% dos entrevistados concordam que as urnas são confiáveis, enquanto apenas 37% discordam. Essa percepção positiva pode estar atrelada a uma menor incidência de questionamentos públicos sobre o sistema eleitoral na região, ou a uma maior familiaridade e aceitação.
No Sudeste, a confiança também se mostra predominante, com 54% dos entrevistados expressando concordância com a afirmação de confiabilidade das urnas, contra 42% que discordam. A região apresenta um cenário de aprovação ligeiramente menor que o Nordeste, mas ainda com uma maioria expressiva a favor do sistema.
Um cenário de empate foi observado na região Sul, onde 48% dos entrevistados confiaram nas urnas eletrônicas e os outros 48% manifestaram desconfiança. Essa paridade na opinião pública sulista sugere um debate mais acirrado sobre o tema na região, possivelmente influenciado por diferentes correntes de pensamento político e social.
Já nas regiões Centro-Oeste e Norte, a balança pendeu ligeiramente para a desconfiança. Nessas áreas, 47% dos entrevistados acreditam na confiabilidade das urnas, enquanto 48% discordam. Essa pequena diferença pode indicar um nível mais elevado de questionamento e ceticismo em relação ao sistema de votação eletrônica nessas partes do país.
Percepções Religiosas: Católicos Demonstram Mais Confiança que Evangélicos
A pesquisa Genial/Quaest também explorou a relação entre a fé e a confiança nas urnas eletrônicas, revelando diferenças notáveis entre católicos e evangélicos. Entre os católicos entrevistados, 57% afirmaram confiar no sistema de votação eletrônica, enquanto 39% expressaram desconfiança. Essa maioria de aprovação entre os católicos sugere uma aceitação mais consolidada do sistema.
Em contrapartida, o cenário entre os evangélicos apresenta uma tendência distinta. Nesta comunidade religiosa, a desconfiança nas urnas eletrônicas é maior, com 52% dos entrevistados discordando da afirmação de confiabilidade, e apenas 44% concordando. Essa divergência de percepção entre grupos religiosos pode ser influenciada por diversos fatores, incluindo a forma como as informações sobre o sistema eleitoral são disseminadas e interpretadas dentro dessas comunidades.
É importante notar que esses dados não implicam uma uniformidade de pensamento dentro de cada grupo religioso, mas sim uma tendência geral observada na amostra da pesquisa. A compreensão dessas nuances é fundamental para o debate sobre a universalização da confiança no processo eleitoral, buscando abranger todas as parcelas da sociedade brasileira.
Divisão Ideológica Clara: Eleitores de Lula Mais Confiantes que de Bolsonaro
A análise ideológica dos resultados da pesquisa revela uma profunda divisão na confiança das urnas eletrônicas, diretamente correlacionada com o voto em 2022 e a identificação política. Entre os entrevistados que declararam ter votado em Luiz Inácio Lula da Silva em 2022, uma expressiva maioria de 75% considera as urnas eletrônicas confiáveis, enquanto apenas 22% manifestaram desconfiança.
O cenário se inverte dramaticamente quando analisados os eleitores de Jair Bolsonaro. Dentre aqueles que votaram no ex-presidente em 2022, apenas 22% confiam nas urnas eletrônicas, e uma vasta maioria de 69% expressa desconfiança no sistema de votação.
Essa disparidade ideológica se mantém quando se considera a autodeclaração política. Entre os que se identificam como “lulistas”, o índice de confiança nas urnas atinge 78%, enquanto entre os que se declaram “bolsonaristas”, a confiança é significativamente menor, situando-se em apenas 18%. Esses números evidenciam como a polarização política no Brasil se reflete diretamente na percepção sobre a segurança e a legitimidade das instituições democráticas, incluindo o sistema eleitoral.
Aprovações do Governo e Confiança nas Urnas: Uma Correlação Evidente
A pesquisa Genial/Quaest também traçou um paralelo entre a aprovação do governo atual e a confiança depositada nas urnas eletrônicas. Os resultados mostram uma forte correlação: entre os brasileiros que aprovam o atual governo de Lula, a confiança no sistema eletrônico de votação é alta, atingindo 74%. Essa percepção positiva sugere que a satisfação com a gestão governamental pode influenciar a visão sobre a confiabilidade das ferramentas que garantiram a eleição.
Por outro lado, entre os que desaprovam o governo de Lula, o índice de confiança nas urnas eletrônicas cai drasticamente. Apenas 34% dos entrevistados que desaprovam o atual presidente disseram acreditar na confiabilidade do sistema. Essa diferença acentuada reforça a ideia de que a percepção política e a aprovação governamental são fatores determinantes na formação da opinião pública sobre a segurança do processo eleitoral.
Esses dados são cruciais para entender a dinâmica da confiança pública e seus vínculos com o cenário político. A desconfiança em relação às urnas eletrônicas, especialmente entre grupos com menor aprovação do governo, pode ser um indicativo de descontentamento político mais amplo, que se manifesta na contestação das instituições democráticas.
Metodologia da Pesquisa: Detalhes Técnicos e Confiabilidade do Levantamento
A pesquisa Genial/Quaest, responsável por trazer à tona os dados sobre a confiança nas urnas eletrônicas, foi realizada com rigor metodológico para garantir a representatividade e a confiabilidade dos resultados. O levantamento ocorreu entre os dias 5 e 9 de fevereiro de 2026, período em que foram entrevistadas 2.004 pessoas.
Os entrevistados foram selecionados com base em critérios demográficos e geográficos, abrangendo indivíduos com 16 anos ou mais em 120 municípios de todo o território nacional. Essa ampla cobertura geográfica e populacional visa capturar as diversas nuances da opinião pública brasileira.
A margem de erro estabelecida para a pesquisa é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, o que significa que os resultados apresentados podem variar dentro desse intervalo. O índice de confiabilidade do levantamento é de 95%, indicando que, se a pesquisa fosse repetida em outras ocasiões, os resultados seriam consistentes em 95% das vezes dentro dessa margem de erro.
O levantamento foi devidamente registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00249/2026, cumprindo os requisitos legais para pesquisas eleitorais e de opinião pública no Brasil. A transparência na metodologia é fundamental para que os resultados sejam interpretados corretamente e para fortalecer a credibilidade das informações divulgadas.
O Impacto da Desconfiança: Implicações para a Democracia e o Processo Eleitoral
A desconfiança generalizada em relação às urnas eletrônicas, mesmo que minoritária, representa um desafio significativo para a estabilidade democrática brasileira. Um sistema eleitoral confiável é a base para a legitimidade dos governos eleitos e para a participação cívica dos cidadãos.
Quando uma parcela considerável da população duvida da integridade do processo de votação, isso pode levar a um enfraquecimento da confiança nas instituições, à desmobilização eleitoral e, em casos extremos, à contestação dos resultados, gerando instabilidade política. A disseminação de informações falsas ou tendenciosas sobre o sistema eletrônico de votação tem um papel crucial na formação dessa desconfiança.
Para combater essa situação, é essencial que as autoridades eleitorais, como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), continuem a promover a transparência e a educação sobre o funcionamento das urnas eletrônicas. Ações que demonstrem a segurança e a auditabilidade do sistema, além de um diálogo aberto com a sociedade civil, são fundamentais para reconstruir e fortalecer a confiança pública no processo democrático brasileiro.
O Futuro da Votação Eletrônica no Brasil: Desafios e Perspectivas
Os resultados da pesquisa Genial/Quaest lançam luz sobre um debate contínuo no Brasil: a confiabilidade e a segurança das urnas eletrônicas. Apesar de o sistema ter sido amplamente utilizado e validado em diversas eleições, a persistência de questionamentos por parte de uma parcela da população exige atenção e ação.
O TSE tem um papel crucial em continuar a explicar o funcionamento do sistema, detalhando os mecanismos de segurança, auditoria e fiscalização que garantem a lisura do processo. A comunicação clara e acessível é uma ferramenta poderosa para desmistificar o processo e combater a desinformação.
Diante das divergências regionais, religiosas e ideológicas apontadas pela pesquisa, o desafio é criar um consenso nacional sobre a importância e a segurança do voto eletrônico. Isso pode envolver o aprimoramento de mecanismos de participação social na fiscalização das eleições e a promoção de um ambiente de debate mais informado e menos polarizado sobre o tema.
A manutenção da confiança no sistema eleitoral é um pilar fundamental para a saúde da democracia. Os dados da pesquisa servem como um alerta e um convite à reflexão para que todos os atores envolvidos – governo, instituições eleitorais, partidos políticos e sociedade civil – trabalhem juntos na construção de um ambiente de maior segurança e credibilidade para o futuro das eleições no Brasil.