Petrobras Investe R$ 2,8 Bilhões em Contrato Bilionário para Fabricar Navios no RS e Impulsionar Indústria Naval Brasileira.
A Petrobras, através de sua subsidiária Transpetro, assinou um contrato bilionário de R$ 2,8 bilhões para a construção de novas embarcações no Brasil, com um foco significativo no Rio Grande do Sul. Este movimento estratégico visa não apenas modernizar a frota de transporte de gás, mas também reativar a indústria naval nacional, prometendo um impacto econômico e social substancial.
O investimento, que abrange a fabricação de navios gaseiros, empurradores e barcaças, é um marco para o setor, com a expectativa de gerar mais de 9 mil empregos diretos e indiretos. A cerimônia de assinatura, realizada em Rio Grande (RS), contou com a presença de diversas autoridades, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, conforme divulgado pelo governo federal.
A iniciativa faz parte de um plano mais amplo de reativação da indústria naval brasileira, com o objetivo de fortalecer a infraestrutura logística do país e reduzir a dependência de afretamento de embarcações estrangeiras, conforme informações da Petrobras.
Rio Grande do Sul Lidera Fabricação de Gaseiros com Investimento de R$ 2,2 Bilhões
No coração deste projeto, o estaleiro Rio Grande Ecovix, localizado no extremo sul gaúcho, será o principal polo de fabricação. A unidade será responsável pela construção de cinco navios gaseiros, essenciais para o transporte de GLP (Gás Liquefeito de Petróleo), um insumo fundamental para milhões de consumidores brasileiros. O investimento para essa etapa específica no Rio Grande do Sul totaliza R$ 2,2 bilhões, marcando um dos maiores aportes recentes na região.
A primeira entrega desses navios de alta tecnologia está prevista para daqui a 33 meses, com as demais embarcações sendo entregues semestralmente. Estes novos gaseiros prometem ser até 20% mais eficientes no consumo de energia e reduzir em 30% as emissões de gases de efeito estufa. Além disso, terão capacidade para operar em portos eletrificados, o que, segundo a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, significa que serão “top em tecnologia embarcada”.
Impacto Nacional: Amazonas e Santa Catarina Também Serão Beneficiados
O contrato bilionário da Petrobras não se restringe apenas ao Rio Grande do Sul. Outros estados também terão um papel crucial na construção das embarcações. No Amazonas, o estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia, em Manaus, será encarregado da fabricação de 18 barcaças, com um investimento de R$ 295 milhões. Essas barcaças são vitais para o transporte de grandes volumes de carga em contêineres, fortalecendo a navegação fluvial na região.
Já em Santa Catarina, o estaleiro Indústria Naval Catarinense, em Navegantes, construirá 18 empurradores, embarcações a propulsão utilizadas para movimentar as barcaças. O custo total para essa etapa será de R$ 325 milhões. A diversificação dos locais de construção demonstra o compromisso do Programa Mar Aberto em revitalizar a indústria naval em diferentes regiões do país.
Geração de Empregos e Qualificação Profissional em Foco
A retomada da indústria naval é um dos pilares do Programa Mar Aberto, do governo federal, que prevê um total de R$ 32 bilhões em investimentos até 2030. Este programa não apenas visa a construção de navios, mas também a geração massiva de empregos e a qualificação de mão de obra especializada. Somente no estaleiro de Rio Grande, a expectativa é gerar 7 mil novos empregos diretos e indiretos.
A Petrobras está apoiando essa demanda por profissionais qualificados com o programa “autonomia e renda”, que oferecerá 1,6 mil vagas em cursos de capacitação com bolsa-auxílio. Além disso, uma nova escola do Senai será inaugurada em Rio Grande em março, dedicada à formação de mão de obra para a indústria naval, conforme anunciou Magda Chambriard. O setor naval, que contava com 18 mil empregos em 2022, saltou para 50 mil no final de 2023, com projeção de alcançar 80 mil até 2028, segundo a presidente da Petrobras. José Antunes Sobrinho, acionista da Ecovix, reforçou a expectativa de um aumento significativo no número de colaboradores, de 400 para cerca de 4 mil até o segundo semestre de 2027, indicando um recrutamento intensivo.
Modernização da Frota Transpetro e Redução da Dependência Externa
Com a chegada das novas embarcações, a Transpetro, subsidiária da Petrobras, verá sua frota de gaseiros saltar de seis para 14 navios, triplicando a capacidade atual de transporte de GLP e derivados. Este aumento substancial na capacidade é crucial para o país, pois reduzirá significativamente a dependência do afretamento de navios estrangeiros, otimizando os custos e a logística de transporte de combustíveis.
O presidente da Transpetro, Sergio Bacci, enfatizou que a retomada da indústria naval é resultado de uma política industrial específica, que inclui a política de conteúdo local, os recursos do fundo da Marinha Mercante e mecanismos como a depreciação acelerada. Esses incentivos fiscais e políticas de fomento foram fundamentais para viabilizar a assinatura desses contratos e impulsionar o desenvolvimento do setor no Brasil.