A Polícia Federal (PF) deu um novo e significativo passo nas investigações que apuram a complexa liquidação do Banco Master. Uma nova rodada de depoimentos foi agendada para ocorrer entre o fim de janeiro e o início de fevereiro, buscando esclarecer os fatos.
Essas oitivas prometem trazer mais clareza sobre os eventos que levaram ao colapso da instituição financeira, um caso de grande repercussão no cenário econômico nacional.
O cerne da investigação gira em torno de supostas irregularidades e uma complexa teia de relações financeiras. A PF busca conectar pontos e verificar informações cruciais para o entendimento completo do Caso Master.
Essas novas diligências são parte de um esforço contínuo para desvendar os detalhes da Operação Compliance Zero, que já resultou em prisões e revelações impactantes, conforme informações divulgadas pela Polícia Federal nesta terça-feira (6).
Quem está na mira dos novos depoimentos da PF
Entre os convocados para prestar depoimento nesta nova fase da investigação, estão ex-sócios do banqueiro Daniel Vorcaro, que é o atual dono do Banco Master. A lista inclui nomes como Augusto Ferreira Lima, Luiz Antonio Bull, Alberto Feliz de Oliveira e Angelo Antonio Ribeiro da Silva.
Além dos ex-sócios, a Polícia Federal também chamou ex-diretores do Banco Regional de Brasília (BRB). Entre eles, destacam-se Paulo Henrique Costa, Dario Oswaldo Garcia Junior e Robério Mangueira, que ocupa o cargo de superintendente de Operações Financeiras do BRB.
O foco da Operação Compliance Zero e as apurações da PF
A Polícia Federal busca, com esta nova rodada de oitivas, checar e confirmar informações sobre provas levantadas no âmbito da Operação Compliance Zero. Esta operação, que ganhou destaque em novembro de 2025, foi responsável pela prisão de Daniel Vorcaro.
A prisão de Vorcaro ocorreu em um momento crucial, enquanto ele se preparava para embarcar para o exterior. Este fato levantou suspeitas e intensificou a necessidade de aprofundar as investigações sobre a liquidação do Banco Master e as possíveis irregularidades financeiras envolvidas no Caso Master.
Depoimentos anteriores e o papel do STF
É importante ressaltar que a corporação já havia colhido depoimentos de figuras chave. Daniel Vorcaro, Paulo Henrique Costa e Ailton Aquino, diretor de fiscalização do Banco Central, foram ouvidos em pleno recesso, no dia 30 de dezembro.
Essa diligência específica ocorreu por iniciativa do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), que é o relator do caso na Corte. Atualmente, os depoimentos e todas as investigações relacionadas a este processo são mantidos em sigilo por determinação do ministro Toffoli, garantindo a confidencialidade das apurações.
A liquidação do Banco Master e a suspeita de ativos falsos
O Banco Master foi oficialmente liquidado em novembro de 2025, um evento que se seguiu à negativa do Banco Central (BC) em autorizar sua compra pelo Banco Regional de Brasília (BRB) em setembro do mesmo ano. A decisão do BC foi embasada em sérias preocupações.
A autarquia alegou a existência de riscos excessivos e a falta de documentação adequada que comprovasse a viabilidade econômico-financeira da instituição. Além disso, foram encontrados fortes indícios de fraude envolvendo um montante expressivo de R$ 12 bilhões em ativos que foram classificados como falsos, um dos pontos centrais do Caso Master.