PF quer cruzar investigações do Banco Master com desvios do INSS sob relatoria de Mendonça no STF

A Polícia Federal (PF) solicitou autorização ao ministro André Mendonça, novo relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), para cruzar dados de duas investigações de grande vulto: a tentativa de venda do Banco Master e o escândalo dos desvios milionários de recursos de aposentados e pensionistas do INSS.

A iniciativa, apresentada em reunião entre Mendonça e policiais federais na última segunda-feira (23), visa mapear possíveis conexões entre as operações, como a identificação de estruturas financeiras comuns, operadores recorrentes e fluxos de recursos compartilhados. A avaliação interna da PF é que essa interligação pode revelar um verdadeiro ‘ecossistema de fraudes’.

O Banco Master já é investigado no escândalo do INSS por ter administrado recursos supostamente desviados irregularmente de beneficiários da Previdência. Conforme apurado pela reportagem, o cruzamento de informações é considerado estratégico para dimensionar a extensão de possíveis fraudes interligadas, conforme informações divulgadas pela PF.

Nova Fase Investigativa no STF: Mendonça assume relatoria e agiliza apurações

A reunião com os delegados marcou a formalização de uma nova fase investigativa no STF, com múltiplas linhas de apuração avançando simultaneamente. André Mendonça assumiu recentemente a relatoria dos procedimentos referentes ao caso Master, substituindo o ministro Dias Toffoli. Uma de suas primeiras medidas foi restabelecer o fluxo ordinário das perícias, ampliando o número de peritos autorizados a analisar cerca de uma centena de dispositivos eletrônicos e milhares de documentos apreendidos em operações como a Compliance Zero.

Essa decisão de destravar as apurações foi vista por investigadores como um fator crucial para acelerar a produção de provas e a elaboração de relatórios, enquanto novas linhas de investigação são estruturadas. A apuração sobre a tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB) encontra-se em sua reta final, com expectativa de conclusão até meados de março, podendo resultar em pedidos de indiciamento e responsabilizações formais. A suspeita é que o BRB estaria sendo levado a adquirir o Master com base em informações financeiras infladas e forjadas.

Cruzamento Estratégico: Mapeando Conexões entre Fraudes Bancárias e Previdenciárias

A avaliação interna da Polícia Federal é que a interseção entre a investigação da tentativa de venda do Banco Master e o escândalo do INSS pode revelar estruturas financeiras comuns e operadores recorrentes. O objetivo é identificar se fundos de investimento geridos pelo Master, que receberam recursos descontados indevidamente de beneficiários da Previdência, compartilham fluxos financeiros com esquemas investigados na tentativa de venda do banco.

Investigadores ouvidos sob anonimato destacaram que o cruzamento de informações é tratado como estratégico justamente por permitir o mapeamento da dimensão de um possível ecossistema de fraudes interligadas. A apuração sobre o desvio bilionário de descontos indevidos de aposentados e pensionistas do INSS também tramita no STF sob relatoria de Mendonça, com a primeira fase da operação, denominada Sem Desconto, deflagrada em abril do ano passado.

O Caso Master: Tentativa de Venda, Influenciadores Digitais e Lavagem de Dinheiro

Além da investigação sobre a tentativa de venda do banco ao BRB, outras frentes investigativas ganham corpo. Uma delas apura a suposta contratação de influenciadores digitais para pressionar autoridades do sistema financeiro após a liquidação do Master. Esses influenciadores teriam criticado o Banco Central pela decisão de encerrar as atividades da instituição. Há também a hipótese de ligação do banco com fundos suspeitos de lavagem de dinheiro, possivelmente conectando o caso a operações como a Carbono Oculto.

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado, após a primeira fase da Operação Compliance Zero, que levou à prisão de seu dono, Daniel Vorcaro, que atualmente responde em liberdade com uso de tornozeleira eletrônica. A PF estima um a dois meses de trabalho para consolidar conclusões sobre essas novas linhas de investigação e apresentá-las ao STF.

Daniel Vorcaro: Defesa e Decisões Judiciais no Âmbito do STF

Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, teve sua oitiva na CPMI do INSS suspensa por decisão do ministro André Mendonça, que o isentou da obrigação de depor. Vorcaro não compareceu à oitiva e, até o momento, não é investigado diretamente no caso do INSS. Sua defesa tem negado irregularidades do banco e dos fundos por ele geridos em relação às fraudes previdenciárias.

Na mesma segunda-feira em que se reuniu com a PF, Mendonça também se encontrou com a defesa de Daniel Vorcaro. Os advogados solicitaram audiência para apresentar argumentos e contextualizações sobre as investigações, um movimento considerado comum em processos de grande repercussão. A agenda dupla do ministro, com investigadores e defesa, sugere um esforço para obter uma visão ampla do caso antes de definir novas medidas processuais.

Aceleração das Provas e Complexidade do Caso Master no Supremo

A decisão de Mendonça em devolver o rito processual à PF e ampliar o número de peritos foi vista como um fator positivo para a aceleração das apurações. Durante a relatoria de Dias Toffoli, as provas físicas e digitais estavam sob controle mais restrito da Procuradoria-Geral da República (PGR), com acesso limitado a quatro peritos da PF nomeados por ele. Agora, com mais peritos e o material mais acessível, a expectativa é de um avanço mais rápido na análise dos elementos coletados.

Para os investigadores, o caso Master tende a se consolidar como um dos inquéritos mais complexos em tramitação no Supremo, dada a potencial conexão entre negociações bancárias suspeitas, campanhas digitais coordenadas e estruturas financeiras utilizadas em diferentes esquemas investigados. A tendência é que o processo permaneça no STF, sob sigilo, devido à menção de figuras públicas com foro privilegiado, com possibilidade de prorrogação de prazo para a conclusão das diligências.

Aprofundamento nas Investigações: Fundos de Lavagem de Dinheiro e Operação Carbono Oculto

Paralelamente, a PF aprofunda a apuração sobre a suposta relação do Master com fundos de investimento utilizados para lavagem de dinheiro, inclusive com possíveis conexões com organizações criminosas. A suspeita é que essas estruturas tenham servido para ocultar recursos de origem ilícita, o que pode exigir cruzamento de informações com a Operação Carbono Oculto, que revelou um esquema bilionário de adulteração de combustíveis e uso de fundos de investimento para lavagem de dinheiro.

Essa vertente investigativa é considerada uma das mais sensíveis, pois pode expandir o alcance das apurações para além do setor bancário, atingindo operadores financeiros e gestores. A análise desses fundos pode demandar cooperação internacional, visto que parte das movimentações teria passado por estruturas financeiras complexas. A PF estima que essa etapa pode levar de um a dois meses para ser concluída, incluindo análise de contratos, quebras de sigilo e rastreamento de fluxos financeiros.

Contratação de Influenciadores Digitais: Pressão e Interferência nas Decisões Regulatórias

Outra linha de investigação que ganha relevância trata da suposta contratação de influenciadores digitais por uma equipe ligada a Daniel Vorcaro para atacar o Banco Central e autoridades do sistema financeiro após a liquidação do Master. Vorcaro nega veementemente que isso tenha ocorrido. A investigação busca identificar eventuais pagamentos, estratégias de comunicação coordenadas e possíveis vínculos entre campanhas digitais e interesses econômicos ligados ao banco.

A PF tenta estabelecer se houve uso deliberado de redes sociais para pressionar decisões regulatórias ou interferir no debate público sobre a intervenção na instituição financeira. Cerca de 40 perfis de influenciadores estariam sob a mira da PF. Para essa análise, os investigadores estimam a necessidade de um a dois meses para examinar contratos, quebras de sigilo e rastrear fluxos financeiros, buscando conexões com esquemas de lavagem de dinheiro.

Decisão de Mendonça e Futuro do Caso Master no STF

O ministro André Mendonça concedeu 60 dias para que a Polícia Federal entregue um novo relatório sobre o Banco Master. Este relatório deverá indicar eventuais autoridades com foro privilegiado e subsidiar a decisão sobre a permanência do caso no STF ou seu envio à primeira instância. A análise dos documentos entregues a Mendonça nesta semana também auxiliará o ministro a definir se o caso permanecerá integralmente no STF, se retornará à primeira instância, ou se haverá um desmembramento, separando a investigação de autoridades com foro privilegiado da de pessoas sem essa prerrogativa.

Diante da interligação das frentes investigativas, a tendência avaliada por investigadores é manter o processo no STF, sob regras rígidas de sigilo para evitar vazamentos. Há a possibilidade de prorrogação do prazo caso novas diligências se mostrem necessárias, dada a complexidade e o potencial de conexões entre as diversas frentes de investigação que envolvem o Banco Master.

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