PGR só analisará suspeição de Toffoli no caso Banco Master se for formalmente provocada, revela estratégia
A Procuradoria-Geral da República (PGR) adotou uma postura de aguardar uma provocação formal para avaliar o pedido de suspeição do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). A análise ocorreria no contexto da condução do inquérito envolvendo o Banco Master, um tema que tem gerado intensa mobilização.
Até o momento, a PGR não recebeu nenhuma representação oficial com esse objetivo. Sem tal iniciativa, não há discussões internas nem movimentações para investigar o possível conflito de interesses.
Essa abordagem reflete um procedimento comum da gestão de Paulo Gonet, que geralmente analisa providências jurídicas apenas após ser provocado por órgãos públicos ou atores da sociedade civil, conforme apurou o Estadão.
A Ligação entre Toffoli e o Banco Master
O cerne da questão reside na revelação de que Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, fez aportes financeiros em um fundo de investimentos. Este fundo, por sua vez, investiu em um resort que pertence aos irmãos de Toffoli.
Essa conexão tem levantado sérias preocupações sobre um possível conflito de interesses. Deputados e senadores, inclusive, defendem a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso para aprofundar as investigações.
Para esses parlamentares, diante do cenário, o magistrado deveria se declarar impedido ou suspeito de participar de julgamentos relacionados ao Banco Master.
A Postura da PGR sob Paulo Gonet
Em tese, a Procuradoria-Geral da República poderia atuar de ofício, ou seja, por iniciativa própria, para investigar a suspeição de Toffoli. Contudo, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, tem preferido adotar uma conduta mais passiva, aguardando manifestações externas.
Essa estratégia de Gonet foi observada em um caso recente, envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. A PGR só se manifestou após um advogado protocolar uma representação, ilustrando a preferência por uma provocação formal.
Precedente: O Caso Alexandre de Moraes
No caso do ministro Alexandre de Moraes, a PGR analisou revelações de que o Banco Master havia contratado a esposa do magistrado. Após a provocação, Gonet opinou pelo arquivamento, alegando a ausência de indícios de irregularidades.
O procurador-geral afirmou, naquele momento, que não identificou provas concretas para apurar suspeitas de que Moraes teria pressionado o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sobre a fiscalização do Banco Master.
Gonet declarou: “Em uma análise preliminar, é imperativo sublinhar a absoluta ausência de lastro probatório mínimo que sustente a acusação formulada. Tanto o representado quanto o presidente do Banco Central negaram, de forma peremptória e convergente, a ocorrência de qualquer pressão exercida pelo Ministro sobre os interesses do Banco Master. Não obstante a repercussão midiática do caso, os veículos de imprensa não apresentaram elementos concretos ou indícios materiais que corroborem a tese de intimidação, permanecendo a narrativa no campo das suposições”.
Mobilização no Congresso
A revelação dos laços financeiros entre a família de Toffoli e o Banco Master tem intensificado o debate político. Muitos parlamentares consideram que a situação exige uma investigação mais aprofundada, além da necessidade de Toffoli se manifestar sobre sua suspeição.
A pressão por uma CPI para investigar o caso no Congresso Nacional demonstra a gravidade com que o tema é percebido. No entanto, a PGR mantém sua posição de aguardar uma ação externa para iniciar qualquer análise formal sobre a conduta do ministro do STF.