O procurador-geral da República, Paulo Gonet, decidiu pelo arquivamento de três representações protocoladas pela oposição, que tinham como objetivo o afastamento do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), da relatoria do inquérito que investiga o Banco Master. A decisão da Procuradoria-Geral da República (PGR) reacende o debate sobre a atuação do ministro no caso.
Os pedidos da oposição foram motivados por alegações de possível conflito de interesse envolvendo o ministro, especialmente após revelações sobre viagens e conexões financeiras indiretas. Parlamentares têm buscado incessantemente a imparcialidade na condução do processo.
A PGR informou ter recebido quatro procedimentos com a mesma finalidade, sendo que o primeiro ainda está sob análise, enquanto os demais foram arquivados, conforme nota enviada à Gazeta do Povo na noite desta quinta-feira (22).
Pedidos de Afastamento e Justificativa da PGR
Os pedidos de afastamento foram apresentados por deputados federais como Adriana Ventura (Novo-SP), Carlos Jordy (PL-RJ) e Caroline de Toni (PL-SC). As solicitações, protocoladas em 10 de dezembro de 2025, citavam inicialmente uma viagem de Toffoli a Lima, no Peru, na companhia do advogado de um dos envolvidos na investigação.
O procurador-geral, Paulo Gonet, já havia arquivado uma dessas solicitações em 15 de fevereiro, sem aprofundar a análise do mérito. Sua justificativa era que o caso já se encontrava sob apuração perante o Supremo Tribunal Federal, com a regular atuação da Procuradoria-Geral da República.
“O caso a que se refere a representação já é objeto de apuração perante o Supremo Tribunal Federal, com atuação regular da Procuradoria-Geral da República. Não há, portanto, qualquer providência a ser adotada no momento”, afirmou Gonet em seu despacho, indicando a desnecessidade de novas ações.
Novas Acusações e os Elos com o Banco Master
Com o avanço das investigações, a deputada Caroline de Toni intensificou a argumentação, apontando um possível “conflito de interesse” do ministro Dias Toffoli. Ela encaminhou à PGR novos elementos, buscando reforçar a necessidade de sua suspeição.
“São motivos mais do que suficientes para declarar o impedimento do ministro Dias Toffoli. Falta transparência e existe vínculo, conflitos de interesse dele com muitas pessoas envolvidas na investigação”, declarou a deputada nesta quinta-feira (22), sublinhando suas preocupações.
Os parlamentares destacaram que duas empresas ligadas a parentes do ministro possuíam como sócio um fundo de investimentos que, de forma indireta, tinha conexão com o Banco Master. Essa informação foi revelada pela Folha de S.Paulo, adicionando complexidade ao cenário.
A Teia de Conexões Financeiras e o Resort Tayayá
A conexão com o caso Master se estabelece por meio de uma complexa cadeia de fundos. O Arleen Fundo de Investimentos, por exemplo, detinha até 2025 um terço das ações do resort de luxo Tayayá, localizado em Ribeirão Claro, interior do Paraná. Além disso, o fundo fez aportes na DGEP Empreendimentos, incorporadora da mesma cidade, que tinha um primo do ministro em seu quadro societário.
O Arleen, por sua vez, era cotista do RWM Plus, que recebeu recursos de fundos como o Maia 95. Este último é um dos seis fundos citados pelo Banco Central como parte de uma suposta teia de fraudes que envolve o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, conforme detalhado nas apurações.
Uma reportagem do portal Metrópoles, publicada nesta quarta-feira (21), trouxe à tona que o resort Tayayá opera um cassino com máquinas caça-níqueis e mesas de pôquer. Funcionários do estabelecimento teriam se referido ao local como “o resort do Toffoli”, mesmo após não pertencer mais à família do ministro.
O Papel da Maridt e as Vendas das Participações
A empresa Maridt, cuja sede está registrada em um imóvel de 130 metros quadrados onde reside a família de José Eugênio Dias Toffoli, irmão do ministro, é apontada como tendo José Eugênio como diretor-presidente. O Estadão, ao visitar o local, conversou com a cunhada do ministro, que negou qualquer envolvimento do marido com o Tayayá.
Em fevereiro de 2025, a Maridt vendeu integralmente suas participações no resort por um valor total de cerca de R$ 3,5 milhões, formalizando o encerramento de sua ligação com o empreendimento. As cotas foram adquiridas pela PHB Holding, de propriedade do advogado Paulo Humberto Barbosa.
Paulo Humberto Barbosa já atuou em causas tributárias para a JBS, uma das empresas da J&F Holdings dos irmãos Joesley e Wesley Batista, segundo apurações. Antes dessa transação, em 2021, parte da participação havia sido vendida a um fundo ligado ao pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, que foi alvo da Operação Compliance Zero da Polícia Federal.