A Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou um parecer ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, detalhando sua posição sobre os pedidos feitos pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente preso.
Entre as solicitações, a mais controversa foi a de uma smart TV com conexão à internet, que foi prontamente vetada pela PGR. A justificativa central para a recusa reside no alto risco de acesso à internet e comunicação não autorizada.
Por outro lado, a PGR se mostrou favorável a outras demandas do ex-presidente, como a participação em um programa de remição de pena por leitura e o recebimento de assistência religiosa, conforme informações divulgadas.
O Veto à Smart TV e o Risco de Comunicação Indevida
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, foi categórico ao afirmar que o acesso a uma smart TV com conexão permanente à rede mundial de computadores “não se afigura razoável”. Ele argumentou que tal equipamento inviabilizaria o controle sobre as proibições de acesso a redes sociais e a comunicação com terceiros não autorizados, representando um claro risco.
A defesa de Bolsonaro havia solicitado o aparelho, que seria fornecido pela família, para que o ex-mandatário pudesse assistir a canais de notícias, inclusive pelo YouTube. Contudo, a PGR sugeriu que o acompanhamento de notícias seja feito por outros meios, como TV a cabo, desde que tecnicamente viável e limitado a canais sem interação.
Gonet ressaltou ainda que eventuais custos decorrentes dessa “liberalidade” devem ser integralmente arcados pelo próprio ex-presidente. A decisão reforça a preocupação com a segurança e o controle da comunicação de detentos de alto perfil.
Remição de Pena por Leitura e Apoio Religioso Autorizados
Em contraste com o veto à smart TV, a PGR não encontrou impedimentos para que Bolsonaro participe do programa de remição de pena pela leitura. De acordo com as regras do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o ex-presidente poderá reduzir quatro dias de pena para cada obra lida, com um limite de 12 livros por ano.
Quanto à assistência religiosa, a PGR considerou cabíveis as visitas do bispo Robson Lemos Rodovalho e do pastor Thiago de Araújo Macieira Manzoni a Bolsonaro na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. A condição imposta é que os encontros ocorram estritamente na qualidade de líderes religiosos, e não como agentes políticos, devendo restringir-se a fins espirituais e respeitar as normas de visitação da unidade.
Vistoria de Damares Alves na PF Recebe Aval da PGR
O parecer da PGR também abordou o pedido de vistoria na Polícia Federal apresentado pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF). A solicitação veio após o incidente em que Bolsonaro caiu na cela.
Gonet concordou com a iniciativa, apontando que a vistoria faz parte das funções fiscalizatórias da Comissão de Direitos Humanos do Senado. Ele citou precedentes do STF para corroborar a inexistência de impedimentos, desde que a visita esteja de acordo com os regulamentos internos da PF, garantindo a transparência e a fiscalização das condições carcerárias.
A Situação Atual do Ex-Presidente na Prisão
Jair Bolsonaro cumpre uma pena de 27 anos e três meses de prisão por suposta tentativa de golpe de Estado. O ex-presidente, que enfrenta comorbidades decorrentes do atentado sofrido em 2018, está preso e sua situação gera constante debate sobre as condições de detenção e os direitos dos presos.
A decisão da PGR reflete a complexidade de gerenciar a detenção de uma figura pública, equilibrando direitos individuais com as necessidades de segurança e controle, especialmente quando há um risco de acesso à internet e potencial comunicação externa indevida.