A economia brasileira deve enfrentar um período de crescimento mais moderado nos próximos anos, com uma recuperação mais robusta projetada apenas para 2027. Este cenário desafiador, detalhado pela Organização das Nações Unidas (ONU), aponta para uma série de fatores que estão freando o desenvolvimento do país.

O relatório da entidade global destaca que, apesar de avanços notáveis no mercado de trabalho e aumento do salário mínimo, o Brasil ainda lida com os efeitos prolongados de um aperto monetário significativo e desafios persistentes na gestão de suas contas públicas.

As projeções e análises da ONU, divulgadas em um relatório recente, oferecem uma visão crucial sobre as perspectivas econômicas brasileiras, indicando a necessidade de atenção contínua a indicadores fiscais e inflacionários.

PIB do Brasil em Marcha Lenta: Projeções da ONU

Conforme as expectativas da ONU, a economia brasileira deve crescer 2% em 2026, ano de eleição presidencial no país. Essa taxa representa uma desaceleração em relação ao ano passado, quando o PIB do Brasil avançou 2,5%.

A entidade global também aponta que o crescimento de 2,5% em 2024 já indicou uma desaceleração, comparado aos 3,4% registrados em um ano anterior, provavelmente 2023. A expectativa é que o ritmo de expansão só volte a acelerar no próximo governo, com uma projeção de 2,3% para 2027.

A ONU explica que essa desaceleração reflete os “efeitos defasados do aperto monetário, que elevou as taxas de juros a níveis mais altos em décadas e continua a pesar sobre o investimento”. Contudo, uma postura fiscal “moderadamente expansionista” deve compensar parcialmente essa tendência.

Apesar de novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre importações brasileiras, a ONU pondera que o impacto geral no PIB do Brasil deve ser limitado, considerando que os EUA representam apenas cerca de 12% das exportações do país.

Desafios Econômicos e Fiscais: Juros Altos e Dívida Pressionam

A Organização das Nações Unidas reforça o alerta internacional sobre os desafios fiscais do Brasil. A relação entre a dívida bruta do governo geral e o PIB do Brasil ultrapassou 90% no ano passado, atingindo 91,4%, um aumento em relação aos 87,3% de 2024.

Esse patamar supera a média dos países em desenvolvimento, cuja relação subiu de 73% para 76,9% no mesmo período. A ONU destaca que “desvios recentes do arcabouço fiscal, em meio a isenções fiscais temporárias, despesas acima do planejado e o uso de linhas de crédito extraordinárias, ressaltam os desafios contínuos em reforçar a credibilidade fiscal”.

Inflação e Política Monetária: Expectativas e Próximos Passos

Para a ONU, o Brasil não conseguirá cumprir a meta de inflação em 2025. A organização estima que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial, tenha fechado o ano passado em 5%. A meta contínua para o índice é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Essa projeção da ONU supera o consenso de mercado, que aponta para uma inflação de 4,27% em 2025. Nos próximos anos, entretanto, a inflação deve convergir para a meta do Banco Central, com a ONU projetando uma redução para 4,3% em 2026 e 4% em 2027.

Quanto à política monetária, a organização aponta que o Brasil foi uma “exceção importante” em 2025, mantendo sua taxa de política em 15%, a mais alta desde 2006. Um ciclo de afrouxamento é esperado para começar em 2026, à medida que a inflação se modera.

Panorama Regional e Mercado de Trabalho: Onde o Brasil se Destaca

O PIB do Brasil deve crescer mais em 2025 do que a média da América Latina e do Caribe, cuja economia avançou 2,4% no ano passado. Contudo, o país tende a se expandir em ritmo menor que o da região nos anos seguintes.

Em relação ao México e à América Central, o Brasil mostra maior vigor econômico em 2025 e 2026, mas deve perder essa posição em 2027, prevê a ONU. Apesar dos desafios, o Brasil foi um dos países em desenvolvimento a reduzir o desemprego e a elevar o salário mínimo em 2025.

A ONU destaca que “o Brasil atingiu o menor índice de desemprego em décadas”, com o indicador em 5,2% em novembro de 2025, evidenciando pontos positivos em meio à desaceleração geral do PIB do Brasil.

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