A quinta-feira (22) é marcada por grande expectativa nos mercados internacionais, com os olhos voltados para os Estados Unidos. O país divulgará indicadores econômicos de peso, capazes de influenciar decisões de investimento e políticas monetárias globalmente.
No cenário doméstico, o Brasil também terá seu momento de destaque, com a divulgação dos resultados da arrecadação federal, um termômetro importante da saúde econômica nacional. A agenda política e as declarações de líderes mundiais completam o panorama do dia.
Esses e outros destaques do dia foram compilados a partir de informações da Agência Brasil, Reuters, O Globo e Estadão Conteúdo.
Indicadores Cruciais nos Estados Unidos e a Temporada de Balanços
Os mercados globais direcionam sua atenção para os Estados Unidos nesta quinta-feira (22), aguardando uma série de dados econômicos cruciais. Entre eles, destaca-se o PCE, o deflator das despesas de consumo, referente a novembro, que é o indicador preferido do Federal Reserve (Fed) para medir a inflação. Sua divulgação foi atrasada devido ao shutdown encerrado em novembro.
Investidores também estão atentos à leitura final do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA para o 3º trimestre, com uma previsão de crescimento de 4,3% na base anual. Além disso, os dados semanais de auxílio-desemprego também serão revelados, oferecendo um panorama da saúde do mercado de trabalho americano.
A temporada de balanços segue movimentada. Empresas como General Electric, Intel e Procter & Gamble divulgam seus números do último trimestre do ano passado nesta quinta-feira. Ontem, a Charles Schwab e a Johnson & Johnson já haviam apresentado seus resultados do 4º trimestre.
A Johnson & Johnson, em particular, divulgou uma previsão de vendas e lucros acima das estimativas de Wall Street para o ano. Este anúncio ocorreu mesmo após o impacto financeiro milionário de um acordo para reduzir os preços de medicamentos nos EUA, em troca de isenções de tarifas impostas pelo governo anterior.
Ibovespa em Alta Recorde e a Arrecadação Federal no Brasil
Aqui no Brasil, a quarta-feira foi de celebração para o mercado financeiro. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores, renovou recordes históricos, atingindo pela primeira vez a marca de 171 mil pontos. O índice fechou em 171.816,67 pontos, um novo recorde de fechamento, e alcançou a máxima intradia de 171.969,01 pontos.
Este apetite por risco foi impulsionado por declarações do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, que descartou o uso de força militar e afirmou que se absteria de impor tarifas à Europa, citando um acordo sobre a Groenlândia. Investidores interpretaram essas falas, feitas no Fórum Econômico Mundial em Davos, como um sinal de alívio das tensões geopolíticas e comerciais.
Na agenda doméstica, o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, concederá uma entrevista às 11h. Ele comentará o resultado da arrecadação de dezembro e o balanço de 2025. A coletiva contará também com a presença de outros auditores fiscais da Receita Federal para detalhar os números.
As Declarações de Trump e seus Efeitos Globais
Após semanas de retórica que ameaçaram uma profunda ruptura nas relações transatlânticas, Donald Trump recuou abruptamente das ameaças de impor tarifas como forma de alavancar a questão da Groenlândia. Ele indicou que um acordo estava à vista para encerrar a disputa.
“Formamos o arcabouço de um futuro acordo com relação à Groenlândia e, de fato, à toda a região do Ártico”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social. Ele acrescentou que, “Com base nesse entendimento, não vou impor as tarifas que estavam programadas para entrar em vigor em 1º de fevereiro.”
Além disso, Trump expressou o desejo de ver um teto de 10% nas taxas de cartão de crédito nos EUA, classificando a taxa atual de 28% como “absurda” e prejudicial às famílias. Em entrevista à CNBC em Davos, ele afirmou que “empresas de cartões de crédito estão recebendo tanto que pessoas não sabem porque estão com dívida; eles tem que dar espaço para a população.”
Outras Notícias que Impactam o Cenário Nacional e Internacional
No Brasil, a agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva inclui reuniões com o chefe do Gabinete Pessoal, Marco Aurélio Marcola, o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, e o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira.
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, tem reunião fechada com Vinícius de Carvalho, ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), e participa, por meio eletrônico, de reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), também sem acesso da imprensa.
Em notícia que impacta o setor financeiro nacional, o Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial do Will Bank. A medida ocorre “por extensão”, já que o controle da instituição era exercido pelo Banco Master, que já estava em Regime de Administração Especial Temporária (Raet) desde novembro.
Ainda no Brasil, o presidente Lula assinou uma medida provisória (MP) que estabelece uma nova regra para o reajuste anual do piso salarial dos professores da rede pública. A MP prevê um aumento de 5,4% do piso do magistério neste ano, elevando-o de R$ 4.867,77 para R$ 5.130,63, conforme informações da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom).
Internacionalmente, o maior sindicato de maquinistas da Espanha convocou uma greve nacional de três dias, de 9 a 11 de fevereiro. A paralisação visa exigir medidas que garantam a segurança ferroviária, após três descarrilamentos em 48 horas que resultaram em dezenas de mortos, incluindo dois maquinistas.