A jornada de 240 km de Nikolas Ferreira, de Paracatu a Brasília, revela bastidores de um apoio espontâneo e inusitado, com o agro, voluntários e a famosa “picanha do Bolsonaro” impulsionando o movimento.
A caminhada do deputado federal Nikolas Ferreira, do PL-MG, que começou em Paracatu, Minas Gerais, com cerca de 20 pessoas, tem se transformado em um evento de grande repercussão. O percurso de 240 quilômetros em direção a Brasília, Distrito Federal, tem atraído um apoio cada vez mais massivo e espontâneo.
Helicópteros escoltando, recepções com a simbólica “picanha do Bolsonaro” e até massagens voluntárias de profissionais de Goiás são alguns dos elementos que marcam essa jornada. A mobilização popular tem sido fundamental para os participantes enfrentarem os desafios físicos e climáticos.
Esse crescente engajamento, que inclui desde itens básicos até um significativo suporte logístico, destaca a natureza viral da “Caminhada Pela Justiça e Liberdade” de Nikolas Ferreira, conforme informações divulgadas pelo g1.
O Apoio Inesperado ao Longo do Caminho
O esforço físico dos caminhantes, que enfrentaram chuva, dor e cansaço extremo nos primeiros dias, foi aliviado pelo suporte da população. A participante Amanda Caixeta, assessora do deputado Gustavo Gayer, relatou a presença de fisioterapeutas atendendo Nikolas Ferreira em restaurantes e pessoas oferecendo massagens nos pés dos participantes até Cristalina, Goiás.
A colaboração de moradores próximos à BR-040 e de apoiadores que viajaram de outras cidades foi crucial. “Teve gente que levou tênis e roupas secas para nós, shampoo e outros itens. Foi emocionante”, disse Amanda Caixeta, destacando a solidariedade recebida.
Vídeos que circularam na internet mostram pessoas nas ruas distribuindo água, isotônicos, doces e almoço gratuitamente. Em um desses registros, o influenciador Wess Guimaraes perguntou a uma família sobre a motivação para o apoio, recebendo a resposta: “Jesus!”.
A “Picanha do Bolsonaro” e o Significado Político
Um dos momentos de maior destaque foi o churrasco patrocinado por voluntários de Goiás. O senador Marcio Bittar, do Acre, divulgou em suas redes sociais fazendeiros oferecendo “picanha do Bolsonaro”, em referência a um frigorífico da região que montou um estande com carnes adesivadas com imagens do ex-presidente Jair Bolsonaro e do senador Flavio Bolsonaro.
Essa ação faz uma referência indireta ao ex-presidente Lula, que, na campanha de 2022, prometeu que o “povo voltaria a comer picanha”, simbolizando a melhoria da renda e o controle da inflação. A “picanha do Bolsonaro” se tornou, assim, um símbolo político no debate atual.
Os preços elevados da carne, que persistem, mantêm a “picanha” como um tema recorrente na discussão política. A iniciativa dos fazendeiros de Goiás, ao oferecer o corte com as imagens dos políticos, reforça essa simbologia durante a caminhada de Nikolas Ferreira.
O Agro em Destaque e a Organização da Caminhada
Além da alimentação, o setor do agronegócio tem recepcionado a caminhada em diversos pontos com máquinas agrícolas posicionadas na rodovia, bandeiras do Brasil, faixas com “Força, Nikolas“, fogos de artifício e caixas de som entoando o hino nacional.
Gabriel Casusa Benini, de 23 anos, que trabalha no gabinete do vereador Lucas Pavanato, de São Paulo, comentou sobre as “muitas referências ao agro”. Ele destacou também o apoio médico e a escolta policial, garantindo a segurança dos participantes no acostamento.
Benini ressaltou a organização e o engajamento geral: “E outros fatos que têm chamado a atenção são os caminhoneiros que passam buzinando, e as cidades que esperam a chegada da caminhada. Todo mundo presta algum tipo de apoio e está muito organizado”, afirmou.
A Reta Final: Brasília e a Promessa de Nikolas Ferreira
A “Caminhada Pela Justiça e Liberdade” de Nikolas Ferreira está programada para terminar no próximo domingo, dia 25 de fevereiro, ao meio-dia, na Praça do Cruzeiro, em Brasília. No local, está prevista uma manifestação pacífica para encerrar o movimento.
Apesar do desgaste físico, Nikolas Ferreira mostrou determinação. “Não estou sentindo o joelho, o pé já foi, mas digo a verdade: Deus colocou isso em mim há muito tempo”, disse o deputado em um pronunciamento na noite de quarta-feira, dia 21.
Ele concluiu com um chamado à mobilização: “Se Deus permitir, no dia 25, em Brasília, vamos fazer a maior caminhada da história deste país. Acorda, Brasil!”, finalizando com uma mensagem de otimismo e convocação para seus apoiadores.