Os mercados globais de petróleo registraram quedas significativas nesta quarta-feira, 7 de fevereiro, após a revelação de um plano ambicioso do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A ação visa realocar suprimentos cruciais de petróleo da Venezuela, que tradicionalmente abasteciam a China, diretamente para o território norte-americano.
A iniciativa, que busca desviar até US$ 2 bilhões em petróleo bruto venezuelano que estava sob sanções, gerou imediatamente uma forte condenação por parte de Pequim. As autoridades chinesas acusaram Washington de intimidação e de violar princípios do direito internacional, intensificando as tensões geopolíticas.
Este movimento estratégico de Trump não apenas remodela as dinâmicas de oferta e demanda no setor energético, mas também reacende debates sobre soberania e influência internacional, conforme informações divulgadas pela agência de notícias Reuters.
O Plano Ambicioso de Trump para o Petróleo Venezuelano
O governo de Donald Trump articulou um acordo para persuadir a Venezuela, membro da OPEP, a redirecionar suas exportações de petróleo bruto da China para os Estados Unidos. Essa medida alinha-se ao objetivo de Trump de assumir o controle das vastas reservas de petróleo da Venezuela, especialmente após a captura de Nicolás Maduro.
Trump, que há anos considera Maduro um ditador e o acusa de envolvimento com o tráfico de drogas, expressou publicamente sua intenção de gerir os recursos petrolíferos venezuelanos. Ele declarou que os EUA iriam refinar e vender até 50 milhões de barris de petróleo atualmente retidos na Venezuela, como um passo inicial para reerguer o setor local.
Em uma postagem na Truth Social na terça-feira, 6 de fevereiro, Trump afirmou: “Esse petróleo será vendido a preço de mercado, e esse dinheiro será controlado por mim, como presidente dos Estados Unidos, para garantir que seja usado para beneficiar o povo da Venezuela e dos Estados Unidos!”.
Fontes da PDVSA, a estatal petrolífera venezuelana, confirmaram à Reuters o avanço das negociações. No entanto, o governo da Venezuela não fez nenhum anúncio oficial sobre o acordo até o momento.
A Fúria da China e o Impacto nos Mercados Globais
A reação da China foi imediata e enérgica. Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, criticou duramente a ação norte-americana em uma coletiva de imprensa. Ela classificou a iniciativa como um ato de intimidação, violando o direito internacional e a soberania venezuelana.
“O uso descarado da força pelos Estados Unidos contra a Venezuela e sua exigência de ‘América em primeiro lugar’ quando a Venezuela se desfaz de seus próprios recursos petrolíferos são atos típicos de intimidação”, declarou Mao Ning.
A porta-voz acrescentou que “Essas ações violam seriamente o direito internacional, infringem gravemente a soberania da Venezuela e prejudicam gravemente os direitos do povo venezuelano”. A indignação chinesa ressalta a complexidade das relações geopolíticas envolvendo a energia.
A China, que importou cerca de 389.000 barris por dia de petróleo venezuelano em 2025, representando aproximadamente 4% de suas importações marítimas de petróleo bruto, pode agora buscar alternativas.
Analistas de mercado indicam que Pequim poderá recorrer a suprimentos do Irã e da Rússia para compensar a perda. Essa potencial mudança nas fontes de abastecimento chinesas contribuiu para a queda de cerca de 1,0% nos preços mundiais do petróleo bruto nesta quarta-feira.
A queda foi impulsionada pela expectativa de um aumento na oferta global de petróleo, influenciada por este cenário de realocação de suprimentos.
O Cenário Político na Venezuela Pós-Maduro
A captura de Nicolás Maduro pelas Forças Especiais dos EUA em Caracas, ocorrida no sábado, 3 de fevereiro, marcou a maior intervenção de Washington na América Latina desde a invasão do Panamá em 1989. Embora os EUA não tenham registrado perdas de vida, o cenário local foi de conflito.
O exército venezuelano relatou 23 mortos, e Cuba, aliada de Caracas, mencionou 32 baixas entre seus militares e agentes de inteligência. Alguns detalhes sobre a operação ainda não foram totalmente esclarecidos.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodriguez, que assumiu o cargo, prometeu cooperação com os EUA sob ameaças de Trump. Paralelamente, a oposição venezuelana se manifesta ativamente.
María Corina Machado, principal opositora de Maduro e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, apoia a visão de Trump de transformar a Venezuela em um importante aliado e centro energético das Américas. Ela já havia dedicado seu Nobel a Trump.
Impedida de concorrer nas eleições de 2024, Machado viu seu aliado, Edmundo González, ser declarado vencedor por setores da oposição, pelos EUA e por vários observadores eleitorais.
A situação política interna da Venezuela permanece complexa, com a intervenção externa adicionando mais uma camada de incerteza ao futuro do país e de seu valioso petróleo.