A notícia da captura do então ditador venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, em uma operação militar dos Estados Unidos, trouxe à tona um detalhe surpreendente: a morte de 32 cubanos que faziam parte da equipe de segurança do chavista, conforme relatado pela ditadura de Cuba.

Embora a parceria entre os dois regimes seja conhecida há décadas, o tamanho do contingente da ditadura de Havana dedicado à segurança de Maduro chamou a atenção, levantando questionamentos sobre a lealdade e a eficácia das forças venezuelanas.

A presença massiva de agentes cubanos não era um fato isolado, mas sim o resultado de uma estratégia complexa e de longa data, moldada pela desconfiança e por trocas estratégicas entre Caracas e Havana, conforme informações divulgadas.

A Troca Estratégica: Petróleo por Segurança e Inteligência Cubana

A relação entre Venezuela e Cuba intensificou-se significativamente após a tentativa fracassada de derrubar Hugo Chávez em 2002. Segundo o historiador e ex-ministro das Relações Exteriores do México, Jorge G. Castañeda, em artigo de 2024, Cuba passou a enviar “milhares de médicos, enfermeiros, instrutores esportivos, assessores de segurança e agentes de inteligência” para a Venezuela.

Em troca dessa ajuda multifacetada, o regime cubano recebia petróleo subsidiado, um recurso vital para a ilha. Este intercâmbio estabeleceu uma fundação para a crescente influência cubana em diversas esferas do governo venezuelano, incluindo a segurança de Maduro.

Estimativas recentes apontam que cerca de 15 mil cubanos ainda atuam em várias áreas na Venezuela, um número que já chegou a 30 mil no passado, demonstrando a escala da presença cubana no país.

Desconfiança nos Militares Venezuelanos Impulsionou Agentes Cubanos

Mesmo com o regime chavista cooptando a maior parte dos militares venezuelanos ao longo das duas últimas décadas, expurgando os “desleais”, a desconfiança nunca foi superada. Essa persistente incerteza levou à decisão crucial de utilizar agentes cubanos não apenas como seguranças pessoais dos ditadores, mas também para “monitorar de perto as forças armadas venezuelanas em todos os níveis”, destacou Castañeda.

A necessidade de uma guarda pessoal externa sublinha a fragilidade da lealdade interna e o temor de insubordinação dentro das próprias fileiras militares da Venezuela. A presença cubana servia como um contrapeso, uma camada adicional de vigilância e controle sobre as forças armadas nacionais.

A Fama da Eficiência Cubana na Proteção de Líderes

O pesquisador Jorge G. Castañeda apontou que a fama de eficiência dos cubanos na área de segurança atraiu tanto Chávez quanto Maduro. A inteligência e os agentes de segurança de Havana eram conhecidos por terem impedido várias tentativas dos EUA de assassinar Fidel Castro.

Além disso, a inteligência cubana descobriu “uma série de conspirações, algumas reais, outras imaginárias, contra o regime comunista” da ilha. Essa reputação de competência e lealdade inabalável fez com que os líderes venezuelanos confiassem cegamente na capacidade cubana de proteger o regime e seus dirigentes.

O Temor da Deslealdade e o Limite da Proteção

Em novembro, o analista militar venezuelano José García afirmou ao jornal britânico Financial Times que a equipe de segurança pessoal de Maduro havia se tornado “ainda mais cubana”. A razão era clara: o ditador temia que os venezuelanos pudessem “se mostrar desleais, visto que os salários foram desvalorizados pela inflação descontrolada”.

A crise econômica e a hiperinflação corroíam o poder de compra e a moral das tropas venezuelanas, aumentando o risco de deserções ou traições. A dependência de Cuba, portanto, intensificou-se como uma medida desesperada para manter a estabilidade do poder.

Contudo, nenhum reforço, por mais numeroso ou eficiente que fosse, foi suficiente para conter a operação dos Estados Unidos. A história do ditador que confiou em agentes de outro país para cuidar de sua segurança e, mesmo assim, foi deposto, já se tornou parte do folclore político da América Latina, marcando um ponto final na intrincada rede de proteção cubana ao regime chavista.

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