A aplicação de direitos antidumping definitivos sobre cabos de fibra óptica importados da China acendeu um sinal de alerta no setor de telecomunicações no Brasil. Esta medida, aprovada pelo Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) no fim de dezembro de 2025, prevê a cobrança adicional de US$ 2,42 por quilo do produto, o que equivale a cerca de R$ 12,99.
A decisão já começa a refletir nos preços praticados no mercado nacional, gerando grande preocupação. Associações do setor alertam para um possível aumento relevante no custo da fibra óptica, um insumo considerado estratégico para a expansão da conectividade no país.
Reajustes nos preços já foram observados e passaram a impactar os cálculos financeiros de prestadoras de serviços, especialmente as de menor porte, conforme apuração divulgada pelo TeleSintese.
Medida Antidumping e Seus Primeiros Reflexos
A imposição dos direitos antidumping definitivos sobre os cabos de fibra óptica importados da China é uma ação que visa proteger a indústria nacional. No entanto, a TelComp, Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas, e a Abramulti, Associação Brasileira dos Operadores de Telecomunicações e Provedores de Internet, em nota conjunta, expressam grande preocupação com os desdobramentos dessa medida.
O valor adicional de US$ 2,42 por quilo do produto, que equivale a aproximadamente R$ 12,99, já começa a ser sentido no mercado. Para as prestadoras de serviços, em especial as de pequeno porte, essa nova taxação representa um desafio financeiro substancial, impactando diretamente o custo da fibra óptica.
Segundo o TeleSintese, os reajustes nos preços já estão em curso e têm alterado os planejamentos orçamentários. Essa elevação do custo da fibra óptica pode comprometer a capacidade de investimento e a competitividade dessas empresas no cenário nacional de telecomunicações.
Por Que a Preocupação com o Custo da Fibra Óptica?
As entidades do setor de telecomunicações fazem questão de ressaltar que não defendem nem apoiam práticas de dumping, que podem distorcer o mercado. Contudo, o posicionamento busca chamar a atenção para os amplos efeitos econômicos e sociais do aumento do custo da fibra óptica no Brasil.
O encarecimento da importação de cabos e fibras ópticas tem reflexos diretos em pequenos provedores de internet, que são essenciais para levar conectividade a regiões menos atendidas. A elevação dos custos pode inviabilizar a operação ou a expansão desses serviços de banda larga.
Estimativas preliminares indicam um cenário preocupante: o preço final dos cabos de fibra óptica importados da China para prestadoras de pequeno porte pode subir mais de 170%. Essa projeção acende um alerta sobre a sustentabilidade de muitos negócios e a acessibilidade da internet.
Além disso, a avaliação é que o reajuste tende a pressionar também os preços de fabricantes nacionais e de cabos provenientes de outros países. Nesse cenário, o preço de equilíbrio de todos os cabos comercializados no Brasil poderia aumentar em torno de 50%, conforme as associações.
A medida antidumping não se limita aos cabos, sendo aplicada também sobre a importação de fibras ópticas. Esta extensão, segundo a TelComp e a Abramulti, pode intensificar ainda mais os efeitos sobre toda a cadeia produtiva e o mercado de infraestrutura de telecomunicações, elevando o custo da fibra óptica em toda a sua extensão.
Impacto Direto na Conectividade e Políticas Públicas
A elevação generalizada dos custos, impulsionada pelo aumento do custo da fibra óptica, tende a desacelerar a expansão da banda larga no país. Este impacto será mais sentido em áreas economicamente menos atrativas e entre consumidores de menor renda, que já enfrentam barreiras de acesso à internet de qualidade.
O risco iminente é o aprofundamento do chamado abismo digital, em um momento crucial onde o Brasil busca justamente ampliar o acesso à internet de qualidade para todos. A medida pode, portanto, criar um retrocesso nos esforços de inclusão digital e conectividade.
As entidades também alertam para possíveis impactos sobre políticas públicas estruturantes e programas essenciais. Iniciativas de conectividade de escolas, como o programa Aprender Conectado, podem ser seriamente afetadas, comprometendo a educação e o acesso à tecnologia.
Outras obrigações relacionadas à implantação da infraestrutura do 5G no Brasil também correm o risco de sofrer atrasos ou aumento significativo de custos. Isso pode levar à redução no número de escolas atendidas e encarecer projetos de modernização da conectividade nacional, impactando diretamente o avanço tecnológico do país.