Risco de Ruína em Edifício Histórico da USP: Prefeitura Interdita Parte do Imóvel no Largo São Francisco Após Incêndio

A Prefeitura de São Paulo tomou a decisão de interditar parcialmente o icônico edifício da antiga Escola de Comércio Álvares Penteado, atualmente ocupado pela Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, região central da capital paulista. A medida foi tomada após uma vistoria realizada por equipes da Subprefeitura da Sé, que identificou um potencial risco de ruína na estrutura do prédio, abalado por um recente incêndio.

Além da interdição, a administração municipal também iniciou uma análise sobre a regularidade do alvará de funcionamento da instituição no local. A investigação se intensifica considerando a recente transferência do imóvel, conhecido como Palácio do Comércio, para a gestão da universidade. O incidente, que felizmente não resultou em feridos, teria se originado no sistema de ar-condicionado e concentrado seus danos no telhado e no mezanino da edificação, localizada na rua Benjamin Constant.

As aulas dos cursos de pós-graduação, que eram ministradas no prédio afetado, foram temporariamente realocadas para o recém-inaugurado prédio na rua Riachuelo, batizado em homenagem ao jurista Dalmo Dallari, e para a sede histórica principal. A evacuação do local antes do início das chamas garantiu a segurança de todos os presentes, não havendo relatos de vítimas. Informações preliminares não indicam danos estruturais significativos, mas a avaliação de risco de ruína é tratada com a máxima seriedade pelas autoridades. Conforme informações divulgadas pela Prefeitura de São Paulo e pela Faculdade de Direito da USP.

Incêndio Atinge Mezanino e Telhado de Prédio Histórico da Faculdade de Direito da USP

O incêndio, que mobilizou equipes de emergência, concentrou seus efeitos em uma área específica do prédio: um mezanino situado acima dos dois andares principais da edificação, que também conta com um porão. Da parte externa, as janelas deste andar, de menor dimensão em relação aos pisos inferiores, são as únicas evidências visíveis do impacto do fogo. A estrutura do prédio, projetado com um cuidado arquitetônico notável, agora passa por uma avaliação minuciosa para garantir a segurança de alunos, professores e funcionários.

Segundo informações oficiais da Faculdade de Direito da USP, o imóvel foi oficialmente entregue à instituição em 2024. No entanto, o processo de completa regularização para o uso acadêmico se estendeu até meados de 2025, quando as atividades de ensino começaram a ser gradativamente transferidas para o local. A demora na regularização, embora não diretamente ligada ao incêndio, adiciona uma camada de complexidade à situação atual, exigindo atenção tanto da universidade quanto dos órgãos públicos.

A edificação, que abriga parte essencial das atividades acadêmicas, é composta por 21 salas de aula, um salão nobre, um museu e diversas instalações administrativas. O projeto de ocupação pela Faculdade de Direito contempla ainda a instalação de uma porção significativa da biblioteca da instituição. Com uma área construída total de 4.000 metros quadrados, o Palácio do Comércio representa um patrimônio valioso para a comunidade acadêmica e para a cidade de São Paulo.

Planos de Restauração e a Importância do Tombamento do Edifício Histórico

Apesar dos recentes acontecimentos, a intenção da Faculdade de Direito da USP é proceder com a restauração completa do edifício. A fachada do prédio, que já apresentava sinais de desgaste natural e problemas de infiltração, demandava intervenções de manutenção e modernização. A instituição, contudo, considera que recebeu o imóvel em um estado de conservação razoável, o que reforça a necessidade de um plano de recuperação minucioso e respeitoso com sua história.

O processo de obras em um imóvel tombado, como é o caso do Palácio do Comércio, está intrinsecamente ligado à aprovação de órgãos de preservação. Sendo o prédio tombado pelo Patrimônio Histórico da capital paulista, qualquer intervenção, incluindo a restauração planejada, está sujeita à análise e aprovação da Prefeitura. A gestão municipal, sob o comando do prefeito Ricardo Nunes (MDB), ainda não se pronunciou sobre a existência de um processo de aprovação de obras em andamento para este imóvel específico.

A Faculdade de Direito da USP apresentou à Prefeitura um projeto mais amplo que visa a requalificação de todo o Largo São Francisco. Este plano ambicioso inclui a expansão da área de pedestres e a integração física e funcional do Palácio do Comércio com a sede histórica principal da faculdade, buscando revitalizar um dos espaços mais emblemáticos do centro de São Paulo. A sinergia entre a universidade e o poder público é fundamental para o sucesso dessas iniciativas.

Histórico do Palácio do Comércio: De Escola de Negócios a Centro Acadêmico de Prestígio

O tombamento do edifício, que garante sua proteção e preservação, foi oficializado pelo Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio) em 1992. A decisão abrangeu uma série de imóveis na região do Vale do Anhangabaú, reconhecendo o valor histórico, arquitetônico e paisagístico dessas construções. O nível de preservação determinado para o Palácio do Comércio é o mais elevado, exigindo sua preservação integral.

A história do prédio remonta ao início do século XX. Projetado em 1902 e concluído em 1908, o edifício foi originalmente concebido para abrigar a Escola de Comércio de São Paulo. O projeto arquitetônico é de autoria do renomado arquiteto sueco Carlos Ekman (1866-1940), que se estabeleceu em São Paulo a partir de 1894. Ekman foi contratado pelo influente cafeicultor Antônio Álvares Penteado para a construção, que seria inaugurada em 1909, oferecendo cursos na área de contabilidade.

Ao longo das décadas, o prédio passou por diferentes gestões e usos. Foi incorporado ao patrimônio da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado antes de ser adquirido pelo governo paulista, que o destinou à Faculdade de Direito. O arquiteto Carlos Ekman também é conhecido por outros projetos notáveis na cidade, como a Vila Penteado, residência familiar projetada em 1902 para o mesmo cafeicultor e localizada na rua Maranhão, em Higienópolis, um exemplo de sua influência na arquitetura paulista da época.

O Prédio da FAU-USP e a Transição para a Faculdade de Direito

Uma curiosidade em sua trajetória é que, em 1946, o edifício foi doado para a FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP). O curso de arquitetura funcionou neste local até 1968, quando a faculdade foi transferida para seu atual e moderno prédio na Cidade Universitária, projetado pelo renomado arquiteto Vilanova Artigas. Essa mudança marcou o fim de um ciclo para o prédio histórico no Largo São Francisco.

Atualmente, o edifício tombado tanto pelo Patrimônio Histórico estadual (desde 1978) quanto pelo municipal (desde 1991), abriga as atividades de pós-graduação e disciplinas optativas de graduação da FAU-USP, além de espaços dedicados à pesquisa, cultura e extensão universitária. A biblioteca do local também oferece consulta e pesquisa de material não circulante. Essa coexistência de usos e a rica história do imóvel reforçam a importância de sua preservação e recuperação após o incidente.

Avaliação de Segurança e o Futuro do Palácio do Comércio Após o Incêndio

A interdição parcial do prédio pela Prefeitura de São Paulo é uma medida de segurança essencial para evitar acidentes e permitir uma avaliação detalhada dos danos. A prioridade agora é garantir a estabilidade da estrutura e a segurança de todos que frequentam ou trabalham no local. A análise sobre o risco de ruína é crucial para definir os próximos passos, que podem incluir obras emergenciais de contenção ou reforço estrutural.

A investigação sobre a causa do incêndio, que aponta para o sistema de ar-condicionado como ponto de partida, é fundamental para prevenir futuros incidentes. A Prefeitura, em conjunto com a Faculdade de Direito da USP, buscará entender as circunstâncias que levaram às chamas e implementar medidas corretivas. A regularidade do alvará de funcionamento também será verificada, assegurando que todas as normas de segurança e operação estejam em conformidade com a legislação vigente.

O futuro do Palácio do Comércio, um patrimônio histórico e educacional de valor inestimável, dependerá da colaboração entre a universidade e os órgãos públicos. A expectativa é que, após a conclusão das avaliações e a realização das obras necessárias, o edifício possa retornar à sua plena funcionalidade, preservando sua importância histórica e arquitetônica, ao mesmo tempo em que serve como um centro de excelência para a educação jurídica e outras atividades acadêmicas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você também pode gostar

Eleições 2026: Descubra Quais Cargos Estão em Disputa, a Ordem de Votação e Idade Mínima para Presidente, Governador e Legislativo

Eleições 2026: Descubra Quais Cargos Estão em Disputa, a Ordem de Votação…

Como é o gigantesco porta-aviões USS Abraham Lincoln que os EUA teriam enviado ao Oriente Médio em meio à tensão com o Irã?

USS Abraham Lincoln: O porta-aviões gigante que os EUA teriam mobilizado para…

Julgamento de Nicolás Maduro nos EUA: Entenda a Complexidade e os Próximos Passos do Processo

O ex-líder venezuelano Nicolás Maduro fez sua primeira aparição em um tribunal…

Sampaio Corrêa-RJ x Botafogo: Horário, Onde Assistir e Expectativas para o Duelo do Carioca 2026

O Botafogo está pronto para visitar o Sampaio Corrêa-RJ neste domingo, 18…