Exilados Políticos do 8 de Janeiro na Argentina Iniciam Saída de Presídio em Buenos Aires para Prisão Domiciliar com Tornozeleira Eletrônica

Cinco brasileiros, que foram detidos na Argentina e são associados aos atos de 8 de janeiro, começaram a deixar o Complexo Penitenciário Federal de Ezeiza, em Buenos Aires, nesta quarta-feira (7). A medida de prisão domiciliar, concedida em 16 de dezembro, foi implementada na véspera do aniversário de três anos dos eventos que marcaram a capital federal brasileira.

Esses indivíduos, que se declaram exilados políticos, foram detidos no país vizinho desde novembro de 2023. A decisão de encaminhá-los para prisão domiciliar com o uso de tornozeleiras eletrônicas representa um avanço significativo em seus processos legais.

A situação, contudo, ainda é complexa, envolvendo pedidos de asilo e processos de extradição. As liberações e os trâmites subsequentes são acompanhados de perto, conforme informações divulgadas pelo advogado Ezequiel Silveira e pela jornalista Ana Cemin, que monitoram os casos.

Início das Liberações e Ajustes Necessários

As liberações dos presos do 8/1 foram confirmadas por familiares na tarde desta quarta-feira, segundo o advogado Ezequiel Silveira. Ele, que se deslocou à Argentina para acompanhar de perto os casos, informou que os primeiros a serem liberados foram Joelton Gusmão de Oliveira e Ana Paula de Souza, os quais já se encontram em suas residências.

Rodrigo de Freitas Moro Ramalho também deixou o presídio, mas precisou retornar temporariamente. O motivo foi a necessidade de ajustes no sinal do equipamento eletrônico, um procedimento que foi rapidamente corrigido. Ele foi liberado novamente por volta das 17h, marcando mais um passo nas saídas.

Trâmites Pendentes para Dois Detidos

Apesar do progresso, nem todos os cinco presos do 8/1 tiveram a liberação imediata. Joel Borges Correa e Wellington Luiz Firmino ainda aguardam a conclusão de trâmites legais para deixar o presídio de Ezeiza. A jornalista Ana Cemin, que acompanha os processos desde janeiro de 2023, esclareceu a situação.

De acordo com Ana Cemin, o atraso na liberação de Correa e Firmino se deve a uma pendência na assinatura de seus responsáveis legais. Esta é uma exigência obrigatória da Justiça argentina para a concessão da prisão domiciliar. A expectativa é que a liberação ocorra assim que a documentação for regularizada.

O Futuro Incerto: Asilo Político ou Extradição

Mesmo com a progressão para a prisão domiciliar, o futuro dos brasileiros na Argentina permanece incerto. Ana Cemin ressalta que, embora tenham solicitado asilo político ao governo argentino, todos respondem a um processo de extradição. Este processo foi solicitado pelo governo brasileiro, buscando o retorno dos envolvidos aos seus respectivos processos no Brasil.

As defesas dos detidos já apresentaram recursos, e os casos aguardam análise da Justiça argentina. A decisão final sobre os pedidos de extradição e asilo político será tomada pelo presidente da Argentina, Javier Milei, o que adiciona uma camada de complexidade e incerteza aos desdobramentos.

Sexta Detida Permanece no Presídio

Além dos cinco brasileiros que começaram a ser liberados, há uma sexta pessoa envolvida nos atos de 8 de janeiro que permanece detida na Argentina. Sirlene de Souza Zanotti foi presa no mês passado, e seu caso é mais recente em comparação aos demais exilados políticos.

Devido à recente data de sua detenção, Sirlene de Souza Zanotti continua no presídio. Ela aguarda a realização de todos os trâmites exigidos pela justiça do país vizinho, que são necessários para que seu processo possa seguir os mesmos passos dos outros detidos, visando uma possível prisão domiciliar ou outras medidas legais.

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