A Venezuela vive um novo capítulo na questão dos presos políticos, com informações desencontradas sobre as recentes libertações. Enquanto uma organização de direitos humanos relata a soltura de dezenas de detentos, o governo venezuelano apresenta um número significativamente maior, acendendo o debate sobre a real situação no país.

Essas libertações ocorrem em um contexto de intensa pressão internacional e reivindicações constantes da oposição venezuelana, que há anos clama pela liberdade de centenas de pessoas consideradas presas por motivos políticos.

Os dados conflitantes foram divulgados pela ONG Foro Penal e pelo Ministério dos Serviços Penitenciários da Venezuela, conforme informações obtidas pela CNN e Reuters.

Os números da ONG Foro Penal

De acordo com o Foro Penal, pelo menos 24 presos políticos foram libertados na manhã desta segunda-feira, dia 12. A organização detalhou que entre os soltos estão nove mulheres que estavam detidas na prisão de Las Crisálidas e aproximadamente 15 homens que cumpriam pena no presídio Rodeo I.

Alfredo Romero, presidente do Foro Penal, confirmou as libertações em suas redes sociais, destacando a inclusão do cidadão italiano Alberto Trentini entre os homens liberados. A ONG informou que continua trabalhando para confirmar outras possíveis solturas de presos políticos.

Gonzalo Himiob S, vice-presidente do Foro Penal, afirmou que, além das 24 libertações desta manhã, outras 17 já haviam sido confirmadas desde a última quinta-feira, dia 8. Ele acrescentou: “Neste momento, estamos confirmando outras libertações que também teriam ocorrido esta manhã”, indicando que o número pode ser ainda maior.

A versão do governo venezuelano

Em contrapartida, o governo da Venezuela anunciou um número muito superior de libertações. Segundo um comunicado do Ministério dos Serviços Penitenciários, 116 solturas foram “concretizadas nas últimas horas”, um dado que contrasta fortemente com o divulgado pela ONG.

O comunicado oficial acrescenta que essas recentes libertações se somam a outras 187 realizadas em dezembro, elevando o total para 303 detentos liberados em um curto período. O ministério afirmou que as solturas beneficiaram “pessoas privadas de liberdade por atos que perturbam a ordem constitucional e minam a estabilidade da nação”.

Reivindicações e o contexto dos presos políticos

A libertação de presos políticos é uma pauta constante e uma das principais reivindicações da oposição venezuelana, que há anos denuncia a existência de centenas de detentos considerados prisioneiros de consciência pelo regime.

Organizações de direitos humanos, tanto nacionais quanto internacionais, reiteram que a Venezuela possui um número expressivo de pessoas presas por suas posições políticas ou por atos de protesto. A disparidade nos números de libertações entre o governo e as ONGs reflete a complexidade e a falta de transparência em relação à situação carcerária no país.

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