O príncipe herdeiro do Irã, Reza Pahlavi, afirmou nesta sexta-feira (16) que os protestos em massa que varrem o país são um sinal claro de que o regime islâmico será derrubado. Vivendo em Washington, Pahlavi intensifica seus apelos por apoio internacional, buscando solidificar sua posição como uma alternativa de governo para a nação persa.
Filho do último xá do Irã, Mohammad Reza Pahlavi, ele tem se apresentado como o líder de uma transição para uma democracia secular. Contudo, enfrenta críticas de outros exilados que questionam seu contato com a realidade dos iranianos dentro do país.
Seu posicionamento ocorre em um momento de intensa mobilização popular no Irã, com manifestações que, segundo ele, inevitavelmente levarão à queda dos aiatolás, conforme informações divulgadas pela imprensa.
Apelo por Ação Global e Críticas ao Regime
Pahlavi não hesita em prever o fim da república islâmica, declarando: “A república islâmica cairá, é apenas uma questão de tempo“, afirmou ele. O príncipe herdeiro do Irã tem tentado convencer o então presidente dos EUA, Donald Trump, a intervir militarmente para apoiar os manifestantes, uma estratégia que levanta debates internacionais.
Ele argumentou que Trump, sendo “um homem de palavra“, deveria “ficar ao lado do povo iraniano, como disse“. Pahlavi enfatizou a urgência da situação, afirmando que “o povo iraniano está tomando ações decisivas. Agora é hora de a comunidade internacional se juntar a eles plenamente“.
Israel e as monarquias do Golfo, no entanto, opõem-se a uma ação militar direta, temendo retaliações e duvidando da eficácia de ataques aéreos para derrubar o regime, segundo relatos da imprensa americana. Essa divisão de opiniões reflete a complexidade do cenário geopolítico.
Ações dos EUA e o Pedido de “Ataque Cirúrgico”
Donald Trump havia alertado o Irã sobre uma possível intervenção militar caso manifestantes fossem mortos, e chegou a incentivar os iranianos a assumir o controle das instituições estatais, prometendo que “a ajuda está a caminho“. Contudo, duas semanas após tais declarações, Washington não tomou medidas militares.
Em vez disso, o republicano destacou o que chamou de fim das mortes de manifestantes, em um período em que os protestos haviam diminuído. A porta-voz do governo Trump, Karoline Leavitt, afirmou que os Estados Unidos conseguiram suspender 800 execuções no Irã após um ultimato, evidenciando uma abordagem diplomática e de pressão.
Pahlavi, por sua vez, pediu a Trump que não repetisse a política de Barack Obama e solicitou ataques à estrutura de comando da Guarda Revolucionária, uma unidade militar de elite do Irã. Ele considera essa guarda “fundamental para instituir o terror internamente e o terrorismo no exterior“.
O príncipe herdeiro do Irã foi além, pedindo um “ataque cirúrgico” e apoiando a campanha militar de Israel contra o Irã em junho, que incluiu bombardeios americanos a instalações nucleares. Ele também instou países a expulsar diplomatas iranianos e restabelecer o acesso à internet, cortado pelo regime durante os protestos.
Visão para o Futuro do Irã e o “Acordo de Ciro”
Reza Pahlavi expressa seu desejo de liderar a transição para uma democracia secular no Irã, com a realização de um referendo popular para definir o futuro sistema de governo. Ele reafirmou seu compromisso vitalício: “Reafirmo meu compromisso de vida de liderar o movimento que recuperará nosso país da força hostil anti-iraniana que o ocupa e mata seus filhos“, declarou.
Ele prometeu que um novo Irã, sob sua liderança, teria relações aprimoradas com os inimigos da república islâmica, como os EUA e Israel, e se integraria plenamente à economia global. Pahlavi mencionou a criação de um “Acordo de Ciro” para normalizar relações com Israel, em referência a Ciro, o Grande, figura histórica persa.
O príncipe herdeiro do Irã concluiu com uma promessa enfática: “Eu voltarei ao Irã“. Sua visão é de um país transformado, livre do regime atual e alinhado com valores democráticos e de cooperação internacional, marcando um ponto de inflexão nos protestos e na busca por mudança.