Agroindústria brasileira enfrenta desafios com queda de produção em novembro, impactada por fatores econômicos e comerciais globais, segundo estudo.
A produção da agroindústria brasileira registrou um desempenho negativo em novembro, indicando os desafios enfrentados por um dos pilares da economia nacional. Os números recentes acendem um alerta sobre a saúde do setor e suas perspectivas para o fechamento do ano.
Essa retração, mesmo que leve, reflete um cenário complexo, marcado tanto por decisões internas de política econômica quanto por eventos internacionais de grande relevância. Entender os motivos por trás dessa queda é fundamental para compreender o panorama econômico atual do país.
A análise detalhada dos dados revela quais segmentos conseguiram resistir e quais sofreram mais, dando pistas sobre as estratégias futuras. As informações são do Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), divulgado pela FGVAgro.
Desaceleração Econômica e Impacto Global Freiam o Setor
A produção da agroindústria brasileira teve uma queda de 0,3% em novembro de 2025, comparado ao mesmo mês do ano anterior. Esse recuo, conforme a FGVAgro, é atribuído principalmente à desaceleração da economia nacional.
A política monetária contracionista do Banco Central, que visa controlar a inflação, tem um papel significativo nesse cenário, limitando o investimento e o consumo. Essas medidas internas são cruciais para o desempenho do setor.
Além dos fatores internos, as incertezas no ambiente externo também pesaram. O relatório da FGVAgro destaca o impacto das tarifas de importação que haviam sido impostas aos produtos brasileiros pelo governo do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Essas barreiras comerciais criaram um ambiente de instabilidade para as exportações do setor.
Setor Alimentício Cresce, Mas Outros Segmentos Recuam
Ao analisar os segmentos da agroindústria, percebe-se um desempenho heterogêneo. Apenas o setor de Produtos Alimentícios conseguiu apresentar crescimento, com uma alta de 4% em novembro.
Este resultado positivo foi crucial para mitigar a intensidade da queda geral da produção agroindustrial, mostrando a resiliência desse segmento frente aos desafios econômicos.
Em contraste, os setores de Produtos Não Alimentícios e Bebidas registraram retrações significativas. Os Produtos Não Alimentícios tiveram uma queda de 3,6%, enquanto o segmento de Bebidas apresentou um recuo ainda maior, de 4,2%. Essa disparidade mostra a seletividade dos impactos sobre a produção.
Acumulado do Ano e Perspectivas para Fechar 2025
No acumulado de janeiro a novembro de 2025, a produção agroindustrial brasileira acumula uma variação negativa de 0,2% na comparação interanual. Este dado reforça a dificuldade do setor em manter um ritmo de crescimento ao longo do ano.
Para que a agroindústria consiga encerrar o ano de 2025 com um crescimento positivo em relação a 2024, seria necessário um aumento considerável. O levantamento da FGVAgro indica que um avanço mínimo de 2,2% em dezembro, na comparação anual, seria essencial para reverter o quadro atual.
Revogação de Tarifas e a Lenta Recuperação
Apesar dos desafios, há um ponto de esperança relacionado às tarifas impostas pelos Estados Unidos. O relatório da FGVAgro pontua que, “Embora o resultado do mês não impeça que a Agroindústria tenha conseguido eliminar as perdas de 2025, claramente ainda não reflete alguma recuperação advinda da revogação das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre o setor”.
Isso sugere que, mesmo com a retirada das barreiras comerciais, os efeitos positivos ainda não se materializaram plenamente na produção da agroindústria. A expectativa é que, com o tempo, a ausência dessas tarifas possa impulsionar uma recuperação mais robusta para o setor, fortalecendo a economia nacional.