Professora Luciene Naves Correia é assassinada em Cuiabá em suposto crime planejado pelo ex-marido

A tranquila tarde de segunda-feira (16) em Cuiabá, Mato Grosso, foi brutalmente interrompida pela notícia do assassinato da professora Luciene Naves Correia, de 51 anos. A educadora foi morta a tiros em frente à sua residência, na região de Osmar Cabral. A Polícia Civil aponta o ex-marido da vítima como o principal suspeito de ter orquestrado e executado o crime, em um ato que chocou a comunidade local e reacendeu o debate sobre a violência contra a mulher.

De acordo com as investigações preliminares, o suspeito teria agido de forma premeditada. Ele teria invadido a casa da professora, desligado o padrão de energia e se escondido, aguardando que Luciene saísse para verificar o problema na rede elétrica. Ao emergir para a área externa da residência, a professora foi surpreendida e alvejada.

A filha do casal, que estava dentro da casa no momento do crime, relatou às autoridades os detalhes do planejamento do pai. A jovem, que está grávida, também teria sido alvo do agressor após o assassinato de sua mãe, mas conseguiu se refugiar em um quarto. As informações foram divulgadas pela Polícia Civil, que iniciou imediatamente as buscas pelo suspeito.

Agressor teria planejado o ataque e tentado matar a filha grávida

A dinâmica do crime, conforme narrada pela filha do casal à polícia, revela um ato de extrema crueldade e planejamento. O suspeito, identificado como o ex-marido de Luciene, de 61 anos, teria arquitetado a invasão da residência de forma meticulosa. Seu plano envolvia cortar o fornecimento de energia da casa, criando uma situação que forçaria Luciene a sair para verificar o problema.

Ao perceber a falta de luz, a professora, sem imaginar o perigo iminente, dirigiu-se à área externa da casa para investigar o quadro de energia. Foi nesse momento que o agressor, que supostamente se escondia após pular o muro, efetuou os disparos que ceifaram a vida de Luciene Naves Correia. A frieza e a premeditação do ato demonstram um possível histórico de violência e controle.

Em um desdobramento ainda mais chocante, a filha do casal, que testemunhou parte dos eventos, relatou que o pai também tentou agredi-la. A jovem, que está grávida, conseguiu se trancar em um quarto para se proteger. O agressor teria tentado arrombar a porta, mas, diante da impossibilidade de alcançá-la, fugiu do local com a arma do crime, tomando direção ao bairro Jardim Liberdade.

Ex-marido morre em confronto com policial de folga ao tentar fugir

A fuga do suspeito não durou muito tempo. Pouco tempo após cometer o assassinato de sua ex-esposa e tentar agredir a filha, o homem de 61 anos foi interceptado por um policial militar que estava de folga. O agente reconheceu o indivíduo e tentou realizar a abordagem, dando voz de prisão.

No entanto, o suspeito não demonstrou intenção de se render. De acordo com informações da polícia, ele teria resistido à prisão de forma violenta, sacando a arma utilizada no crime e apontando-a em direção ao policial. Diante da ameaça iminente à sua integridade física, o policial reagiu, efetuando disparos contra o agressor.

O confronto resultou na morte do ex-marido de Luciene Naves Correia ainda no local. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi acionado para prestar os primeiros socorros, mas apenas constatou o óbito tanto de Luciene quanto do seu ex-companheiro. A cena do crime foi isolada para os trabalhos da perícia.

Quem era Luciene Naves Correia, a professora vítima de feminicídio

Luciene Naves Correia, a professora de 51 anos que perdeu a vida de forma trágica, era uma profissional dedicada à educação pública em Cuiabá. Lotada na Escola Municipal Constança Palma Bem Bem, ela atuava na rede municipal de ensino desde 2009, prestando um serviço essencial à comunidade escolar.

Nos últimos anos, Luciene também exercia a função de CAD (Cuidadora de Aluno com Deficiência), demonstrando seu compromisso e carinho com o desenvolvimento e bem-estar de todos os seus alunos. Sua dedicação ao ensino e seu papel na formação de jovens foram amplamente reconhecidos, tornando sua perda ainda mais sentida.

A notícia de sua morte gerou comoção entre colegas de trabalho, alunos e pais. A Prefeitura de Cuiabá, através de nota oficial, lamentou o falecimento da educadora, destacando a importância de combater a violência contra a mulher. O prefeito Abilio Brunini expressou seus pêsames e pediu que a sociedade se una contra esse ciclo de violência.

Repercussão e nota de pesar de órgãos educacionais

O trágico falecimento de Luciene Naves Correia, vítima de feminicídio, repercutiu rapidamente na comunidade cuiabana, especialmente no meio educacional. A Prefeitura de Cuiabá emitiu uma nota oficial lamentando profundamente a perda da professora e reforçando a necessidade de um combate contínuo à violência de gênero.

O prefeito Abilio Brunini declarou: “Que Deus receba essa mulher com sua infinita benção. Esse ciclo de violência contra as mulheres precisa ser repudiado e combatido diariamente”. A declaração reflete a preocupação das autoridades com o aumento dos casos de feminicídio e a urgência de medidas eficazes para proteger as mulheres.

O Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-subsede de Cuiabá) também manifestou seu pesar e solidariedade aos familiares e amigos de Luciene. Em nota, o sindicato ressaltou o legado da professora em sua atuação na EMEB Constança Figueiredo Palma Bem Bem, onde seu “carinho com os alunos marcou a comunidade”. O Sintep enfatizou que “Seu legado de conhecimento, ética e amor pelo ensino permanecerá vivo em cada vida que ela tocou”.

Investigação aponta para feminicídio com planejamento e execução cruel

As circunstâncias em que ocorreu a morte de Luciene Naves Correia apontam fortemente para um caso de feminicídio, crime motivado pela condição de gênero da vítima e praticado em um contexto de violência doméstica. A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que o ex-marido da professora planejou o ataque de forma detalhada, visando não apenas matá-la, mas também causar o máximo de sofrimento e terror.

A estratégia de desligar a energia elétrica da residência e esperar que a vítima saísse para verificar o problema é um indicativo claro de premeditação. A presença da filha, que está grávida, e a tentativa de agressão contra ela, sugerem um possível padrão de violência familiar e controle exercido pelo agressor ao longo do relacionamento.

A investigação buscará coletar todas as evidências possíveis para confirmar a dinâmica dos fatos, o histórico do relacionamento entre Luciene e o agressor, e quaisquer sinais de violência prévia que pudessem ter sido ignorados. A ação rápida do policial de folga, ao interceptar o suspeito após o crime, foi crucial para evitar que ele pudesse fugir e, possivelmente, cometer outros atos violentos.

O impacto da violência contra a mulher e a busca por justiça

O caso de Luciene Naves Correia é mais um doloroso lembrete da epidemia de violência que afeta mulheres em todo o país. O feminicídio, que é o assassinato de uma mulher por razões da sua condição de gênero, é a expressão máxima dessa violência e exige atenção e ação urgentes por parte da sociedade e do poder público.

A morte de Luciene não apenas tira a vida de uma profissional dedicada e amada por sua comunidade, mas também deixa marcas profundas em sua família, especialmente em sua filha, que viveu momentos de terror e perdeu a mãe em circunstâncias brutais. A gravidez da filha adiciona uma camada de fragilidade e preocupação à situação, demandando apoio psicológico e social.

A busca por justiça para Luciene e para todas as vítimas de feminicídio passa pela aplicação rigorosa da lei, pelo fortalecimento das redes de proteção à mulher e pela conscientização da sociedade sobre a gravidade e as consequências da violência de gênero. É fundamental que casos como este sejam investigados a fundo, garantindo que os responsáveis sejam punidos e que se crie um ambiente mais seguro para todas as mulheres.

Medidas de segurança e prevenção da violência doméstica

Diante de casos tão chocantes como o assassinato de Luciene Naves Correia, a discussão sobre medidas de segurança e prevenção da violência doméstica se torna ainda mais urgente. É essencial que as mulheres em situação de risco se sintam encorajadas a buscar ajuda e que os órgãos competentes ofereçam o suporte necessário para protegê-las.

Canais de denúncia como o Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) e o número de emergência 190 estão disponíveis para que mulheres em perigo possam solicitar ajuda. Além disso, delegacias especializadas de atendimento à mulher (DEAMs) oferecem acolhimento e acompanhamento jurídico e psicológico.

A sociedade como um todo tem um papel fundamental na prevenção. Isso inclui combater atitudes machistas e misóginas, educar sobre relacionamentos saudáveis e denunciar qualquer sinal de violência. O apoio às vítimas, a desconstrução de estereótipos de gênero e a promoção da igualdade são passos essenciais para erradicar a violência contra a mulher e garantir que tragédias como a de Luciene Naves Correia não se repitam.

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