O deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) e o ex-presidente do PSOL, Juliano Medeiros, formalizaram uma grave representação junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o deputado bolsonarista Gustavo Gayer (PL-GO). A ação visa investigar declarações feitas por Gayer.
Em um vídeo polêmico, o parlamentar associou diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao tráfico de drogas, com base em supostas informações de um site espanhol. A acusação gerou imediata repercussão no cenário político nacional.
Diante da gravidade das afirmações, Valente e Medeiros solicitam a instauração de um procedimento investigatório criminal para apurar possíveis crimes contra o Estado Democrático de Direito, conforme detalhado na representação entregue à PGR.
A representação foi protocolada com base em informações divulgadas pelos próprios Ivan Valente e Juliano Medeiros.
A polêmica declaração de Gustavo Gayer e a origem da acusação
O cerne da controvérsia reside em um vídeo publicado por Gustavo Gayer. Nele, o deputado bolsonarista citou reportagens do site espanhol “The Objective”, que mencionavam um ex-chefe da inteligência militar venezuelana.
Segundo o veículo, essa fonte estaria disposta a relatar um suposto financiamento do chavismo a grupos de esquerda na América Latina. O site alegou ter acesso a documentos confidenciais e informações próximas a Hugo Armando Carvajal.
Partindo desses relatos, Gayer fez uma afirmação contundente no vídeo, indicando que o presidente Lula teria recebido dinheiro oriundo do narcotráfico. Essa ligação direta provocou a forte reação do PSOL.
A base legal da representação: Crimes contra o Estado Democrático de Direito
Na peça apresentada à PGR, Valente e Medeiros argumentam que as declarações de Gayer ultrapassam o limite da crítica política. Eles afirmam que o deputado “profere declarações que visam subverter a ordem pública”.
Além disso, a representação acusa o bolsonarista de “gerar clima de instabilidade social e conspirar, por meio de acusações infundadas, contra o Chefe do Executivo e contra as organizações políticas de esquerda”.
O documento ressalta que o parlamentar teria violado a legislação que trata dos crimes contra o Estado Democrático de Direito. A acusação inclui atentar contra a soberania e “instigar atuação estrangeira que atinge a soberania do Estado Brasileiro”.
Impacto social e o alerta sobre a instabilidade
Os representantes do PSOL enfatizam o peso das palavras de Gayer, considerando sua posição como deputado federal. Eles alertam que tais declarações “possuem relevante impacto social”.
Existe a preocupação de que essas falas possam “estar relacionadas a atos preparatórios para outros delitos”. A representação faz uma comparação direta com eventos recentes na história política brasileira.
É salientado que a ofensiva de 8 de janeiro de 2023, contra as sedes dos Três Poderes em Brasília, foi precedida por “um conjunto de declarações e ameaças”, indicando um padrão preocupante de incitação à desordem.