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PT faz do combate às Big Techs um eixo central para a disputa eleitoral de 2026
O Partido dos Trabalhadores (PT) tem intensificado, nas últimas semanas, a consolidação de uma estratégia que posiciona o enfrentamento às grandes empresas de tecnologia como um pilar fundamental de sua narrativa para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026. Essa abordagem não se manifesta apenas em discursos, mas também em resoluções partidárias e iniciativas judiciais, delineando um plano abrangente para a próxima corrida eleitoral. A movimentação reflete a percepção do partido de que o ambiente digital é um campo de batalha decisivo para a disputa política e a soberania nacional.
As falas recentes do presidente Lula, que viralizaram pelo tom pitoresco e direto ao criticar a “podridão” das redes sociais e a “mentira” no mundo digital, não são meros desabafos. Elas integram uma estratégia calculada, explicitada na resolução partidária aprovada em dezembro de 2025, que visa diretamente as eleições de 2026. Essa tática busca sensibilizar a opinião pública sobre os riscos associados ao poder das plataformas digitais e propor soluções regulatórias e tecnológicas.
A linha discursiva e as ações práticas do PT e do governo indicam uma preocupação crescente com a influência das Big Techs na formação da opinião pública, na disseminação de desinformação e na potencial interferência em processos eleitorais. A abordagem multifacetada inclui desde a retórica presidencial até a judicialização de casos envolvendo plataformas e figuras políticas, conforme informações divulgadas pela fonte.
A Nova Tônica Discursiva de Lula: Críticas Contundentes ao Mundo Digital
Nas últimas semanas, o presidente Lula tem adotado um tom cada vez mais crítico em relação ao impacto das tecnologias digitais e das redes sociais na sociedade. Suas declarações, muitas vezes carregadas de expressões coloquiais, têm chamado a atenção e rapidamente se espalhado pelo ambiente online, justamente o alvo de suas críticas. Essas falas, longe de serem improvisadas, são parte integrante da estratégia petista para 2026, buscando associar as plataformas digitais a problemas sociais e políticos graves.
Em um dos episódios mais marcantes, na terça-feira (20), Lula afirmou com um tom debochado que não mantém uma relação cotidiana com celulares. “Eu não tenho celular, eu só uso celular para as minhas coisas de serviço, que eu peço para os meus companheiros. Eu não carrego celular. Em vez de ficar carregando celular na mão, eu prefiro coçar outras coisas”, disse o presidente. Essa declaração busca, de certa forma, distanciar sua imagem de um hábito que ele próprio critica.
Poucos dias antes, outras duas declarações de Lula ganharam grande repercussão. Ao abordar o avanço da inteligência artificial, ele alertou: “Se preparem, porque a podridão não está nem começando na inteligência artificial. E todos nós gostamos de coisas fáceis”. Em outro evento, ao comentar os hábitos da cultura digital, o presidente fez uma crítica direta ao uso excessivo dos smartphones, dizendo: “Nós estamos vivendo um mundo da mentira, nós estamos vivendo uma situação muito delicada. Vocês vivem no celular. Levanta de manhã, nem beija o marido e já pega o celular, vai deitar, ao invés de dar um beijinho, vai pegar o celular, vai ver notícia, meia-noite: ‘morreu um ganso’, ‘morreu um pato’, ‘morreu um cachorro’, sabe? Ao invés de ficar olhando para a cara da mulher e conversando com ela e fazendo carinho, fica no celular”. Essas falas buscam criar um senso de urgência e preocupação em relação ao impacto das tecnologias na vida pessoal e social.
O Conceito de Colonialismo Digital e a Soberania Nacional
A retórica do PT e do governo Lula contra as Big Techs transcende a crítica aos hábitos digitais e se aprofunda em conceitos como o de “colonialismo digital”. Essa expressão tem sido frequentemente utilizada por membros do partido, incluindo o secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, para caracterizar a atuação das grandes plataformas globais no Brasil. O termo sugere que essas empresas exercem um controle desproporcional sobre os fluxos de informação, os dados e a própria infraestrutura digital, afetando a soberania e a autonomia dos países.
O próprio presidente Lula já havia empregado a mesma expressão em ocasiões anteriores, demonstrando a consistência dessa linha de pensamento dentro do governo. Em novembro de 2025, durante uma reunião do G20, o presidente afirmou que a inteligência artificial tem o potencial de aprofundar as desigualdades globais. “Quando poucos controlam algoritmos, dados e infraestruturas, a inovação passa a gerar exclusão. É fundamental evitar uma nova forma de colonialismo: o digital”, declarou, ligando o controle tecnológico à concentração de poder e à exclusão social.
Antes disso, em março de 2025, Lula já havia usado o termo ao discursar na cerimônia de posse do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Na ocasião, ele afirmou que as redes sociais concentram um “poder absolutista” nas mãos das “oligarquias digitais”. Segundo o presidente, seria necessário um “arcabouço jurídico robusto” para enfrentar o que classificou como risco de colonialismo digital. Essa visão sustenta a necessidade de regulação e de um maior controle nacional sobre o ambiente digital, considerado essencial para a defesa da democracia e da soberania.
A Resolução Partidária de Dezembro de 2025: O Roteiro Estratégico para 2026
A motivação por trás das declarações e ações do PT contra as Big Techs é sistematizada na resolução política aprovada pelo partido em dezembro de 2025. Esse documento, elaborado com vistas às eleições de 2026, trata a atuação das grandes plataformas digitais como um dos principais fatores de risco ao processo eleitoral e à soberania nacional, servindo como um verdadeiro roteiro para a estratégia partidária.
Em um dos trechos mais enfáticos, o partido afirma categoricamente: “Não haverá eleição sem interferência externa, como já ocorreu com o tarifaço e com a pressão norte-americana pela não regulação das Big Techs, incluindo ameaças inaceitáveis contra ministros da Suprema Corte e membros do governo. A disputa geopolítica condiciona a disputa interna, e o PT deve estar preparado para enfrentar tentativas de desestabilização e manipulação digital de larga escala”. Essa passagem revela a percepção de que as eleições brasileiras são vulneráveis a influências externas mediadas pelas plataformas.
A resolução insere o debate sobre comunicação digital no centro da estratégia política do partido, elevando sua importância a um patamar decisivo. “Na disputa política e cultural, a comunicação e a soberania digital assumem papel estratégico. A regulação das Big Techs, o empoderamento das redes progressistas, o fortalecimento da comunicação pública e a construção de uma presença massiva e coordenada nas plataformas digitais são condições decisivas para disputar corações e mentes, bloquear a desinformação e proteger o processo eleitoral”, detalha outro trecho. O documento, portanto, não apenas diagnostica um problema, mas também propõe um conjunto de soluções e táticas para enfrentá-lo na arena política.
Comunicação e Soberania Digital no Coração da Estratégia Petista
A resolução política do PT de dezembro de 2025 não se limita a denunciar os riscos impostos pelas Big Techs, mas propõe um plano de ação abrangente para a comunicação e a soberania digital, consideradas cruciais para a defesa da democracia e a proteção do processo eleitoral em 2026. O documento argumenta que o Brasil estaria sob ameaça devido ao novo arranjo tecnológico global, que concentra poder e influência nas mãos de poucas corporações.
“O Partido dos Trabalhadores afirma que a soberania nacional no século XXI depende, de forma decisiva, da soberania digital. O processo de transformação estrutural do capitalismo contemporâneo, marcado pela centralidade das plataformas e pela concentração inédita de dados, infraestrutura computacional e poder algorítmico, inaugurou uma nova morfologia do poder global, na qual empresas privadas controlam fluxos de informação, moldam comportamentos e influenciam diretamente a disputa política”, explica o texto. Essa análise profunda ressalta a dimensão geopolítica e econômica do desafio.
A tese central é que a capacidade de um país de se autodeterminar, de proteger seus interesses e de garantir a legitimidade de suas instituições democráticas está intrinsecamente ligada à sua capacidade de controlar seu ambiente digital. Isso implica não apenas regular as empresas estrangeiras, mas também desenvolver capacidades tecnológicas próprias para evitar a subordinação. O partido, assim, busca construir um arcabouço que permita ao Estado e à sociedade brasileiras exercerem maior controle sobre as ferramentas e os fluxos de informação que moldam a vida pública.
O Novo Regime de Poder Global e o Fortalecimento da Extrema-Direita
A resolução do PT de dezembro de 2025 faz uma conexão explícita entre o cenário de concentração de poder digital e o fortalecimento da extrema-direita, um ponto crucial para a estratégia eleitoral de 2026. O partido argumenta que a dinâmica das plataformas, com seus algoritmos opacos, favorece a disseminação de conteúdos extremistas e desinformação, que são frequentemente explorados por grupos políticos com pautas radicais.
“A defesa da democracia exige enfrentar esse novo regime, no qual algoritmos opacos definem o alcance e a existência pública das narrativas, favorecendo a extrema-direita por meio de dinâmicas que privilegiam conteúdos explosivos e desinformação”, diz a resolução. Essa análise sugere que a arquitetura das plataformas digitais, ao priorizar o engajamento através de conteúdos polarizadores, inadvertidamente ou não, amplifica vozes e narrativas que podem minar o debate democrático e a coesão social.
Diante desse diagnóstico, o documento defende a implementação de medidas rigorosas para mitigar esses efeitos. Entre as propostas, destacam-se “um regime robusto de transparência e responsabilização algorítmica, com auditorias independentes, interoperabilidade entre serviços, moderação responsável e combate a práticas predatórias que sequestram o espaço público digital”. Essas ações visam a coibir a manipulação e a garantir um ambiente digital mais equitativo e seguro para o debate político, fundamental para a proteção do processo eleitoral.
Propostas para a Construção de Capacidades Tecnológicas Nacionais e a Autonomia Digital
Além da regulação das Big Techs, a estratégia do PT para a soberania digital e as eleições de 2026 abarca uma dimensão mais ambiciosa: a construção de estruturas tecnológicas próprias do Brasil. A resolução partidária enfatiza que a autonomia digital é um componente vital da soberania nacional, e que o país não pode permanecer refém do oligopólio global das grandes corporações de tecnologia.
“Ao mesmo tempo, a soberania digital requer a construção de capacidades tecnológicas próprias, com uma política nacional que articule uma rede pública de dados, padrões tecnológicos abertos, centros de computação de alta performance, incentivos à pesquisa em inteligência artificial aberta e fortalecimento de empresas, universidades e startups brasileiras”, detalha o documento. Essa visão aponta para um investimento estratégico em infraestrutura e inovação tecnológica, visando a redução da dependência externa e o desenvolvimento de soluções nacionais.
O texto reitera que o Brasil “não pode permanecer subordinado ao oligopólio global das Big Techs”, sublinhando a urgência de tal política. A proposta visa criar um ecossistema digital robusto e autônomo, capaz de garantir a segurança dos dados, a privacidade dos cidadãos e a resiliência do sistema democrático frente a possíveis interferências. A construção dessas capacidades é vista como um passo essencial para que o país possa definir seus próprios rumos no cenário digital global, protegendo-se de influências e pressões externas.
A Judicialização como Parte da Estratégia Contra Big Techs e a Direita
Paralelamente ao discurso político e ao programa para o futuro, o PT tem utilizado o Judiciário como uma ferramenta ativa em sua estratégia contra as plataformas digitais e adversários políticos. Essa abordagem, que se intensificou nas últimas semanas, demonstra a disposição do partido em usar todos os meios disponíveis para confrontar o que considera ameaças à democracia e à soberania digital, especialmente com vistas a 2026.
Em 15 de dezembro de 2025, o partido informou que acionaria o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após o desaparecimento de perfis de esquerda no Instagram e no Facebook durante a votação do chamado PL da Dosimetria, em 10 de dezembro. Segundo o partido, páginas de lideranças petistas e do PSOL não apareciam nas buscas das plataformas no mesmo dia em que a Câmara aprovou o projeto que reduzia penas de condenados pela suposta tentativa de golpe de Estado. A legenda alegou que o episódio teria impacto direto no debate político e eleitoral, justificando uma intervenção das cortes superiores, embora a Meta tenha alegado problemas técnicos e reativado os perfis.
Mais recentemente, em 16 de janeiro, o PT protocolou representações na Procuradoria da República no Distrito Federal e na Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) pedindo providências contra o assistente de inteligência artificial Grok, da xAI. O partido solicitou a abertura de investigação e a adoção de medidas que poderiam chegar ao “bloqueio ou até banimento do serviço em território nacional”. As petições alegam que o Grok teria gerado imagens falsas de teor sexual envolvendo pessoas reais, inclusive crianças e adolescentes, e que a legislação brasileira já permitiria a suspensão ou banimento do serviço sem necessidade de novas leis.
Ações Contra Desinformação e o Caso Nikolas Ferreira: Protegendo o Debate Público
A estratégia de judicialização do PT não se restringe apenas às Big Techs em si, mas também mira na desinformação e em figuras políticas adversárias que, na visão do partido, utilizam as plataformas para disseminar conteúdos enganosos. Um caso recente ilustra essa vertente da estratégia, envolvendo a atuação de aliados do governo contra o deputado federal Nikolas Ferreira.
O deputado federal Rogério Correia, vice-líder do governo Lula na Câmara, acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) contra seu opositor por um vídeo publicado nas redes sociais. No post, Nikolas Ferreira afirmava que uma instrução normativa relacionada ao Pix poderia facilitar o monitoramento de transações pelo governo e prejudicar a privacidade dos cidadãos. Essa alegação, segundo o governo, constituiria desinformação, dada a natureza e o objetivo da normativa.
No pedido, Correia solicitou a “instauração de um inquérito para apurar crime de desinformação e fake news”. Segundo a representação, teria havido “difusão pública e massiva de informações materialmente falsas e juridicamente distorcidas acerca de atos normativos da Administração Tributária Federal”. Esse tipo de ação demonstra a determinação do PT em combater aquilo que considera manipulação digital e desinformação, buscando responsabilizar não apenas as plataformas, mas também os indivíduos que as utilizam para difundir conteúdos tidos como falsos ou distorcidos, um ponto crucial na preparação para a acirrada disputa eleitoral de 2026.
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PT faz do combate às Big Techs um eixo central para a disputa eleitoral de 2026
O Partido dos Trabalhadores (PT) tem intensificado, nas últimas semanas, a consolidação de uma estratégia que posiciona o enfrentamento às grandes empresas de tecnologia como um pilar fundamental de sua narrativa para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026. Essa abordagem não se manifesta apenas em discursos, mas também em resoluções partidárias e iniciativas judiciais, delineando um plano abrangente para a próxima corrida eleitoral. A movimentação reflete a percepção do partido de que o ambiente digital é um campo de batalha decisivo para a disputa política e a soberania nacional.
As falas recentes do presidente Lula, que viralizaram pelo tom pitoresco e direto ao criticar a “podridão” das redes sociais e a “mentira” no mundo digital, não são meros desabafos. Elas integram uma estratégia calculada, explicitada na resolução partidária aprovada em dezembro de 2025, que visa diretamente as eleições de 2026. Essa tática busca sensibilizar a opinião pública sobre os riscos associados ao poder das plataformas digitais e propor soluções regulatórias e tecnológicas.
A linha discursiva e as ações práticas do PT e do governo indicam uma preocupação crescente com a influência das Big Techs na formação da opinião pública, na disseminação de desinformação e na potencial interferência em processos eleitorais. A abordagem multifacetada inclui desde a retórica presidencial até a judicialização de casos envolvendo plataformas e figuras políticas, conforme informações divulgadas pela fonte.
A Nova Tônica Discursiva de Lula: Críticas Contundentes ao Mundo Digital
Nas últimas semanas, o presidente Lula tem adotado um tom cada vez mais crítico em relação ao impacto das tecnologias digitais e das redes sociais na sociedade. Suas declarações, muitas vezes carregadas de expressões coloquiais, têm chamado a atenção e rapidamente se espalhado pelo ambiente online, justamente o alvo de suas críticas. Essas falas, longe de serem improvisadas, são parte integrante da estratégia petista para 2026, buscando associar as plataformas digitais a problemas sociais e políticos graves.
Em um dos episódios mais marcantes, na terça-feira (20), Lula afirmou com um tom debochado que não mantém uma relação cotidiana com celulares. “Eu não tenho celular, eu só uso celular para as minhas coisas de serviço, que eu peço para os meus companheiros. Eu não carrego celular. Em vez de ficar carregando celular na mão, eu prefiro coçar outras coisas”, disse o presidente. Essa declaração busca, de certa forma, distanciar sua imagem de um hábito que ele próprio critica, ao mesmo tempo em que provoca a reflexão sobre o uso excessivo desses dispositivos.
Poucos dias antes, outras duas declarações de Lula ganharam grande repercussão. Ao abordar o avanço da inteligência artificial, ele alertou: “Se preparem, porque a podridão não está nem começando na inteligência artificial. E todos nós gostamos de coisas fáceis”. Essa frase sublinha a preocupação com o potencial nocivo das novas tecnologias, especialmente a IA, na disseminação de conteúdo problemático e na manipulação de informações. Em outro evento, ao comentar os hábitos da cultura digital, o presidente fez uma crítica direta ao uso excessivo dos smartphones, dizendo: “Nós estamos vivendo um mundo da mentira, nós estamos vivendo uma situação muito delicada. Vocês vivem no celular. Levanta de manhã, nem beija o marido e já pega o celular, vai deitar, ao invés de dar um beijinho, vai pegar o celular, vai ver notícia, meia-noite: ‘morreu um ganso’, ‘morreu um pato’, ‘morreu um cachorro’, sabe? Ao invés de ficar olhando para a cara da mulher e conversando com ela e fazendo carinho, fica no celular”. Essas falas buscam criar um senso de urgência e preocupação em relação ao impacto das tecnologias na vida pessoal e social, conectando o uso individual à sua visão sobre a “podridão” do ambiente digital.
O Conceito de Colonialismo Digital e a Soberania Nacional
A retórica do PT e do governo Lula contra as Big Techs transcende a crítica aos hábitos digitais e se aprofunda em conceitos como o de “colonialismo digital”. Essa expressão tem sido frequentemente utilizada por membros do partido, incluindo o secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, para caracterizar a atuação das grandes plataformas globais no Brasil. O termo sugere que essas empresas exercem um controle desproporcional sobre os fluxos de informação, os dados e a própria infraestrutura digital, afetando a soberania e a autonomia dos países, transformando-os em meros consumidores de tecnologia controlada por potências estrangeiras.
O próprio presidente Lula já havia empregado a mesma expressão em ocasiões anteriores, demonstrando a consistência dessa linha de pensamento dentro do governo. Em novembro de 2025, durante uma reunião do G20, o presidente afirmou que a inteligência artificial tem o potencial de aprofundar as desigualdades globais. “Quando poucos controlam algoritmos, dados e infraestruturas, a inovação passa a gerar exclusão. É fundamental evitar uma nova forma de colonialismo: o digital”, declarou. Essa fala liga diretamente o controle tecnológico à concentração de poder econômico e social, bem como à exclusão de nações em desenvolvimento da vanguarda tecnológica.
Antes disso, em março de 2025, Lula já havia usado o termo ao discursar na cerimônia de posse do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Na ocasião, ele afirmou que as redes sociais concentram um “poder absolutista” nas mãos das “oligarquias digitais”. Segundo o presidente, seria necessário um “arcabouço jurídico robusto” para enfrentar o que classificou como risco de colonialismo digital. Essa visão sustenta a necessidade premente de regulação e de um maior controle nacional sobre o ambiente digital, considerado essencial para a defesa da democracia, da autodeterminação e da soberania do Brasil diante de um cenário global de crescente dependência tecnológica.
A Resolução Partidária de Dezembro de 2025: O Roteiro Estratégico para 2026
A motivação por trás das declarações e ações do PT contra as Big Techs é sistematizada na resolução política aprovada pelo partido em dezembro de 2025. Esse documento, elaborado com vistas às eleições de 2026, trata a atuação das grandes plataformas digitais como um dos principais fatores de risco ao processo eleitoral e à soberania nacional, servindo como um verdadeiro roteiro para a estratégia partidária e suas ações futuras. A resolução não apenas formaliza a preocupação, mas também estabelece diretrizes claras para o enfrentamento.
Em um dos trechos mais enfáticos, o partido afirma categoricamente: “Não haverá eleição sem interferência externa, como já ocorreu com o tarifaço e com a pressão norte-americana pela não regulação das Big Techs, incluindo ameaças inaceitáveis contra ministros da Suprema Corte e membros do governo. A disputa geopolítica condiciona a disputa interna, e o PT deve estar preparado para enfrentar tentativas de desestabilização e manipulação digital de larga escala”. Essa passagem revela a percepção de que as eleições brasileiras são vulneráveis a influências externas mediadas pelas plataformas, que podem ser utilizadas como instrumentos de pressão política e econômica.
A resolução insere o debate sobre comunicação digital no centro da estratégia política do partido, elevando sua importância a um patamar decisivo. “Na disputa política e cultural, a comunicação e a soberania digital assumem papel estratégico. A regulação das Big Techs, o empoderamento das redes progressistas, o fortalecimento da comunicação pública e a construção de uma presença massiva e coordenada nas plataformas digitais são condições decisivas para disputar corações e mentes, bloquear a desinformação e proteger o processo eleitoral”, detalha outro trecho. O documento, portanto, não apenas diagnostica um problema, mas também propõe um conjunto de soluções e táticas para enfrentá-lo na arena política e cultural, visando à proteção do processo democrático e à consolidação da soberania nacional no ambiente digital.
Comunicação e Soberania Digital no Coração da Estratégia Petista
A resolução política do PT de dezembro de 2025 não se limita a denunciar os riscos impostos pelas Big Techs, mas propõe um plano de ação abrangente para a comunicação e a soberania digital, consideradas cruciais para a defesa da democracia e a proteção do processo eleitoral em 2026. O documento argumenta que o Brasil estaria sob ameaça devido ao novo arranjo tecnológico global, que concentra poder e influência nas mãos de poucas corporações transnacionais, criando uma assimetria de poder sem precedentes.
“O Partido dos Trabalhadores afirma que a soberania nacional no século XXI depende, de forma decisiva, da soberania digital. O processo de transformação estrutural do capitalismo contemporâneo, marcado pela centralidade das plataformas e pela concentração inédita de dados, infraestrutura computacional e poder algorítmico, inaugurou uma nova morfologia do poder global, na qual empresas privadas controlam fluxos de informação, moldam comportamentos e influenciam diretamente a disputa política”, explica o texto. Essa análise profunda ressalta a dimensão geopolítica e econômica do desafio, apontando para a necessidade de o Estado brasileiro reafirmar seu papel regulador e protetor.
A tese central é que a capacidade de um país de se autodeterminar, de proteger seus interesses e de garantir a legitimidade de suas instituições democráticas está intrinsecamente ligada à sua capacidade de controlar seu ambiente digital. Isso implica não apenas regular as empresas estrangeiras, mas também desenvolver capacidades tecnológicas próprias para evitar a subordinação. O partido, assim, busca construir um arcabouço que permita ao Estado e à sociedade brasileiras exercerem maior controle sobre as ferramentas e os fluxos de informação que moldam a vida pública, garantindo que o espaço digital sirva aos interesses nacionais e à democracia, e não apenas aos lucros e agendas de corporações globais.
O Novo Regime de Poder Global e o Fortalecimento da Extrema-Direita
A resolução do PT de dezembro de 2025 faz uma conexão explícita entre o cenário de concentração de poder digital e o fortalecimento da extrema-direita, um ponto crucial para a estratégia eleitoral de 2026. O partido argumenta que a dinâmica das plataformas, com seus algoritmos opacos, favorece a disseminação de conteúdos extremistas e desinformação, que são frequentemente explorados por grupos políticos com pautas radicais para manipular a opinião pública e influenciar resultados eleitorais.
“A defesa da democracia exige enfrentar esse novo regime, no qual algoritmos opacos definem o alcance e a existência pública das narrativas, favorecendo a extrema-direita por meio de dinâmicas que privilegiam conteúdos explosivos e desinformação”, diz a resolução. Essa análise sugere que a arquitetura das plataformas digitais, ao priorizar o engajamento através de conteúdos polarizadores e sensacionalistas, inadvertidamente ou não, amplifica vozes e narrativas que podem minar o debate democrático, desestabilizar instituições e corroer a coesão social.
Diante desse diagnóstico, o documento defende a implementação de medidas rigorosas para mitigar esses efeitos. Entre as propostas, destacam-se “um regime robusto de transparência e responsabilização algorítmica, com auditorias independentes, interoperabilidade entre serviços, moderação responsável e combate a práticas predatórias que sequestram o espaço público digital”. Essas ações visam a coibir a manipulação, promover a equidade no acesso à informação e garantir um ambiente digital mais democrático, justo e seguro para o debate político, fundamental para a proteção do processo eleitoral e a manutenção da estabilidade institucional.
Propostas para a Construção de Capacidades Tecnológicas Nacionais e a Autonomia Digital
Além da regulação das Big Techs, a estratégia do PT para a soberania digital e as eleições de 2026 abarca uma dimensão mais ambiciosa: a construção de estruturas tecnológicas próprias do Brasil. A resolução partidária enfatiza que a autonomia digital é um componente vital da soberania nacional, e que o país não pode permanecer refém do oligopólio global das grandes corporações de tecnologia, que controlam dados, infraestrutura e algoritmos essenciais para o funcionamento da sociedade moderna.
“Ao mesmo tempo, a soberania digital requer a construção de capacidades tecnológicas próprias, com uma política nacional que articule uma rede pública de dados, padrões tecnológicos abertos, centros de computação de alta performance, incentivos à pesquisa em inteligência artificial aberta e fortalecimento de empresas, universidades e startups brasileiras”, detalha o documento. Essa visão aponta para um investimento estratégico e coordenado em infraestrutura e inovação tecnológica, visando a redução da dependência externa e o desenvolvimento de soluções nacionais que atendam às necessidades e aos interesses do país.
O texto reitera que o Brasil “não pode permanecer subordinado ao oligopólio global das Big Techs”, sublinhando a urgência de tal política. A proposta visa criar um ecossistema digital robusto e autônomo, capaz de garantir a segurança dos dados, a privacidade dos cidadãos e a resiliência do sistema democrático frente a possíveis interferências. A construção dessas capacidades é vista como um passo essencial para que o país possa definir seus próprios rumos no cenário digital global, protegendo-se de influências e pressões externas que possam comprometer sua autonomia e seu desenvolvimento.
A Judicialização como Parte da Estratégia Contra Big Techs e a Direita
Paralelamente ao discurso político e ao programa para o futuro, o PT tem utilizado o Judiciário como uma ferramenta ativa em sua estratégia contra as plataformas digitais e adversários políticos. Essa abordagem, que se intensificou nas últimas semanas, demonstra a disposição do partido em usar todos os meios disponíveis para confrontar o que considera ameaças à democracia e à soberania digital, especialmente com vistas à crucial disputa eleitoral de 2026.
Em 15 de dezembro de 2025, o partido informou que acionaria o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após o desaparecimento de perfis de esquerda no Instagram e no Facebook durante a votação do chamado PL da Dosimetria, em 10 de dezembro. Segundo o partido, páginas de lideranças petistas e do PSOL não apareciam nas buscas das plataformas no mesmo dia em que a Câmara aprovou o projeto que reduzia penas de condenados pela suposta tentativa de golpe de Estado. A legenda alegou que o episódio teria impacto direto no debate político e eleitoral, justificando uma intervenção das cortes superiores, embora a Meta tenha alegado problemas técnicos e reativado os perfis em questão.
Mais recentemente, em 16 de janeiro, o PT protocolou representações na Procuradoria da Repúblca no Distrito Federal e na Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) pedindo providências contra o assistente de inteligência artificial Grok, da xAI. O partido solicitou a abertura de investigação e a adoção de medidas que poderiam chegar ao “bloqueio ou até banimento do serviço em território nacional”. As petições alegam que o Grok teria gerado imagens falsas de teor sexual envolvendo pessoas reais, inclusive crianças e adolescentes, e que a legislação brasileira já permitiria a suspensão ou banimento do serviço sem necessidade de novas leis, configurando uma ação preventiva e baseada em marcos legais existentes.
Ações Contra Desinformação e o Caso Nikolas Ferreira: Protegendo o Debate Público
A estratégia de judicialização do PT não se restringe apenas às Big Techs em si, mas também mira na desinformação e em figuras políticas adversárias que, na visão do partido, utilizam as plataformas para disseminar conteúdos enganosos. Um caso recente ilustra essa vertente da estratégia, envolvendo a atuação de aliados do governo contra o deputado federal Nikolas Ferreira, um dos principais expoentes da oposição nas redes sociais.
O deputado federal Rogério Correia, vice-líder do governo Lula na Câmara, acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) contra seu opositor por um vídeo publicado nas redes sociais. No post, Nikolas Ferreira afirmava que uma instrução normativa relacionada ao Pix poderia facilitar o monitoramento de transações pelo governo e prejudicar a privacidade dos cidadãos. Essa alegação, segundo o governo, constituiria desinformação, dada a natureza e o objetivo da normativa, que visava aprimorar a fiscalização de grandes movimentações financeiras para combater atividades ilícitas, sem ferir a privacidade dos usuários comuns.
No pedido, Correia solicitou a “instauração de um inquérito para apurar crime de desinformação e fake news”. Segundo a representação, teria havido “difusão pública e massiva de informações materialmente falsas e juridicamente distorcidas acerca de atos normativos da Administração Tributária Federal”. Esse tipo de ação demonstra a determinação do PT em combater aquilo que considera manipulação digital e desinformação, buscando responsabilizar não apenas as plataformas, mas também os indivíduos que as utilizam para difundir conteúdos tidos como falsos ou distorcidos, um ponto crucial na preparação para a acirrada disputa eleitoral de 2026 e na tentativa de moldar o ambiente informacional.
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