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“title”: “PUC-SP: Aula com Erika Hilton e representante de grupo classificado como terrorista nos EUA gera polêmica”,
“subtitle”: “Evento promovido pelo Núcleo de Gênero da Psicologia da PUC-SP traz Rawa Alsagheer, ligada ao Samidoun, rede internacional que enfrenta acusações de antissemitismo e ligação com o Hamas.”,
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PUC-SP sediará debate com Erika Hilton e ativista ligada a grupo considerado terrorista por EUA e Canadá
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Uma aula aberta em defesa das mulheres, agendada para a próxima segunda-feira (9) na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), gerou controvérsia ao anunciar como uma de suas convidadas Rawa Alsagheer, coordenadora do grupo Samidoun. A Samidoun é uma rede internacional acusada de antissemitismo e classificada como organização terrorista por países como Estados Unidos e Canadá. O evento, promovido pelo Núcleo de Gênero do curso de Psicologia da instituição, visa debater temas como a defesa da vida das mulheres, o fim do imperialismo e a democracia.
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A presença de Alsagheer, descrita como cineasta e ativista política palestina, ao lado da deputada federal Erika Hilton (Psol), levanta questionamentos sobre as escolhas curatoriais do evento e a associação da universidade a grupos com histórico de polêmicas internacionais. A Samidoun, que se dedica à solidariedade com prisioneiros palestinos, tem sido alvo de proibições e sanções em diversas nações devido a alegações de ligação com o Hamas e disseminação de propaganda anti-Israel.
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O debate na PUC-SP aborda ainda o fim da escala 6×1, uma pauta trabalhista que afeta principalmente mulheres no setor de serviços. A inclusão de Rawa Alsagheer, no entanto, ofusca o debate principal para muitos observadores, que apontam para o grave contexto internacional em que a Samidoun está inserida. Conforme informações divulgadas pela imprensa e por agências internacionais.
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Quem é Rawa Alsagheer e qual a polêmica envolvendo o Samidoun?
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Rawa Alsagheer é apresentada na divulgação do evento como uma cineasta e ativista política palestina, nascida na Síria. Ela atua como coordenadora do Samidoun, uma rede internacional que se autodenomina de solidariedade aos prisioneiros palestinos. O grupo, que possui capítulos em diversos países, incluindo Brasil, Estados Unidos e Alemanha, surgiu após uma greve de fome de palestinos em prisões israelenses em 2011. O Samidoun afirma que seu trabalho consiste em conscientizar e fornecer recursos sobre os presos políticos palestinos, suas condições e sua luta por liberdade.
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No entanto, o grupo Samidoun enfrenta sérias acusações internacionais. Em novembro de 2023, a Alemanha proibiu as atividades da organização em seu território, com a ministra do Interior alemã, Nancy Faeser, classificando-a como uma rede que dissemina propaganda anti-Israel e antijudaica, e que apoiou e glorificou organizações terroristas, como o Hamas. Faeser destacou as celebrações do grupo após os ataques do Hamas em Israel, qualificando-as como uma demonstração de antissemitismo e desconsideração pela vida humana.
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A situação se agravou em outubro de 2024, quando o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, em ação conjunta com o Canadá, sancionou o Samidoun. Os EUA o classificaram como uma instituição de caridade simulada que opera como arrecadadora internacional de fundos para a Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), considerada uma organização terrorista por vários países. O Canadá também incluiu o Samidoun em sua lista de entidades terroristas.
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Segundo o governo americano, o Samidoun atua como uma organização de fachada para a FPLP em países onde o grupo é ilegal. Embora o Samidoun alegue apoiar prisioneiros palestinos e suas famílias, os EUA sustentam que, na prática, o grupo oferece apoio financeiro à FPLP. Israel já havia classificado o Samidoun como organização terrorista em 2021, por atuar no exterior em nome da FPLP, conforme recomendação do Shin Bet, a agência de segurança israelense.
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Alemanha e EUA classificam Samidoun como terrorista e antissemita
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As acusações contra o Samidoun ganharam peso internacional com as ações da Alemanha e dos Estados Unidos. A Alemanha, em novembro de 2023, não apenas proibiu as atividades do grupo, mas também expressou forte repúdio às suas ações. A ministra do Interior alemã, Nancy Faeser, declarou que a Samidoun “dissemina propaganda anti-Israel e antijudaica” e que, com suas celebrações após os ataques do Hamas em Israel, revelou um antissemitismo e uma absoluta falta de consideração pela vida humana.
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A decisão alemã foi um marco, refletindo uma postura rígida contra organizações consideradas promotoras de ódio e terrorismo. A associação do Samidoun com o Hamas, um grupo já classificado como terrorista pela União Europeia, foi um fator determinante para essa proibição.
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Nos Estados Unidos, a classificação como organização terrorista, formalizada em outubro de 2024 em conjunto com o Canadá, teve um impacto significativo. O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac) do Departamento do Tesouro americano detalhou que o Samidoun opera como uma fachada para a FPLP, utilizando seu status de caridade para arrecadar fundos destinados ao grupo terrorista. Essa ação visa cortar o financiamento de organizações consideradas ameaça à segurança internacional.
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Samidoun e sua relação com a FPLP e o Hamas
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A ligação do Samidoun com a Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) é um dos pontos centrais das acusações que levaram à sua designação como organização terrorista por vários países. Segundo o governo dos Estados Unidos, o Samidoun foi criado pela FPLP e serve como sua entidade de fachada em países onde o grupo é proibido. A alegação é que, apesar de o Samidoun declarar apoio a prisioneiros palestinos, sua ação principal é o financiamento da FPLP.
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A FPLP é um grupo político e militar palestino conhecido por sua história de ações violentas. Sua inclusão nas listas de organizações terroristas por países como EUA, Canadá e pela própria União Europeia confere um peso significativo às alegações contra o Samidoun.
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Além disso, o Samidoun também é acusado de proximidade e apoio ao Hamas, outro grupo classificado como terrorista. A ministra do Interior alemã, Nancy Faeser, mencionou explicitamente que o Samidoun apoiou e glorificou o Hamas, especialmente em relação aos ataques de outubro de 2023 contra Israel. Essa dupla associação com organizações consideradas extremistas e violentas é um dos principais motivos para a rejeição internacional ao grupo.
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Deportados e com status de refugiado revogado: O rastro de controvérsias do Samidoun
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A controvérsia em torno do Samidoun não se limita a acusações formais, mas também se reflete em ações concretas de países europeus contra seus representantes. Mohammed Khatib, coordenador do Samidoun na Europa, foi preso na Grécia em fevereiro deste ano e ordenado a ser deportado por razões de segurança nacional. Essa ação demonstra a preocupação de países europeus com as atividades do grupo em seu território.
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No ano anterior, em agosto de 2023, a Bélgica já havia revogado o status de refugiado de Khatib, que vivia no país desde 2010 e possuía asilo desde 2015. A decisão belga foi justificada pela propagação de ódio e pelo apoio declarado ao Hamas e à FPLP. Essa revogação de asilo indica que as autoridades belgas consideraram as ações de Khatib incompatíveis com os princípios de um país que oferece proteção.
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Esses casos de deportação e revogação de status de refugiado para líderes do Samidoun evidenciam a gravidade das acusações e a percepção de risco que o grupo representa para a segurança e a ordem pública em países europeus, conforme noticiado pelo Jerusalem Post.
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Rawa Alsagheer e a crítica ao uso de tecnologia de vigilância
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Em seu artigo publicado na seção em português da Samidoun, Rawa Alsagheer critica duramente uma empresa privada de segurança que, segundo ela, foi fundada por ex-militares israelenses e utiliza tecnologias desenvolvidas e testadas nos territórios ocupados da Palestina. Ela descreve um arsenal de vigilância que inclui reconhecimento facial em tempo real, monitoramento veicular, drones e inteligência artificial com gestão biométrica.
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Alsagheer argumenta que essas tecnologias, aplicadas em Gaza para “caçar militantes, neutralizar jornalistas, monitorar crianças e punir famílias inteiras”, são importadas para o Brasil sob o discurso de “eficiência”. Ela denuncia que a lógica por trás dessa implementação é a mesma: identificar, catalogar, controlar e punir. A ativista critica o Brasil por permitir que ex-oficiais de uma “potência ocupante” operem empresas de segurança com tecnologias oriundas de um regime acusado de crimes de guerra.
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A coordenadora do Samidoun define esse modelo de segurança como um “braço armado de um capitalismo de vigilância racial”, que estaria implementando no Brasil uma “versão tropicalizada da ocupação israelense”. Para Alsagheer, o alvo em Israel são os palestinos, enquanto no Brasil, o alvo seriam os pobres, negros, periféricos e dissidentes, sob a lógica de enquadrar a vida sob suspeita. Sua crítica aponta para a continuidade de práticas de controle social e repressão, adaptadas ao contexto brasileiro.
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Outras convidadas e a pauta do evento na PUC-SP
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Além de Erika Hilton e Rawa Alsagheer, o evento na PUC-SP conta com a presença de outras convidadas relevantes. Myrt Cruz, professora da própria PUC-SP, e Maria Fernanda Marcelino, da Sempreviva Organização Feminista e militante da Marcha Mundial das Mulheres, também estão anunciadas. A deputada Erika Hilton é destacada como autora da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa o fim da escala 6×1, uma reivindicação importante para trabalhadores, especialmente mulheres, que lidam com jornadas de trabalho extenuantes.
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Outra participante é Paola Alves de Souza, que possui formação em história e doutorado em psicologia pela USP. Sua tese de doutoramento, intitulada “A gilete do discurso não cabe na boca das travestis: Uma arqueogenealogia da retina cisgênero que fabrica tumbas”, foi financiada pelo CNPq. Na pesquisa, Paola Alves de Souza argumenta que os discursos cisnormativos historicamente aprisionaram corpos trans em regimes de estigma e controle, utilizando a arqueogenealogia foucaultiana para analisar como a “retina cisgênero” produz imagens de abjeção que associam corpos trans à violência, doença e prostituição.
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A pauta principal do evento, conforme divulgado, é a “defesa da vida das mulheres, contra o imperialismo, por democracia, soberania e pelo fim da escala 6×1”. A presença de especialistas em gênero, direitos trabalhistas e questões palestinas sugere um debate multifacetado sobre opressões e resistências no contexto contemporâneo.
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Posicionamento da PUC-SP e a liberdade de expressão
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Diante da polêmica gerada pela participação de Rawa Alsagheer, a PUC-SP se manifestou por meio de sua assessoria de imprensa. A universidade esclareceu que, embora o evento não faça parte de sua agenda oficial institucional, não se espera qualquer manifestação contrária aos seus valores estatutários e missão. A instituição reforçou que a livre manifestação do pensamento e valores humanistas são parte de seu DNA, assim como a defesa da Democracia e do Estado de Direito.
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A PUC-SP afirmou que todos os eventos realizados em seu interior devem observar esses valores. A nota oficial ressaltou que eventuais violações serão apuradas e que haverá responsabilização de indivíduos que deixem de cumprir as normas cabíveis. Essa declaração busca equilibrar a garantia da liberdade de expressão com a responsabilidade institucional de manter um ambiente acadêmico condizente com seus princípios.
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A assessoria de Erika Hilton foi procurada para confirmar sua presença no evento, mas não retornou o contato até o momento da publicação. A organização do evento, por sua vez, optou por não se manifestar sobre as críticas recebidas.
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Contexto de Tensão e Debates sobre Alianças Acadêmicas
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A inclusão de Rawa Alsagheer em um evento acadêmico na PUC-SP insere-se em um contexto de crescente escrutínio sobre as alianças e os palestrantes convidados para debates em instituições de ensino superior. As acusações contra o Samidoun, que incluem ligações com grupos terroristas e discurso de ódio, levantam questões sobre os limites da liberdade acadêmica e a responsabilidade das universidades em não dar palco a pautas que possam ser interpretadas como apoio a ações violentas ou discriminatórias.
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A defesa da causa palestina é um tema complexo e frequentemente objeto de debates acalorados. No entanto, a associação do Samidoun com organizações como o Hamas e a FPLP, ambas designadas como terroristas por países influentes, coloca o grupo em uma posição delicada e controversa. A classificação do Samidoun como entidade terrorista pelos EUA e Canadá, e sua proibição na Alemanha, são fatos que não podem ser ignorados ao se avaliar a participação de seus representantes em eventos públicos.
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A PUC-SP, ao se pronunciar, busca reafirmar seu compromisso com a liberdade de expressão e o debate democrático, ao mesmo tempo em que sinaliza que tais manifestações devem estar alinhadas com seus valores institucionais. A repercussão do evento provavelmente continuará a gerar discussões sobre a linha tênue entre a defesa de pautas políticas e a associação com grupos controversos, especialmente em um ambiente acadêmico que preza pelo rigor e pela responsabilidade social.
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