As recentes eleições presidenciais em Portugal trouxeram à tona uma figura que tem gerado intensos debates e polarizado opiniões. André Ventura, líder do partido Chega, alcançou um resultado expressivo, consolidando-se como uma força política relevante no cenário português.

Conhecido por suas posições firmes e, muitas vezes, controversas, Ventura tem sido um crítico vocal de diversas políticas e personalidades, incluindo o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, a quem frequentemente se refere como “ladrão”. Sua ascensão marca uma mudança significativa no panorama político do país, que pela primeira vez em 40 anos pode ter um segundo turno nas eleições presidenciais.

Este artigo explora a fundo quem é André Ventura, sua trajetória, suas propostas e o impacto de suas declarações na política luso-brasileira, conforme apurado em material de conteúdo analisado.

A Ascensão de uma Voz Controversa

Nascido em 15 de janeiro de 1983, André Ventura iniciou sua jornada política no Partido Social Democrata (PSD), uma das principais forças de centro-direita em Portugal. Em 2017, foi eleito vereador pelo PSD, mas sua passagem foi breve, renunciando em 2018 após sentir-se “traído” pela legenda.

Foi em 2019 que Ventura fundou o partido Chega, com o qual disputou as eleições legislativas europeias daquele ano. Sua ascensão foi notável: em 2021, candidatou-se à Presidência de Portugal, conquistando a terceira colocação com mais de 490 mil votos, demonstrando um crescente apoio popular.

Nas últimas eleições, Ventura surpreendeu ao chegar em segundo lugar, com 24,6% dos votos, atrás do socialista André Seguro, que obteve 31%. Este desempenho é um marco, especialmente considerando a alta participação popular, com quase 50% dos portugueses comparecendo às urnas, o maior índice em 20 anos.

As Críticas a Lula e a Geopolítica Brasileira

André Ventura não hesita em expressar suas opiniões, principalmente quando se trata do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2023, ainda como deputado no parlamento português, ele manifestou solidariedade aos brasileiros que, segundo ele, não aceitavam a eleição de um presidente recém-saído da prisão.

Diante de seus colegas parlamentares, Ventura chamou Lula de “bandido”. Ele afirmou: “Compreendemos a fúria e a angústia de milhões de brasileiros ao verem seu país governado por um bandido”. Essa declaração, que gerou interrupções e censura, viralizou e reforçou sua imagem de crítico contundente.

As críticas de Ventura a Lula não se limitam apenas a questões de corrupção, mas também abrangem o alinhamento geopolítico do Brasil. Ele condenou a proximidade de Lula com a Rússia e a China, além de sua hesitação em criticar ditaduras sul-americanas, posicionamentos que, segundo Ventura, contrastam com a diplomacia europeia de Portugal.

Em outro momento, antes de uma visita de Lula a Portugal, Ventura declarou: “Lula da Silva deve ser condenado por sua proximidade com a Rússia e pela incapacidade de ver o sofrimento do povo ucraniano, contrária à diplomacia que Portugal tem feito e bem, no âmbito europeu, pela sua proximidade à China, pela sua hesitação em condenar as ditaduras sul-americanas que tanta dor, pobreza e sofrimento têm causado, mas sobretudo e acima de tudo, pelo nível de corrupção que representa”.

Ainda em 2023, Ventura convocou uma manifestação onde novamente se referiu a Lula como “ladrão”, termo que passou a usar de forma constante. Questionado em dezembro de 2025 sobre a possibilidade de receber Lula, ele afirmou em entrevista na TV portuguesa que “teria dificuldade” e que “não gosta muito de estar com ladrões”, embora o fizesse se fosse para o benefício das empresas portuguesas.

Ideologia e Propostas Polêmicas

André Ventura se autodefine como um “liberal na economia e conservador nos costumes”. Essa dualidade ideológica tem sido um pilar de sua plataforma política, atraindo eleitores que buscam uma alternativa aos partidos tradicionais.

As comparações com o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro são frequentes. Ventura recebeu apoio explícito de Bolsonaro e de seus filhos nas eleições legislativas, com o capitão inclusive gravando um vídeo pedindo votos para ele e o Chega. Ventura, por sua vez, agradeceu o apoio e criticou a esquerda portuguesa.

Entre suas propostas mais marcantes, André Ventura defende uma reforma constitucional em Portugal. Ele busca a redução do número de deputados no parlamento e a aplicação da castração química ou física para condenados por estupro ou violência sexual contra crianças, além da prisão perpétua.

Outras bandeiras incluem o aumento da pena para condenados por corrupção, a limitação dos cargos de primeiro-ministro e ministros do governo apenas para cidadãos portugueses, e o fim do que ele chama de “ideologia de gênero”. Ventura também é um forte defensor de um maior controle das fronteiras, sendo por vezes classificado como anti-imigração.

Em um discurso proferido em 2024, Ventura enfatizou a necessidade de que entrem em Portugal somente aqueles que “amam” o país. Ele declarou: “Se você cometer um crime aqui, vai para a prisão por vários anos ou até décadas. Assim que cumprir a pena, não ficará nem mais um segundo neste país”.

Um Perfil Multifacetado

Antes de se dedicar integralmente à política, André Ventura construiu uma carreira acadêmica e profissional diversificada. Ele é formado em Direito pela Universidade Nova de Lisboa e possui um doutorado em Direito Público pela Universidade de Cork, na Irlanda.

Ventura também atuou como professor universitário em Portugal e ganhou popularidade como comentarista esportivo em um canal de TV. Curiosamente, sua dissertação de doutorado abordou e criticou o que ele chamou de “populismo penal”, um tema que, de certa forma, ressoa com algumas de suas propostas atuais, mas que na época era visto sob uma ótica mais crítica acadêmica.

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