O regime chavista da Venezuela libertou pelo menos 24 presos políticos em uma operação noturna realizada neste final de semana, conforme relatou a ONG Foro Penal nesta segunda-feira (12). Esta ação eleva para 41 o número total de pessoas que deixaram o cárcere nos últimos dias, em um movimento que tem gerado esperança e cautela.

As libertações ocorrem em um cenário de intensa pressão internacional sobre o governo venezuelano, especialmente vinda dos Estados Unidos. Familiares de detidos e organizações de direitos humanos acompanham de perto cada soltura, aguardando notícias sobre seus entes queridos.

A situação dos presos políticos na Venezuela permanece um tema delicado e de grande atenção global, com dados que divergem entre as fontes oficiais e as entidades que monitoram os direitos humanos no país, segundo informações divulgadas pelo Foro Penal.

Divergências nos Números Oficiais e o Cenário Carcerário

Enquanto a ONG Foro Penal confirmou a libertação de 41 pessoas nos últimos dias, o regime em vigor na Venezuela anunciou a soltura de 116 presos desde a semana passada. Essa disparidade nos números ressalta a falta de transparência e a dificuldade em obter dados precisos sobre a situação carcerária no país.

Até o final da semana passada, apenas 17 presos políticos haviam sido libertados na Venezuela. No entanto, a organização alertou que pelo menos 803 pessoas permanecem encarceradas por motivos políticos, evidenciando a persistência de um grande número de detenções por razões ideológicas.

Detalhes das Libertações e Perfis dos Beneficiados

Entre os libertados estão cidadãos venezuelanos e estrangeiros, incluindo indivíduos de nacionalidade italiana, que estavam detidos nos presídios de La Crisálida e El Rodeo 1. O Foro Penal continua apurando outras possíveis libertações que possam ter ocorrido nesta segunda-feira.

A lista de nomes que deixaram a prisão inclui diversos cidadãos espanhóis, como Andrés Martínez Adasme, Ernesto Gorbe, José María Basoa e Miguel Moreno Dapena. Destaca-se também a libertação da ativista opositora ao regime, Rocío San Miguel, que possui dupla nacionalidade espanhola-venezuelana, cujo caso gerou grande repercussão.

Pressão Internacional dos EUA e o Contexto Político

As autorizações para a libertação desses presos políticos são amplamente interpretadas como um resultado da pressão exercida pelos Estados Unidos sobre a Venezuela. Essa pressão intensificou-se após a captura de Nicolás Maduro, ocorrida no dia 3 de janeiro, marcando um novo capítulo nas relações entre os dois países.

As libertações têm ocorrido de forma gradual e, notavelmente, sem comunicados oficiais das lideranças do regime chavista. Essa metodologia discreta reflete a complexidade e a sensibilidade política em torno do tema das detenções por motivos ideológicos no país.

Apelos por Mais Solturas e Temores de Segurança

Após o anúncio das primeiras solturas, familiares de detidos têm se reunido em frente às principais prisões do país, em uma angustiante espera por notícias de seus entes queridos. A esperança se mistura com a preocupação pela segurança dos que ainda estão encarcerados.

A morte recente de um policial que estava detido intensificou os apelos de familiares e ativistas por uma libertação imediata de todos os presos políticos na Venezuela. O temor de que mais mortes possam ser anunciadas aumenta a urgência e a demanda por ações humanitárias e políticas efetivas.

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