A Faixa de Gaza continua a ser palco de uma crise humanitária devastadora, onde a vida de crianças está constantemente em risco, mesmo após acordos de trégua. O cenário de conflito persiste, impactando severamente a população mais vulnerável do território.
Relatórios recentes apontam para um número alarmante de vítimas infantis, revelando a brutal realidade enfrentada por meninos e meninas em meio à escalada de tensões entre o grupo Hamas e Israel. A comunidade internacional acompanha com apreensão a situação.
Desde o início do cessar-fogo, firmado há três meses, ao menos cem crianças morreram em ataques na Faixa de Gaza. O balanço foi divulgado nesta terça-feira, 13 de fevereiro, pelo Unicef, o Fundo das Nações Unidas para a Infância.
O Balanço Trágico Após o Cessar-Fogo
O número de cem mortes infantis equivale, aproximadamente, a uma criança morta por dia desde outubro do ano passado, quando o frágil acordo de trégua foi assinado. Essa persistência de vítimas choca a comunidade internacional.
Desde a assinatura do pacto, Tel Aviv e Hamas têm trocado acusações de violação, o que mantém a instabilidade na região. O governo de Binyamin Netanyahu continuou a realizar ataques aéreos e operações direcionadas ao território.
Segundo o porta-voz do Unicef, James Elder, 60 meninos e 40 meninas palestinos perderam a vida em decorrência de bombardeios aéreos, ataques com drones e disparos de tanques, entre outras causas.
Elder destacou que, “embora os ataques tenham diminuído durante o cessar-fogo, eles não cessaram”. Essa declaração ressalta a continuidade da violência no território.
A persistência dos confrontos, mesmo sob um acordo, frustra as expectativas de alívio e segurança para a população civil, especialmente para as crianças.
A cifra divulgada pelo Unicef, segundo Elder, muito provavelmente está abaixo do número real de vítimas. A dificuldade de acesso e a complexidade do cenário de conflito dificultam a contagem precisa das perdas humanas.
Discrepâncias e Causas das Mortes
O Ministério da Saúde de Gaza, sob controle do Hamas, contabilizou um total de 442 mortes desde a trégua. Desse total, 165 seriam crianças, um número significativamente maior que o registrado pelo Unicef.
Essa diferença nos dados evidencia as distintas metodologias de levantamento de vítimas e a complexidade de obter informações precisas em uma zona de conflito.
Além da violência direta, outras causas trágicas também ceifam vidas infantis. “Sete crianças morreram de hipotermia neste ano”, afirmou Zaher Al-Wahidi, diretor do departamento de informática da pasta, à agência de notícias AFP.
Essa informação destaca as precárias condições de vida em Gaza, onde a falta de recursos básicos e a destruição da infraestrutura de saúde contribuem para o aumento da mortalidade infantil.
A Fragilidade do Acordo de Trégua
O cessar-fogo acordado em outubro não avançou além da primeira fase, na qual os principais combates foram interrompidos. Israel se retirou de menos da metade de Gaza.
Nessa etapa, o Hamas libertou reféns vivos e devolveu os restos mortais em troca de palestinos detidos, um passo inicial para a desescalada do conflito.
As fases futuras, que ainda precisam ser negociadas, preveem o desarmamento do Hamas, uma retirada adicional de Israel e a reconstrução de Gaza por uma administração apoiada internacionalmente.
Contudo, esses passos enfrentam grandes obstáculos, como a recusa da facção em entregar as armas e sua reafirmação de controle enquanto tropas israelenses permanecem entrincheiradas em cerca de metade da Faixa de Gaza.
A Crise Humanitária Persistente
A situação dos mais de 2 milhões de habitantes do território é dramática. Quase todos vivem agora em abrigos improvisados ou em prédios danificados, concentrados em uma estreita faixa de território.
Essa superlotação e a falta de acesso adequado a serviços essenciais agravam a crise humanitária, tornando a vida em Gaza um desafio diário para a população.
A contínua violência e a falta de perspectivas para um acordo duradouro agravam a crise. A proteção de civis, especialmente das crianças que morrem em ataques na Faixa de Gaza, permanece como uma prioridade urgente para a comunidade internacional.
A persistência de mortes infantis mesmo após um cessar-fogo é um lembrete sombrio da necessidade de esforços redobrados para alcançar a paz e garantir a segurança das futuras gerações na região.