A situação no Irã se agrava a cada dia, com as ruas do país tomadas por manifestantes que clamam por mudanças e enfrentam uma dura repressão por parte das forças de segurança. Os protestos, que se iniciaram por questões econômicas, escalaram para um desafio direto à autoridade do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei.
Diante do cenário de crescente violência e instabilidade, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou neste sábado que seu governo está disposto a oferecer “ajuda” pela “liberdade” do Irã. A manifestação de apoio dos EUA se soma a outras vozes internacionais que condenam a brutalidade contra a população.
Relatos chocantes de testemunhas e organizações de direitos humanos emergem do país, pintando um quadro sombrio da escalada da violência. Segundo informações da Agência EFE e da CNN, a repressão já resultou em dezenas de mortes e cenas perturbadoras em hospitais.
Trump e o Apoio Internacional aos Manifestantes Iranianos
Em uma publicação na rede social Truth Social, Donald Trump enfatizou que “o Irã busca a liberdade, talvez como nunca antes”, e reiterou que os Estados Unidos “estão prontos para ajudar”. Embora não tenha detalhado as ações a serem tomadas, Trump já havia alertado sobre a possibilidade de intervir no país em resposta à violenta repressão.
A posição de Washington ecoa o sentimento de outros líderes globais. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também expressou total apoio às mulheres e homens iranianos que exigem liberdade. O senador dos EUA, Marco Rubio, conforme reportado pela Agência EFE, afirmou em suas redes sociais que “os EUA estão ao lado do corajoso povo do Irã”, destacando a abrangência dos protestos contra as políticas econômicas.
Enquanto a comunidade internacional demonstra preocupação e apoio aos manifestantes, o regime iraniano adota uma postura firme. Os militares iranianos declararam que reagirão com veemência a qualquer “plano” que considerem apoiado pelos Estados Unidos e que vise desestabilizar a segurança da República Islâmica.
A Escalada da Repressão e o Alto Custo Humano
A violência contra os manifestantes tem tido um custo humano alarmante. De acordo com um relatório divulgado na sexta-feira pela organização civil Iran Human Rights Governance (IHRNGO), ao menos 51 pessoas morreram desde o dia 28 de dezembro, em decorrência da repressão. Esses números sublinham a gravidade da situação em um país que permanece com as comunicações intermitentes, dificultando a obtenção de informações precisas.
Os protestos, que já duram catorze dias, espalharam-se por dezenas de cidades iranianas, refletindo um descontentamento generalizado com a situação econômica e a falta de liberdades. A persistência e a amplitude das manifestações demonstram a determinação do povo iraniano em desafiar a autoridade estabelecida.
Relatos Chocantes de Testemunhas em Teerã
A dimensão e a diversidade dos protestos em Teerã são notáveis, conforme relatos obtidos pela CNN. Uma mulher e um homem descreveram ter visto pessoas de todas as faixas etárias participando ativamente das manifestações na capital iraniana na última quinta-feira e sexta-feira, em um cenário de união e esperança.
Contudo, a situação mudou drasticamente na noite seguinte. As forças de segurança, equipadas com fuzis de uso militar, teriam iniciado uma repressão violenta, resultando na morte de “muitas pessoas”, segundo os manifestantes ouvidos pela emissora. A brutalidade empregada pelas autoridades tem gerado pânico e indignação.
Em outro bairro de Teerã, participantes dos protestos contaram à CNN que prestaram socorro a um homem de aproximadamente 65 anos, gravemente ferido. Ele apresentava cerca de 40 balas de borracha alojadas nas pernas e um braço quebrado. A tentativa de levá-lo a diferentes hospitais foi frustrada pela desorganização e pelo caos no atendimento.
Uma das testemunhas relatou ter visto “corpos empilhados uns sobre os outros” dentro de uma unidade hospitalar, uma imagem que choca e evidencia a intensidade da violência. Outros manifestantes, apesar do horror, descreveram a quantidade de pessoas nas ruas como sem precedentes, classificando as cenas como “extremamente belas e cheias de esperança”.
O Clamor por Liberdade e o Futuro do Irã
A persistência dos manifestantes em desafiar a repressão no Irã, mesmo diante de tamanha violência e perda de vidas, ressalta um profundo desejo por liberdade e por um futuro diferente. As declarações de apoio internacional, como as de Trump e da União Europeia, podem oferecer um senso de solidariedade, mas a luta principal permanece nas mãos do povo iraniano.
O mundo observa atentamente os desdobramentos no Irã, enquanto os manifestantes continuam a arriscar suas vidas em busca de direitos fundamentais e dignidade. A escalada da repressão e a resiliência da população marcam um capítulo crucial na história recente do país.