Líderes e organizações de todo o mundo têm se manifestado em apoio aos iranianos que foram às ruas nos últimos dias, protestando contra o regime dos aiatolás. A onda de manifestações, que começou por motivos econômicos, rapidamente evoluiu para um desafio político direto ao governo, gerando uma resposta violenta por parte das forças de segurança.
A escalada da repressão do Irã contra manifestantes tem sido acompanhada de perto, com a comunidade internacional expressando profunda preocupação. O bloqueio da internet e as ameaças de punição severa aos envolvidos são vistos como tentativas desesperadas de silenciar a dissidência e manter o controle sobre a população.
As condenações vêm de diversas frentes, incluindo a União Europeia, Ucrânia, França, Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos, que exigem o respeito aos direitos humanos e às liberdades civis no país, conforme informações divulgadas pelas autoridades e agências internacionais.
Aumento do Repúdio Internacional e Apelos por Direitos
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o bloco europeu apoia integralmente os manifestantes, enquanto a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, classificou a resposta das forças de segurança iranianas como “desproporcional”. Kallas destacou que “qualquer violência contra manifestantes pacíficos é inaceitável”. Ela acrescentou na rede social X: “Numa tentativa de silenciar a contestação, o encerramento da internet acompanhado de repressão violenta revela um regime com medo do seu próprio povo”.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, condenou a repressão e pediu à comunidade internacional que aumentasse a pressão sobre Teerã. Ele traçou paralelos entre a repressão interna e a conduta do país no cenário global, afirmando: “O apoio do Irã à guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia e a opressão dos seus próprios cidadãos fazem parte da mesma política de violência e desrespeito pela dignidade humana”.
Líderes da França, Alemanha e Reino Unido condenaram “veementemente o assassinato de manifestantes” no Irã. Em comunicado conjunto, o presidente francês, Emmanuel Macron, e líderes políticos da Alemanha, Friedrich Merz, e do Reino Unido, Keir Starmer, afirmaram que as autoridades iranianas “têm a responsabilidade de proteger a sua população e devem permitir as liberdades de expressão e de reunião pacífica sem receio de represálias”. Nos Estados Unidos, o ex-presidente Donald Trump emitiu um alerta, e o senador americano Marco Rubio declarou: “Os Estados Unidos apoiam o bravo povo do Irã”.
A Resposta Dura do Regime Iraniano
A repressão do Irã contra manifestantes tem sido implacável. A Guarda Revolucionária do Irã alertou que a proteção da segurança era uma “linha vermelha” e os militares prometeram proteger a propriedade pública, enquanto o regime intensificava os esforços para conter os protestos mais generalizados dos últimos anos. Os protestos se espalharam por grande parte do Irã nas últimas duas semanas, começando como resposta à inflação crescente, mas rapidamente se tornaram políticos, com manifestantes exigindo o fim do regime islâmico.
O Exército iraniano alega que “grupos terroristas” querem acabar com a segurança. As Forças Armadas, que operam separadamente da Guarda Revolucionária Islâmica, mas também são comandadas pelo Líder Supremo, o aiatolá Ali Khamenei, anunciaram que irão “proteger e salvaguardar os interesses nacionais, a infraestrutura estratégica do país e os bens p&úblicos”.
Ainda mais alarmante, o procurador-geral do Irã, Mohammad Movahedi Azad, disse que os processos contra os manifestantes serão conduzidos “sem clemência, misericórdia ou apaziguamento”, conforme a agência Tasnim. Essa postura intransigente sinaliza uma escalada na repressão do Irã contra manifestantes e um desrespeito flagrante aos direitos básicos.
Raízes dos Protestos e Escalada da Violência
Em um país com histórico de oposição fragmentada ao regime teocrático, o filho do último xá do Irã, deposto na Revolução Islâmica de 1979, emergiu como uma voz proeminente no exterior, estimulando os protestos. A mobilização popular é a maior dos últimos anos, desafiando a autoridade do regime de forma inédita.
A Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, sediada nos Estados Unidos, informou que pelo menos 65 pessoas morreram e mais de 2.300 foram presas em todo o Irã nos últimos 13 dias. Além disso, em um relatório da organização Hengaw para direitos humanos, foi registrado um total de 1.858 mortes por execução, destacando a gravidade da situação dos direitos humanos no país.
Impacto Econômico e o Despertar Popular
As preocupações com a inflação atingiram o auge na semana passada, quando os preços de produtos básicos como óleo de cozinha e frango dispararam dramaticamente da noite para o dia, com alguns produtos desaparecendo completamente das prateleiras. Essa crise econômica foi o estopim para a mobilização da população, que já vinha sofrendo com a deterioração das condições de vida.
A situação foi agravada pela decisão do Banco Central do Irã de encerrar um programa que permitia a alguns importadores acessar dólares americanos mais baratos em comparação ao restante do mercado. Isso levou lojistas a aumentarem os preços e alguns a fecharem suas portas, iniciando os protestos. A decisão dos “bazaaris”, como são conhecidos, é uma medida drástica para um grupo tradicionalmente alinhado à República Islâmica, evidenciando o profundo descontentamento que impulsiona a repressão do Irã contra manifestantes.