O cenário político nacional presenciou uma movimentação estratégica significativa, com o senador Rogério Marinho (PL-RN) assumindo um papel de destaque na corrida presidencial. Ele será o responsável pela coordenação da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República nas eleições deste ano.

Essa nova função representa uma guinada importante nos planos do parlamentar potiguar. Marinho vinha sendo cotado como um forte nome para disputar o governo do Rio Grande do Norte em 2026, mas agora direciona seus esforços para a articulação em nível federal.

A decisão, confirmada por fontes próximas ao Partido Liberal (PL), aponta para uma estratégia mais ampla da legenda, buscando fortalecer sua presença nacional e formar maioria no Senado a partir de 2027, conforme informações da Gazeta do Povo.

Mudança de Rota e Estratégia do PL

A escolha de Rogério Marinho para a coordenação de campanha de Flávio Bolsonaro reflete uma análise cuidadosa dentro do PL. Embora pressionado por aliados a disputar o governo do Rio Grande do Norte, o senador demonstrou resistências devido à delicada situação fiscal do estado.

A estratégia do Partido Liberal foca em aproveitar os senadores eleitos em 2022, como Marinho, para fazer quórum com os parlamentares que serão eleitos neste ano. O objetivo é formar uma maioria no Senado Federal a partir de fevereiro de 2027.

Marinho terá a importante tarefa de articular politicamente a campanha de Flávio Bolsonaro em âmbito nacional. Além disso, ele será a ponte para interlocução com lideranças regionais, com foco especial na região Nordeste, considerada estratégica pelo partido para ampliar o alcance eleitoral da candidatura.

Um levantamento do instituto Paraná Pesquisas, realizado em dezembro de 2025, indicava que Marinho e o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), estavam tecnicamente empatados na disputa pelo governo do Rio Grande do Norte, com 28% e 30% das intenções de voto, respectivamente. No entanto, a prioridade agora é outra.

A Experiência de Rogério Marinho na Política Nacional

Economista de formação, Rogério Marinho construiu uma trajetória política robusta, passando por diversas esferas da administração pública. Sua carreira teve início em Natal, onde assumiu uma cadeira na Câmara Municipal em 2001, tornando-se presidente do Legislativo municipal em 2006.

Nos anos seguintes, ele expandiu sua atuação para o Executivo estadual, assumindo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Norte em 2012. Essa experiência o preparou para desafios maiores no Congresso Nacional.

Eleito deputado federal em 2006, Marinho cumpriu três mandatos consecutivos na Câmara dos Deputados. Nesse período, ele se destacou na atuação em temas econômicos, relações de trabalho, Previdência e educação, consolidando sua imagem como um parlamentar focado em pautas estruturais.

Atuação Chave no Congresso e Executivo Federal

Um dos momentos mais marcantes da atuação de Rogério Marinho na Câmara foi a relatoria da Reforma Trabalhista em 2017, durante o governo de Michel Temer (MDB). Ele conduziu a tramitação do projeto, promovendo significativas alterações na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) após intensas negociações.

Após não conseguir a reeleição em 2018, Marinho foi para o Executivo federal, assumindo a Secretaria Especial de Previdência e Trabalho em janeiro de 2019, no início do governo Jair Bolsonaro (PL). Sua principal missão foi a articulação política da Reforma da Previdência no Congresso, aprovada no mesmo ano.

Em fevereiro de 2020, foi nomeado ministro do Desenvolvimento Regional, coordenando políticas públicas de infraestrutura, habitação e saneamento. Essa passagem pelo Executivo federal ampliou sua projeção e experiência em áreas estratégicas do governo, preparando-o para a atual coordenação de campanha.

Líder da Oposição e Secretário-Geral do PL

Eleito senador pelo Rio Grande do Norte em 2022, Rogério Marinho rapidamente assumiu um papel de destaque na oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele é o atual líder da oposição no Senado Federal, coordenando estratégias parlamentares e posicionamentos críticos em relação às propostas do Executivo.

Sua atuação tem sido marcada por uma postura fiscal e econômica rigorosa, além de iniciativas regimentais, como obstruções e articulações entre as bancadas oposicionistas. Marinho também coordena a oposição na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no INSS.

Paralelamente às suas responsabilidades legislativas, Marinho ampliou sua influência no Partido Liberal. Em 2024, foi eleito secretário-geral da legenda, assumindo atribuições importantes relacionadas à organização interna e ao apoio aos diretórios estaduais. Essa experiência partidária será fundamental para a nova função de coordenação de campanha presidencial.

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