A Itália planeja apoiar o acordo de livre comércio com o Mercosul, um movimento que pode remover o último grande obstáculo para a União Europeia finalizar um tratado que está em negociação há 25 anos. Esta mudança de posição é vista como um passo decisivo para a criação de um dos maiores blocos comerciais do mundo.

A expectativa é que a nação europeia formalize seu apoio durante uma votação de embaixadores da UE nesta sexta-feira, 9 de fevereiro. Caso aprovado, o acordo poderia ser assinado pelos países do Mercosul já na próxima segunda-feira, 12 de fevereiro, marcando um momento histórico nas relações comerciais globais.

Essa guinada italiana ocorre após semanas de intensas discussões e progresso nas negociações, conforme informações divulgadas pela Bloomberg, que citou fontes a par do assunto.

O Fim de um Impasse de 25 Anos

O acordo UE-Mercosul representa o maior pacto comercial já negociado pela União Europeia. Por mais de duas décadas, as conversações foram interrompidas e retomadas diversas vezes, diante de preocupações relacionadas à proteção ambiental e aos padrões agrícolas dos países do Mercosul.

A concretização do tratado criaria um mercado integrado com cerca de 780 milhões de consumidores. Este pacto prevê a eliminação gradual de tarifas sobre diversos bens, como automóveis, e facilitaria o acesso da Europa ao vasto e estratégico setor agrícola do Mercosul.

Além dos benefícios comerciais, o acordo permitiria que ambas as regiões diversificassem suas parcerias, reduzindo a dependência de potências como os Estados Unidos, especialmente após a imposição de tarifas globais pelo ex-presidente Donald Trump.

As Preocupações Agrícolas e a Mudança de Posição Italiana

No mês passado, a UE não conseguiu finalizar o acordo de livre comércio devido à resistência liderada pela Itália e pela França. Ambos os países argumentavam que o tratado ainda não oferecia proteções adequadas para seus agricultores, um setor sensível em ambas as economias.

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, vinha buscando salvaguardas adicionais para o setor agrícola, além de recursos extras para os produtores no orçamento do bloco. A negociação dessas condições foi crucial para a atual mudança de postura de Roma.

Paula Pinho, porta-voz da Comissão Europeia, confirmou o avanço nas tratativas.

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