Uma importante mudança de rumo marcou a investigação do Caso Master nesta semana, com uma nova determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).
O ministro Dias Toffoli, relator do processo, alterou sua decisão inicial sobre a custódia dos materiais apreendidos na segunda fase da Operação Compliance Zero.
Agora, em vez de ficarem guardados no STF, os bens e dispositivos eletrônicos seguirão diretamente para a Procuradoria-Geral da República (PGR), conforme informações da fonte.
A Reversão da Decisão e o Pedido da PF
Inicialmente, o ministro Toffoli havia determinado que todo o material apreendido pela Polícia Federal (PF) na quarta-feira, 4 de outubro, fosse lacrado e mantido sob custódia na sede do Supremo Tribunal Federal.
Contudo, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, expressou preocupação de que essa medida pudesse causar danos irreparáveis à investigação, defendendo a necessidade de perícia imediata nos dispositivos.
Rodrigues argumentou que a agilidade na análise é crucial para o andamento das apurações.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) concordou com o pedido de reconsideração, solicitando autorização para extrair e analisar diretamente todo o acervo probatório.
Toffoli acatou o pleito, destacando que a nova medida permitirá à PGR ter uma “visão sistêmica dos supostos crimes de grandes proporções” identificados até o momento no Caso Master.
O Vasto Acervo Probatório da Operação Compliance Zero
A segunda fase da Operação Compliance Zero resultou em uma significativa apreensão de bens e dispositivos.
A Polícia Federal recolheu um total de 39 celulares e 31 computadores, que são peças-chave para a investigação.
Além dos eletrônicos, foram apreendidas 30 armas e a quantia de R$ 645 mil em dinheiro em espécie.
Também foram recolhidos 23 veículos, cujo valor total é estimado em R$ 16 milhões, um montante que ressalta a escala das operações investigadas.
Este vasto acervo probatório é fundamental para desvendar o complexo esquema de gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro que teria sido operado pelo Banco Master.
Medidas de Segurança para a Preservação das Provas
Para garantir a integridade do material, especialmente os aparelhos eletrônicos, o ministro Toffoli estabeleceu cautelas específicas para a custódia na PGR.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, deve assegurar que os dispositivos sejam mantidos desacoplados de redes telefônicas e de Wi-Fi, ou seja, em modo avião.
Essa medida visa a preservação do conteúdo original para a futura perícia, evitando qualquer alteração ou acesso indevido que possa comprometer a validade das provas no Caso Master.
A Complexidade da Investigação contra o Banco Master
A investigação centraliza-se em um suposto esquema de gestão fraudulenta, desvio de valores e lavagem de dinheiro, que teria sido orquestrado pelo Banco Master.
De acordo com os autos do processo, a instituição financeira teria se aproveitado de maneira sistemática das vulnerabilidades presentes no mercado de capitais.
Além disso, o esquema teria explorado falhas no sistema de regulação e fiscalização, permitindo a perpetração dos supostos crimes de grandes proporções no contexto do Caso Master.